O Destino da Alma e o Casamento- a Divisional Navamsa


A Navamsa é considerada da maior importância para fazer previsões na Astrologia jyotish. De tal modo que muitos astrólogos védicos  utilizam metáforas como «a carta natal representa o corpo físico  mas a  Navamsha é alma  que o faz mover»
A Navamsha é a mais importante das  divisionais. Ela  é a varga do casamento, ajuda a determinar o tipo de vida conjugal que o nativo vai ter. O Ascendente da Navamsha  significa o cônjuge , as suas qualidades, o temperamento, a aparência física, os traços gerais da personalidade. 
A Navamsha  é uma observação ampliada em todos os pormenores da 9ª casa do horóscopo natal. Esta casa representa o «destino» ou Karma desta existência e por isso está associada à fortuna ou sorte do nativo (boa ou má).  O que a Navamsha faz é permitir um olhar detalhado sobre os pormenores invisíveis na 9ª casa da carta natal  trazendo-os à luz do dia.
Representa o cônjuge porque  , na vida terrena, faz parte do destino o encadeamento de laços e de relações entre pais e filhos, cônjuges etc, cujos laços remontam ao Karma acumulado no passado (a 9ª é a 5ª casa a partir da 5ª, a casa que representa os «créditos de vidas passadas  trazidos até ao presente). Os relacionamentos familiares formam uma espécie de espiral ininterrupta  de laços transportados na memória dos afectos escondidos  que  seguem o seu curso, geração após geração. 
Mas esta é também uma divisional que é companheira inseparável do horóscopo de nascimento: é na Navamsa que os planetas revelam a sua real força ou fraqueza; 
É de tal modo importante que, desde  os grandes sábios  que sistematizaram a Astrologia Jyotish  aos astrólogos da nossa época, todos concordam em que antes de julgar ou prever algum evento, o astrólogo deve  confirmar na Navamsa o que  observou no horóscopo de nascimento.
Esta divisional  funciona como uma espécie de marcador que sublinha ou realça os pontos fortes e os pontos fracos do horóscopo natal. 
Assim, na verdade a Navamsa tem duas vertentes fundamentais: por um lado mostra o tipo de vida conjugal que podemos ter e faz a descrição do nosso parceiro; 
Por outro lado, mostra os aspectos que contribuem para o nosso desenvolvimento espiritual e é uma espécie de espelho da nossa alma.
A razão pela qual estes dois aspectos estão intimamente ligados nesta varga talvez tenha a ver com o facto de que, para crescermos verdadeiramente e nos tornarmos seres mais espirituais, precisamos de vivenciar a experiência da família e da partilha do nosso destino com outrem. 
Deixarei para outro dia  a relação desta divisional com o desenvolvimento espiritual do nativo. Por agora, e na sequência do último artigo publicado,  analisarei o papel da Navamsa na determinação do parceiro de vida. 
A divisional Navamsa, a Varga do Casamento
  
1. Os fatores individuais
O planeta Vénus é o planeta mais importante  para este efeito pois é o indicador  da vida a dois. Devemos ver qual a força, nesta divisional, e, se e  estiver exaltado, no próprio signo ou  no mesmo signo que na carta natal (vargottama) isso é particularmente auspicioso para a vida conjugal.
A 1ª e a 7ª casa devem ser vistas também, tanto ao nível da  força  das casas como em relação aos aspectos que recebem. Os regentes destas casas colocados em casas angulares (kendra) ou trinas indicam bons resultados, a pessoa será afortunada.
A colocação dos nodos – Rahu e Ketu- no eixo 1/7 indica um casamento fora da norma ou porque o cônjuge é estrangeiro ou de outra comunidade, ou porque a forma como se vive a relação conjugal sai fora das normas habituais. Esta posição também indica, muitas vezes, problemas conjugais devido a infidelidade do cônjuge, etc.
A presença de planetas maléficos na 7ª casa da Navamsa ou de planetas maléficos que  lançam um aspecto de oposição  sobre ela é muito negativa para a vida conjugal. Do mesmo modo , a presença de planetas benéficos nestas casas (vénus e Júpiter) indica vida conjugal feliz.
Analisamos também  a 9ª casa e o seu regente. Uma 9ª casa forte e o regente bem colocado e bem associado indica um destino com sorte.
2. A comparação entre horóscopos
O aspecto mais importante a considerar é a harmonia de relacionamento entre os planetas de ambos os horóscoos :
a) Os  signos Ascendentes dos parceiros devem estar em boa posição em relação um ao outro. Isto significa que devem estar numa posição de 1-7, 3-11 ou 5-9 ;  não devem estar numa relação 2-12, 4-10 ou 6-8. Ex: um parceiro tem Ascendente Capricórnio .O Ascendente do outro parceiro deverá ser Capricórnio (1), Peixes (3) Touro (5), Caranguejo(7), Virgem (9) ou Escorpião (11).
b)      Os planetas  regentes do  Ascendente devem estar em aspectos harmoniosos relativamente um ao outro: os melhores são 5-9 e 3-11. Por ex., um parceiro tem Sagitário no Ascendente.O regente, Júpiter, está colocado em Aquário. O outro parceiro tem Ascendente Carneiro. O regente ,  Marte , está colocado em Leão. Contando o nº de signos entre os dois planetas vemos que , no parceiro que tem Ascendente Carneiro,  o nº de signos  de Leão a Sagitário (começando a contar a partir de Leão como 1º signo) é 5. Se contarmos de Sagitário para Leão, seguindo a ordem dos signos, a distância é de 9 signos/casas. Trata-se de uma boa associação. E, neste caso, como existe uma relação de «amizade» natural entre Júpiter e Marte, é uma excelente indicação de harmonia potencial.
c) Vemos seguidamente se os signos da Lua em ambos os horóscopos estão em relação harmoniosa seguindo o mesmo princípio: As melhores posições são 5-9 e 3-11. As posições 2-12 e 6-8 indicam que as pessoas não conseguem sincronizar mental e emocionalmente. As posições 1-7 e 4-10 são potencialmente geradoras de conflitos e  de desarmonia entre os parceiros e indicam desafios na relação. Adicionalmente, os regentes dos signos da Lua devem também estar em posições harmoniosas um em relação ao outro (5-9 e 3-11).  A relação entre a Lua de um e a Lua do outro  também deve ser de 5-9 ou 3-11 para assegurar  boa compatibilidade mental e emocional.  Se, por ex., um parceiro tem a sua Lua em Sagitário e o outro tem a sua Lua em Carneiro , é uma excelente combinação.
d)  Os planetas indicadores do casamento -Lua e Vénus no horóscopo de um homem cujo parceiro é uma mulher-; e Sol e Marte num horóscopo de uma mulher cujo parceiro é um homem, devem estar em aspecto harmonioso. O ideal será o Sol dela estar em aspecto 5-9 ou 3-11 com a Lua dele. Este aspecto indica uma boa compatibilidade a nível psicológico-mental e emocional ; o Vénus dele  deve estar em aspecto harmonioso  com o Marte dela numa relação que pode ser de 1-7, 3-11 ou 5-9. Este aspecto indica uma boa compatibilidade sexual.  A relação 2-12 ou 6-8 entre estes planetas indica que as pessoas não comunicam entre si nestes dois níveis de relacionamento.
e)      Para assegurar a estabilidade da relação, os planetas  maléficos de um não devem «cair» na Ascendente  do outro. Por ex., se Saturno, Rahu/Ketu ou Marte de um estão no mesmo signo do Ascendente do outro ou se formam aspecto com este, isso indica problemas na relação, conflitos, divórcio, etc.
f)       Ter em conta o que escrevi no último artigo Encontrar o Parceiro ideal- O que Mostra o horóscopo  e que planetas maléficos  colocados na 7ª ou 8ª casa do horóscopo individual  anunciam infelicidade no casamento, separação ou morte do parceiro e que esse é um padrão da experiência individual.
Nota: Na índia, existe ainda um teste de compatibilidade muito usado pelos astrólogos védicos – Ashtha Kootas- baseado no Nakshatra da Lua e que testa a compatibilidade dos parceiros   de forma quantitativa a vários níveis.  Nesse teste é necessário um mínimo de 18 pontos para assegurar a compatibilidade que permite um casamento duradouro. O máximo de pontos possíveis é  36.
 Para a cultura ocidental, este teste tem menos importância porque está bastante marcado pelos aspectos culturais próprios  da tradição Hindu.
Na  nossa modesta opinião  a análise da Navamsa aliada à observação da relação de harmonia entre os planetas e à respetiva comparação de Sinastria nos dois horóscopos  é uma excelente ferramenta  de diagnóstico da compatibilidade entre parceiros. Não esquecemos, no entanto, que qualquer análise dessa compatibilidade, por mais rigorosa que seja, não substitui  o milagre do verdadeiro encontro entre dois seres humanos.
Para além disto, convém também notar que os relacionamentos próximos entre os seres humanos encerram habitualmente os maiores mistérios  e desafios do desenvolvimento espiritual humano e que não existem relações perfeitas; habitualmente, em todos os relacionamentos, incluindo os bem sucedidos, há aspectos de conflito e  ausência de comunicação de algum aspecto da realidade de ambas as pessoas.

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