Reflexão de Fim de Semana- Mitos da cultura Ocidental, o melhor de 2013

Segundo alguns investigadores, o estudo dos mitos revela aspetos importantes da realidade e do desenvolvimento humano. Partilhamos esta opinião e, por isso, ao longo do ano de 2013 evocámos e lançámos algumas pistas de interpretação para alguns dos mitos mais conhecidos e populares da nossa cultura. Neste início do ano lembramos três mitos que têm particular importância, a nosso ver, para a compreensão da aventura do desenvolvimento humano e dos traços que caracterizam as experiências e descobertas fundamentais da jornada  da Humanidade.
#1. O Mito de Prometeu. Escolhemos este mito por simbolizar algumas das conquistas , ao nível do desenvolvimento tecnológico e científico da nossa cultura mas também no que se refere  à mentalidade e à consciência pessoal, pela descoberta de que o homem é capaz de explicar o mundo e de o dominar eficazmente usando a razão e a sua própria experiência . As conquistas humanas permitem-nos uma vida mais confortável, mais saúde e longevidade. Mas, simultaneamente, anotamos a ideia , expressa pelo mito, do «preço» que a ciência pode ter, pois o uso indiscriminado dos seus resultados pode ser um veículo de destruição do próprio modo de vida humano que a ciência ajudou a criar.
#2.O Mito de Narciso. A cultura ocidental baseia-se na descoberta  da dimensão individual  e no respeito e consagração dos direitos inalienáveis da pessoa. Estes assentam, no entanto, na compreensão, por cada indivíduo, da sua dimensão única, criadora e livre para tomar decisões e criar um destino pessoal com significado para o desenvolvimento de um propósito de vida. No entanto, este mito também nos ajuda a compreender que a realidade individual só tem sentido como relação, o indivíduo isolado não existe, ele é sempre um dos lado de uma relação com outrem. E, em vez de isso ser limitativo da sua liberdade pessoal, é a própria condição de possibilidade de esta existir numa vida preenchida com verdadeiro significado e felicidade. Porque, como os poetas e os  escritores há muito determinaram, «não se pode viver sem amor.»
#3. O Mito de Édipo. Desde os antigos gregos que existe a constatação de que as escolhas humanas embatem, muitas vezes , contra «o destino», as imposições e os obstáculos do mundo externo. Mas, na nossa cultura, existe uma tradição de que o indivíduo não abdica da sua liberdade, mesmo que esta acabe por se mostrar «inútil» ao nível dos resultados. Habituámo-nos a considerar que o ser humano só o é se também for livre e esta ideia alimenta-nos e conforta-nos, mesmo quando o mundo externo teima em querer desmentir-nos. Querer ser livre é tão importante como respirar para sermos humanos.