Planetas de Controlo Kármico

karm

Hoje falamos de um tema que atravessa a Astrologia Jyotish, embora nem sempre se fale dele de forma direta: a relação que alguns planetas têm com o «karma». Esta palavra significa «ação» mas, no contexto da Filosofia Védica na qual a Astrologia Jyotish surgiu, ela tem relação com o passado das ações humanas que se revela ativo na existência presente. Ou seja, a Astrologia Jyotish baseia-se na tese da reencarnação, segundo a qual a alma reencarna sucessivamente e enfrenta um contexto de existência que é  determinado pelo seu «karma».  Na investigação desta área da Astrologia, dois autores muito conhecidos nos meios metafísicos- Krishnamurti  e M. C. Jain- desempenharam um papel fundamental, sendo os fundadores de uma corrente da Astrologia Jyotish que é considerada como um sistema próprio nesta ampla e complexa área do saber.

Os aspetos que vamos referir em seguida são baseados no livro do autor R. S. Chillar, Horoscope Construction and Organisation, para cuja leitura remetemos o leitor mais curioso  e interessado por estes temas.  A partir do trabalho dos autores referidos no parágrafo anterior, Chillar revela que existem alguns graus dos signos e planetas  que desempenham um papel essencial na determinação dos eventos da nossa vida. Para os que trabalham com a Astrologia Horária- Prasna, estas referências são particularmente importantes pois o trânsito destes planetas ajuda a definir o momento da ocorrência de determinados eventos, com grande rigor. Tais planetas são considerados «planetas chave» do horóscopo, tendo o papel de efetuar um controlo kármico dos eventos, para o bem e para o mal, de acordo com a sua natureza e as configurações em que estão colocados no horóscopo. Krishnamurti chamava-lhes mesmo planetas regentes.

Estes planetas de controlo kármico são:

  • O regente do dia da semana (do dia de nascimento ou da semana referente a uma dada questão que é feita na Astrologia Horária).
  • O regente do signo onde está colocada a Lua.
  • O regente do signo Ascendente no nascimento.
  • O regente do Nakshatra que corresponde ao grau onde está colocado o Ascendente.
  • O regente do Nakshatra que corresponde ao grau onde está colocada a Lua.

Depois, alguns planetas podem também ser considerados «planetas de controlo kármico» : quando os nodos, Rahu e Ketu estão colocados no signo de um planeta de controlo kármico que está também colocado nesse signo em conjunção com eles, estes tornam-se também planetas de controlo kármico; os planetas colocados no Ascendente são todos considerados planetas kármicos; os planetas colocados em conjunção com a Lua são também considerados kármicos.

Há, no entanto, situações em que um planeta kármico não produz  resultados. Assim, na abordagem astrológica deste sistema, a primeira tarefa do astrólogo é encontrar e listar os planetas de controlo kármico no horóscopo. Depois, é avaliar a sua capacidade para produzir resultados, bons ou maus.

Capacidade dos Planetas de Controlo Kármico  para Produzir Resultados

Esterilidade dos planetas de controlo Kármico a colocação de um planeta kármico no antara* de um planeta que está retrógrado no nascimento ; a  colocação do planeta kármico no antara  de um planeta no  qual este  está debilitado- nestes casos o planeta kármico não «frutifica».

Considerações AdicionaisQuando Rahu e Ketu estão em conjunção com os planetas de controlo Kármico ou quando estão colocados nos signos dos planetas Kármicos, têm precedência em relação a estes e atuam como seus agentes; quando um planeta de controlo kármico está retrógrado mas está colocado no antara de um planeta de movimento direto, é capaz de produzir frutos (válido em primeiro lugar  para a Astrologia Horária) e tais frutos serão produzidos quando o planeta estiver em movimento direto; os planetas que estão colocados no Nakshtra que tem a regência de um planeta de controlo kármico dão os  resultados desse planeta mas não atuam como planetas de controlo Kármico.

Basicamente, podemos considerar que este sistema usa os períodos vimsottari dasha e as suas subdivisões e os trânsitos dos planetas de controlo kármico para prever eventos na vida das pessoas. Os graus dos signos onde estão colocados os planetas de controlo kármico são pontos sensíveis do horóscopo, que marcam o tempo dos eventos kármicos (positivos e negativos) da nossa vida: sempre que o Ascendente, o Sol, a Lua e Júpiter transitam por esses pontos, despoletam eventos significativos que podem assim ser previstos com rigor, o que se torna fundamental para a Astrologia Horária. O trânsito do Ascendente é essencial para indicar um evento num curto espaço de tempo; para um evento que ocorre no espaço de uns dias, usa-se o trânsito da Lua para indicar o dia em que acontecerá; para um evento que ocorre em alguns meses, é usado o trânsito do Sol e, para eventos que ocorrerão no espaço de um ano, usa-se o trânsito de Júpiter.

Este sistema, como referimos, combina as informações dadas pelo período dasha com os trânsitos dos planetas de controlo Kármico, para prever o tempo dos eventos significativos da vida da pessoa. Esta é, sem dúvida, uma abordagem a explorar e conhecer melhor, sobretudo quando desejamos compreender melhor a «fortuna» que nos cabe nesta vida e a «sorte» ou falta dela na nossa vida.

 Notas

*Um Antara é uma  divisão de um signo no contexto de um dasha: cada período dasha com regência de um planeta é por sua vez dividido num subperíodo (designado por bukti ou antara), cada um com 9 subciclos. Cada subciclo tem a regência de um planeta.

O leitor poderá encontrar facilmente os regentes do Nakshatra de todos os planetas e do Ascendente em qualquer software especializado em Astrologia Jyotish, nomeadamente no programa gratuito Jaganatha Hora.

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