Reflexão de Fim de Semana- Segredos de Espiritualidade, Prana e o Corpo de Desejo

prana

Como temos vindo a referir nos dois últimos artigos desta série,  a tradição Hindu, Budista,  Tibetana, Teosófica, etc, têm chamado a  atenção para a constituição setenária do homem. De acordo com esta conceção, o homem é composto por dois conjuntos de «princípios » ou «veículos»: um quaternário, associado à natureza física do homem;  e um triádico, associado à  sua natureza espiritual; este último  , acredita-se, resiste ao processo da morte do corpo físico e, de acordo com aquelas tradições, reincarna novamente, dando origem a um novo «quaternário».

É deste conjunto quaternário que temos vindo a falar nestes artigos, tendo já referido o corpo etéreo/físico e o corpo astral. Hoje falaremos  dos dois outros veículos ou princípios, Prana e Corpo de Desejo.

«Prana» é a palavra que , em sânscrito, significa «força de vida».  A tradição afirma que esta força de vida, que preenche todo o universo- e que é o total da energia manifestada no Universo ( e é descrita nos textos antigos como os Vedas, e na Medicina tradicional  Hindu- Ayurveda-  na medicina Tibetana, etc )  e liga todos os elementos que o compõem, manifestando-se, no ser humano , através de três canais especiais (nadis): Ida, Pingala e Sushumna.  Ida relaciona-se com o lado direito do cérebro e com  o lado esquerdo do corpo, terminando na narina esquerda; Pingala relaciona-se com o lado esquerdo do cérebro  e com o lado direito do corpo, terminando na narina direita. A energia de Prana  mantém a vida no corpo; esta força vital  conserva vivo o corpo e  este permanece vivo no plano  físico  enquanto Prana estiver  ativo.  Prana é a «respiração da vida» e pulsa incessantemente durante toda a encarnação no plano físico, tanto no interior do corpo físico como em todas as formas de vida exteriores ao homem.  Prana é a vibração mais baixa da energia da Vida universal e preenche a totalidade do universo objetivo.  Em linguagem mais moderna, Prana corresponde à energia eletromagnética  ou campo elétrico que se manifesta no corpo físico como «vitalidade». É através de Prana que o corpo físico, astral e de desejo se mantêm coesos e unidos durante a vida neste plano físico.

Kama significa  «desejo»  e é por isso designado como «corpo de desejo». Alguns autores atuais referem-se -lhe como «corpo emocional». Este veículo corresponde àquilo a que os antigos chamavam «alma animal» pois encerra todos os desejos e paixões que subjugam os seres e pode estar fortemente ligado à natureza física animal. Porém, do mesmo modo que o homem é considerado setenário, cada um dos princípios ou «veículos» que o compõem  é também  considerado setenário e, por isso,  este corpo emocional tem uma natureza mais espiritual e outra mais sensorial e sensual, com vários estádios intermédios.  O «Kama rupa» como lhe chama a Teosofia, é o centro dos desejos e tanto pode ser «movido» pelo corpo físico como acontece  com os prazeres sensuais, com a sexualidade, etc, ou pela mente e pela alma.  O uso deste veículo está por isso dependente da natureza da personalidade encarnada e das suas escolhas e pode ser bom ou mau de acordo com isso. Todos os tipos de prazer têm a ver com este veículo, não apenas os prazeres sensuais mas também os espirituais, os estéticos, etc.  Este corpo é o veículo dos impulsos psicoelétricos , dos desejos e aspirações considerados no seu aspeto energético e é a força impulsionadora da natureza humana. É o centro do homem animal mas é ele que estabelece a demarcação entre o homem mortal e o princípio imortal do homem.

Depois da morte do corpo físico,  segundo estas tradições, Kama objetifica-se numa espécie de forma desencarnada e não sensorial que permanece no campo gravitacional e na atmosfera da Terra até se dissipar e desintegrar. A desintegração  acontece  apenas quando a força dos desejos e das paixões  se esgota . Nos indivíduos que tiveram uma existência fortemente apegada aos desejos, ou foram conduzidos por paixões intensas, isto pode demorar muito tempo a acontecer. Nessa circunstância, a forma de desejo sobrevive ao corpo físico e mantém-se  durante todo o tempo em que os desejos, as paixões, as emoções  alimentadas pela pessoa mantiverem a sua força energética.

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