Os Animais e a Cultura- o Leão, Coragem e Realeza

 

O Leão na Simbologia e na Cultura

O Leão é um animal presente na Mitologia e na cultura de muitos países. A sua aparência imponente  e ar «nobre» associaram-no desde a remota Antiguidade com a realeza e com todas as características associadas: coragem e bravura, caráter, expressão da divindade, etc. que levaram a considerá-lo como o «rei da selva».
Vamos referir de seguida algumas dessas referências culturais e depois apresentar algumas características do comportamento deste animal, outrora espalhado por grande parte do mundo e hoje circunscrito a uma parte da África e da Ásia.
 
O Leão é um ícone simbólico presente na representação de bandeiras, brasões de armas,  na arte e  religião em muitos países. Nas grutas do paleolítico, como em Lascaux, existem representações deste animal. No Egipto, Sekhmet, a terrível deusa guerreira, era representada  como tendo cabeça de Leoa e, por vezes, assumia  inteiramente a forma de uma Leoa.  A célebre Esfinge tinha  cabeça e ombros humanos e um corpo de leoa.
Na antiga Mesopotâmia os leões eram um símbolo da realeza. Na Pérsia podiam ver-se efígies de leões a decorar as portas. Neste país e noutros do Médio Oriente o leão é um símbolo de coragem, bravura, realeza e ideais da cavalaria.
 
Na Mitologia Grega Hércules lutou contra o terrível leão de Nemeia que era invulnerável aos ataques por armas devido ao  seu pelo dourado que repelia todas as armas que o atacavam. Este leão mítico corresponde à constelação e signo zodiacal do mesmo nome.
Nas lendas do Rei Artur existe uma história que conta como um herói de cavalaria salvou um leão de uma serpente. O animal ficou tão agradecido ao cavaleiro que se tornou no amigo fiel deste, participando com ele nas batalhas pelos valores elevados e altruístas que este cavaleiro travou.
 
Na China também existe uma representação majestosa do leão, que é considerado  um protetor dos maus espíritos. No ano novo é executada uma dança ritual , a dança de ano novo do Leão pela qual se «assustam» os        demónios e os fantasmas. Por esta razão o leão é representado em esculturas que são colocadas como guardiões nas entradas de muitos edifícios como se pode ver na cidade proibida de Beijin. Também no Tibete os leões estão representados na bandeira  e  os «leões da neve» são símbolos de ausência de medo, alegria incondicional, o elemento Terra e a direção Este.
 
A ilha de Singapura também deriva o seu nome da palavra «Singh» que quer dizer «leão» («pura» significa «cidade»). Na Índia os leões também são considerados sagrados e os leões asiáticos fazem parte do emblema do país. Tradicionalmente considera-se que o leão é uma encarnação de Vishnu.
 
No Egipto, o mito de Sekhmet conta que Ra criou a Terra e os homens e governou a humanidade por um período de mil anos. Quando este prazo estava perto do fim os homens começaram a achar que Ra estava velho e frágil  e conspiraram contra ele. Esta conspiração chegou aos ouvidos de Ra que reuniu o conselho dos deuses para decidir o  que fazer. E ficou decidido que Ra enviasse o seu olho à Terra,    sob a forma da deusa leoa Sekhmet para que esta destruísse os conspiradores contra Ra. Mas, após algum tempo em que     a humanidade sofreu a morte causada pela leoa, Ra ordenou-lhe que regressasse e parasse a matança da humanidade mas esta recusou, pelo que Ra teve que recorrer a um subterfúgio para que a humanidade fosse poupada.
 
Características Comportamentais do Leão
 
Em África os leões habitam a savana salpicada de acácias que lhes dão sombra protetora. Na Índia encontram-se nas savanas secas e nas florestas de arbustos caducos. Em tempos era possível encontrá-los num vasto território desde o sul da Eurásia, passando pela Grécia, até à Índia. No Cáucaso sobreviveu uma população de leões até ao sec. 10. Na Palestina os leões desapareceram na Idade Média e, a partir do sec. 18, com o surgimento das armas de fogo, foi desaparecendo da Ásia. Entre o sec. 19 e o início do sec. 20 desapareceu do Norte de África e do Norte da Índia.
Os leões passam boa parte do dia a descansar, passando cerca de 20 horas inativos. Habitualmente ficam ativos após o anoitecer, altura em que socializam, se dedicam aos cuidados do corpo e, até amanhecer, se dedicam a caçar. Gastam cerca de 2h por dia a andar  e 50 minutos a comer.
 
A caça é feita pelas leoas que cooperam em grupos organizados. Comparativamente com outros predadores, os leões têm um coração muito pequeno que representa apenas 0.57% do seu peso, quando em outros animais representa 10% por isso, embora possam atingir uma velocidade de 59 km /h só podem fazê-lo por curtos períodos de tempo razão pela qual precisam de estar perto das presas quando atacam (cerca de 30 metros ou menos).
A alimentação segue uma estrita hierarquia, com as crias desmamadas a comer em último lugar, razão pela qual, quando há escassez de recursos, muitas morrem de fome. Frequentemente os machos permitem que as crias se alimentem da sua porção, mas tem sido observado que as fêmeas, geralmente, fazem-nas esperar pela sua vez.
 
 
Os leões não têm uma época específica para a reprodução, as fêmeas estão receptivas várias vezes ao ano. Atingem a maturidade sexual por volta dos 4 anos de idade e reproduzem-se bem em cativeiro. A gestação leva 110 dias e  cada fêmea tem entre 2 a 4 crias de cada vez. Observa-se com frequência que as fêmeas do grupo sincronizam as gravidezes e cooperam depois na criação dos filhotes. Nas primeiras 6 a 8 semanas a fêmea fica isolada com as crias, caçando sozinha e amamentando-as. Mas depois disso as crias são introduzidas no grupo e  alimentam-se em qualquer fêmea que esteja lactante. Este comportamento facilita os laços no grupo e permitem condições idênticas de crescimento  e de sobrevivência a todos os filhotes. Quando acontece haver crias de diferentes idades as crias mais velhas comem todo o alimento disponível  e os mais novos morrem à fome. As crias nascem cegas. Abrem os olhos com 2 ou 3 semanas. Mamam até aos 2 ou 3 meses. As possibilidades de sobrevivência são poucas: 1 em cada 8 crias morre antes de chegar à vida adulta.
 
Quando um macho desafia o líder e toma o seu lugar mata-o e , se houver crias jovens mata-as também para forçar a fêmea a estar receptiva mais depressa para que novas crias, com os seus genes, possam nascer.  As fêmeas normalmente ficam junto do grupo mas os machos são afastados quando atingem 3 anos de idade e vagueiam até formar o seu próprio grupo de fêmeas. A liderança dos machos pode ser posta em causa por outro macho a qualquer momento.
 
Os leões são animais poderosos: o macho pode pesar cerca de 240 kg e a fêmea pode ultrapassar os 180 kg. No habitat selvagem, os leões vivem entre 10 a 16 anos. Em cativeiro podem viver entre 20 e 25 anos.

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