Rahu e Ketu – O Eixo do Destino no Horóscopo


Rahu e Ketu –  Os nodos do Destino
A combinação das interacções energéticas dos planetas no momento e no local em que nascemos é a matriz da existência individual nesta Terra. A carta astrológica mostra a nossa personalidade, o tipo de experiências e de relacionamentos  que iremos ter; as linhas gerais da  carreira,  da estrutura familiar, os  aspectos financeiros e o sucesso material,  a saúde. Ela é a expressão do nosso destino potencial.
Essa matriz é determinada por aquilo a que a filosofia Védica chama Karma.  E, para conhecermos os momentos em que os eventos kármicos da nossa vida acontecerão, a Astrologia Védica/Jyotish utiliza uma metodologia específica – os períodos planetários Vimsottari Dasa – e  também  os trânsitos dos planetas.
Na revelação desses períodos, Rahu e Ketu desempenham um papel  fundamental, tanto ao nível dos seus trânsitos como dos seus períodos Dasa.
Rahu e Ketu não são planetas  uma vez que não correspondem a nenhum objecto com massa, são antes áreas de poderosa  energia, correspondente aos pontos de intersecção entre as órbitas da Terra e da Lua. Os dois pontos de intersecção dessas órbitas correspondem a uma perturbação electromagnética  poderosa que tem efeitos marcantes na determinação do «destino». 
A Astrologia chama a esses pontos de intersecção «nodos»: um nodo norte, que recebe o nome de Rahu e um nodo Sul que recebe o nome de Ketu. Eles permanecem sempre em oposição de 180º e, na Astrologia Védica, formam o eixo Kármico dos eventos que serão enfrentados nesta vida. Indicam as áreas da nossa vida que serão o centro ou o foco desses eventos kármicos. Reenviam, deste modo, para o passado que emerge no presente.  Em concordância com isto, Rahu/Ketu têm sempre movimento retrógrado.
Mitologia e Significado Simbólico de Rahu/Ketu
Segundo a Mitologia Hindu  no início dos tempos houve uma batalha terrível entre os deuses e os demónios.  Como a batalha nunca mais se decidia a favor de nenhuma das partes, Vishnu decidiu juntar todos os oponentes. Conjugando esforços, conseguiram extrair o néctar da imortalidade (Amrit) do fundo do mar.

 

Quando  os deuses e os demónios se sentaram, cada grupo em local separado, para receber a sua parte do néctar, Vishnu, mestre do disfarce, disfarçou-se  de uma bela donzela e, sem que os demónios se apercebessem do que sucedia ( por estarem encantados a olhar para ela) deu o néctar  a beber aos deuses.
Rahu, um dos demónios, apercebeu-se do embuste e, disfarçando-se ele próprio de deus, conseguiu beber o néctar da imortalidade. Surya(Sol) e Chandra (Lua) aperceberam-se do logro e denunciaram-no.
De imediato, Vishnu cortou a cabeça de Rahu mas era tarde: este bebera Amrit e tinha-se tornado imortal. A partir de então, Rahu separou-se em duas partes, tendo a sua cabeça mantido o nome de Rahu e a metade inferior recebeu o nome de Ketu. Os dois  estão condenados a permanecer opostos um ao outro para sempre.
A história diz ainda que, desde então, Rahu e ketu são inimigos eternos do Sol e da Lua. Rahu não perde uma ocasião para «devorar» o Sol e a Lua, dando origem aos eclipses solares e lunares.
Esta história  permite-nos entender alguns aspectos interessantes: o primeiro é que, no dualismo  entre o espírito e a matéria, estava pressuposto que estes não estavam destinados a misturar-se nem a ligar-se: os seres espirituais pretendiam reservar a exclusividade da imortalidade para si próprios;
Em segundo lugar, os menos favorecidos, os «não-deuses» em que se incluía Rahu não se conformaram com esta pretensão e lutaram pelo seu direito à imortalidade. Rahu conseguiu aceder-lhe e, segundo o mito, Vishnu acabou por conceder-lhe e a Ketu, a dignidade de deidades planetárias . 
Porém,  ao ficar dividido em duas partes,  Rahu/Ketu ficou condenado para sempre a lutar com a dualidade matéria /espírito no âmago do seu ser: metade do seu ser deseja terrivelmente o mundo material e fica obcecada com ele- Rahu;
A outra  metade permanece eternamente insatisfeita com o mundo material e anseia por libertar-se dele, fazendo com que nenhum objecto, acção ou sentimento relacionado com o mundo material atinja alguma vez a  da concretização verdadeira felicidade e  da auto-realização.
Rahu é uma cabeça sem corpo. Sem corpo físico, fica obcecado com tudo aquilo com que contacta. Essas obsessões atuam ao nível da mente subconsciente. Ele distorce as percepções , vê todas  as coisas através dos intensos desejos . Fixa-se na aparência  material das coisas, não deixando ver a real essência destas. 

 

Rahu representa  os nossos desejos materiais mais profundos e irracionais,  manipulando muitas vezes  o nosso ego com mil ilusões pelas quais mascara a verdadeira natureza  dos desejos.
Num nível mais profundo Rahu impele-nos, por força do nosso Karma, a desejar intensamente tudo o que precisamos de aprender nesta existência.  Como ensina a Filosofia dos Vedas, a encarnação  da alma no mundo físico tem um propósito de aprendizagem e Rahu impele-nos para  o desejo de experienciar o que mais precisamos de aprender.  
experiências que apenas aprendemos no mundo físico e através de um corpo físico.  Os desejos intensos de Rahu mostram a área da nossa vida onde existe um desequilíbrio que é preciso superar. Por isso cria esse estado de  concentração e de desejo nessa área da vida. Mas, se nos libertamos desse desejo através da expressão de Ketu, podemos atingir um estado de iluminação interior e  de evolução espiritual.
Enquanto Rahu deseja expandir-se no mundo material,  Ketu anseia por refugiar-se e retirar-se do mundo material ,sente  uma insatisfação e irrequietude permanente que apenas se dá conta daquilo  que lhe falta, projectando a sua percepção de vazio em todas as realizações mundanas de Rahu de tal modo que todos os sucessos no mundo material acabam por se esgotar numa sensação de vazio e  revelar-se como uma ilusão. Ketu  destrói  o prazer pelas posses materiais, mostrando  o seu carácter ilusório e o vazio em que se transformam.

O eixo das casas em que Rahu e Ketu estão colocados dá-nos pistas importantes  acerca do propósito de vida da pessoa Mas a energia de  Rahu  pode  finalmente abandonar o desejo pelo mundo material. Nesse momento  dá-se a conversão da sua energia e  esta, associada à energia Kundalini , sobe do Chacra da Raiz  para se juntar a Ketu no Chacra da Coroa, num processo de iluminação espiritual.

(Continua)

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