As Experiências de Quase Morte

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Terminamos o nosso ciclo de reflexão sobre a constituição espiritual do ser humano com este artigo sobre uma das mais intrigantes experiências, aquela que é designada entre os especialistas como de «quase morte». Este é um tipo de experiência bem documentada e estudada pelo menos desde os anos 70 do século XX, altura em que o público mundial despertou para este assunto mercê do sucesso de alguns livros como «Vida Após a Vida» de Raymond Moody.

Estas experiências, narradas por um grande número de indivíduos de todas as culturas , referem-se a  fenómenos produzidos normalmente em ambiente hospitalar e  provocados por situações de paragem cardíaca, enfarte do  miocárdio,  coma devido a lesões cerebrais, etc. Não são experiências reportadas por religiões mas são antes objeto de estudo científico em várias áreas, que vão desde a Psicologia e a Psiquiatria à Medicina Hospitalar  e atravessam outras ciências menos convencionais como a Parapsicologia. Embora em muitas revistas e jornais médicos as experiências de «quase morte» sejam descritas como «alucinações», há um grande número de cientistas que recusa  que elas sejam produto da imaginação ou que sejam uma espécie de produto da memória, considerando que a sua origem é fisiológica, embora as perceções em causa aconteçam fora do contexto sensorial uma vez que, na altura em que acontecem, a pessoa está clinicamente morta.

Desde os anos 70 que estas experiências têm sido alvo de interesse, narrativa e objeto de muitos livros  e é conhecida por todos  a descrição de experiências de bem estar, paz , de entrada num túnel de luz,  etc, mas os cientistas descobriram que há dois tipos opostos de «experiências de quase morte»: as que descrevem  ambientes de luz , de paz ou de amor  e outras que, pelo contrário, revelam sentimentos aterrorizantes ,  angústia e  ambientes infernais. À partida não é possível encontrar  uma explicação que indique claramente porque é que algumas pessoas passam pela experiência de bem estar enquanto outras passam pela experiência negativa . Sabe-se apenas que as experiências negativas de quase morte abrangem um número bem menor de pessoas- entre 1 e 20 % – de todas as experiências de quase morte  embora alguns especulem que algumas pessoas não se sentem à vontade para descrever as experiências extremamente desagradáveis.

De todas as narrativas conhecidas das pessoas que passaram por experiências positivas de  «quase morte», destacam-se os seguintes elementos comuns nas fases destas experiências. Nem todas as pessoas passaram por todas estas fases- cerca de 60% experienciaram as primeiras  fases mas apenas 10% chegaram à última fase (Keneth Ring, 1980):

  • A sensação inicial de um ruído desagradável;
  • A consciência de estar morto;
  • Sentimentos de paz e de ausência de dor acompanhado de emoções positivas e de abandono do mundo material;
  • Sensação de estar fora do corpo e distanciado dele, percepcionando muitas vezes os médicos e enfermeiros a tentarem ressuscitá-lo;
  • A experiência do túnel, ou de um movimento para cima, ou através de uma passagem  ou  uma escadaria;
  • Um movimento rápido que leva a pessoa para a luz acompanhado da comunicação com essa luz e de um sentimento de paz e  de amor ;
  • Encontro com seres luminosos, seres vestidos de branco, encontro com entes queridos falecidos, etc;
  • Obtenção de conhecimento em relação à sua vida e ao  propósito da vida universal. Revisão da sua própria vida e aproximação de um ponto em que o próprio indivíduo ou outros decidem que  ele deve  voltar para o corpo físico ( sentimento de relutância em regressar).

As experiências negativas de quase morte incluem fases semelhantes às que acabámos de descrever mas são vividas com sentimentos muito negativos:

Têm início com sentimentos de medo extremo e de pânico, experiências fora do corpo, sensação de uma força maligna, entrada num ambiente inóspito e hostil, estéril, escuro, descrito muitas vezes como triste e cheio de desespero, ou muito frio ou muito quente, um sentimento de profunda solidão , espaço habitado por criaturas malignas que troçam e insultam o sujeito aumentando a sua sensação de pânico de e de  desespero. Alguns referem a experiência de um imenso abismo  ou vazio com diferentes níveis, habitado por seres malévolos ou sem esperança. Descrevem ainda um sentimento de anulação absoluta, uma profunda sensação de vazio em que a total ausência de sentido é a sensação predominante  acompanhada do sentimento de que a sua vida terrena foi uma cruel e inútil ilusão.  Muitos descrevem ainda cenas semelhantes às do Inferno de Dante, com seres em expiação , sofrendo penas infligidas por si próprios  devido aos remorsos, etc.  Em todas estas experiências a pessoa sente-se armadilhada , presa e completamente fora de controle.

Agora, o que explica que as pessoas que passaram por estas experiências enquanto estiveram clinicamente mortas por algum tempo tenham  o tipo de experiência «celestial» enquanto outras tenham a experiência «infernal»?  em primeiro lugar, estudos como o de Greyson, em 2006, consideram que a religiosidade ou a situação – por ex., a tentativa de suicídio- que levou à experiência de quase morte não é  relevante para isso. Por outro lado sabe-se que algumas das experiências são diferentes de acordo com a cultura em que as pessoas viveram- por ex. um cristão pode ver,  «no  outro lado da luz» um santo do panteão cristão enquanto um índio  vê uma entidade que é venerada pela sua cultura mas, basicamente, as experiências têm a mesma configuração geral e a cultura não explica «porque é que uma pessoa  tem um ou o outro tipo de  experiência. Mas muitos escritores têm alertado para o fator moral  que foi tantas vezes descrito nas narrativas dos místicos no passado – esse estado de consciência que a pessoa vive na experiência de quase morte é profundamente subjetivo e controlado pelas emoções do indivíduo:  e no momento em que este sente que a sua vida é revista, num ápice, se tiver má consciência em relação a muitas das ações que realizou na experiência terrena, passa pela «experiência infernal» produzida pelos sentimentos de culpa, de vergonha e de remorso, numa expiação que apenas termina quando o indivíduo está pronto para se perdoar a si próprio  ou, como dizia o filósofo Platão, ao falar das «almas presas no rio infernal do Tártaro quando aqueles que foram alvo das suas más ações lhe perdoarem».

Uma coisa é certa: estas experiências são em elevado número em todo o mundo pois o desenvolvimento de técnicas de ressuscitação da medicina atual permite que muitas das pessoas que «viram a morte» durante alguns minutos, possam «regressar» à sua vida no plano terreno. Mas nunca voltam ao mesmo estado anterior de consciência nem à mesma atitude que tinham anteriormente: regressam modificadas, muitas delas tornam-se fervorosamente religiosas quando foram não crentes a vida toda e  todas  elas se tornam muito mais conscientes acerca dos aspetos  éticos e espirituais das suas ações. Isso basta para provar que «a vida após a morte» é um facto? O (A) leitor (a) decida por si. Nós achamos que sim.

Reflexão de Fim de Semana- Segredos da Espiritualidade, o Dualismo Alma /Corpo

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Muitos têm uma conceção dualista do ser humano , segundo a qual este é composto por duas «partes» ou naturezas: o corpo físico, mortal ; e a alma, espiritual e imortal. Público em geral , religiões e muitos filósofos têm defendido esta caracterização da natureza humana.  Um dos filósofos mais conhecidos nesta matéria,  René Descartes, que viveu no sec. XVII, defendeu esta hipótese com grande convicção, tendo mesmo  considerado, num primeiro momento, na sua obra «Meditações Metafísicas», que tinha provado a imortalidade da alma quando mostrou que podemos provar com total certeza a existência do pensamento mas não com a mesma certeza a existência do nosso corpo.

Porém, a questão é por demais complexa e o próprio Descartes aceitou a objeção que lhe foi feita  quanto a este aspeto pois o facto de o pensamento se  poder «desligar» do corpo físico não prova, só por si, que a mente é imortal.

E chegamos aqui a um outro ponto comum, quando se fala da alma. Descartes e muitos outros referem-se à alma como sendo  sinónimo de «pensamento» ou de uma  «coisa que pensa». Neste aspeto, a alma é encarada como  sendo aquele princípio que, para além de atribuir a vida aos seres, os  torna  conscientes , pensantes e capazes de terem consciência de si próprios.  Esta conceção da  alma é bastante restrita pois  apenas atribui uma alma  aos seres que são capazes de se pensar a si mesmos, para além de poderem pensar acerca de qualquer outra coisa. Nesta aceção, considera-se que os animais que não são auto conscientes, as plantas e os restantes seres não têm  uma alma superior, têm apenas um princípio anímico enquanto «seres viventes». Teremos oportunidade de refletir sobre este ponto em outro artigo.

Esta conceção de alma estabelece assim um dualismo entre os homens e  os  animais  auto conscientes (que são uma minoria)  e os demais  seres, considerando que só os primeiros partilham de uma natureza imortal  que lhes é dada por esse princípio que pensa e  que sente de forma superior ou espiritual  e que todos os outros seres dispõem apenas de uma natureza física que é inevitavelmente mortal e perecível. Esta ideia está na base das crenças segundo as quais os animais não humanos são «inferiores» aos seres humanos porque seriam desprovidos deste princípio nobre e espiritual presente no ser humano.  E estabelece uma hierarquia entre os seres, que ficam divididos entre os que «têm alma» e os que são desprovidos dela.  Isto é bem visível nas conceções do filósofo Descartes que considerava que , da mesma maneira que o nosso corpo é equiparável a uma máquina, os animais são puras máquinas biológicas desprovidas de alma por não terem a capacidade de pensar. A superioridade dos seres humanos nesta matéria estaria em que, por serem dotados de uma alma, independente e autónoma em relação ao corpo físico, os seres humanos podem aspirar à imortalidade pois a alma não se dissolve no momento da morte do corpo, permanecendo para além dele: o homem seria um ser superior por ter uma natureza imortal.

Esta conceção dualista que atribui aos seres humanos duas naturezas, uma mortal e outra imortal, separadas entre si, tem sido objeto de contestação pelos materialistas e  por vários cientistas. Veja-se, por exe., o livro «O Erro de Descartes» do neurocientista português António Damásio, no qual este  investigador nega a existência de uma mente separada do cérebro e, consequentemente, não aceita  a existência de um princípio pensante separado do funcionamento cerebral.

No próximo artigo falaremos desta conceção «materialista» da alma. Por agora, referimos apenas que nem o cientista referido nem qualquer outro ponto de vista nem investigação conseguem negar em absoluto a existência de uma capacidade de consciência que ultrapassa o funcionamento cerebral, como comprovam muitas experiências de «quase morte» referenciadas por muitas pessoas diferentes que descrevem  estados de  consciência  e perceções em momentos em que o seu cérebro esteve totalmente inativo, pois estava «clinicamente morto».

Evidentemente  esta questão é demasiado complexa para ser respondida de uma forma cabal e definitiva porque não possuímos um saber absoluto acerca da existência da alma e os pressupostos da ciência são hipóteses de trabalho e não leis absolutas e incontestáveis.  Para além disso, a experiência de todos os povos ao longo de muitos séculos sobre as «evidências» de que «alguns princípios»  dos seres humanos persistem após a morte do seu corpo físico não podem ser todas descartadas como  meras superstições ou crenças totalmente infundadas.

Reflexão de Fim de Semana- Segredos de Espiritualidade, Prana e o Corpo de Desejo

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Como temos vindo a referir nos dois últimos artigos desta série,  a tradição Hindu, Budista,  Tibetana, Teosófica, etc, têm chamado a  atenção para a constituição setenária do homem. De acordo com esta conceção, o homem é composto por dois conjuntos de «princípios » ou «veículos»: um quaternário, associado à natureza física do homem;  e um triádico, associado à  sua natureza espiritual; este último  , acredita-se, resiste ao processo da morte do corpo físico e, de acordo com aquelas tradições, reincarna novamente, dando origem a um novo «quaternário».

É deste conjunto quaternário que temos vindo a falar nestes artigos, tendo já referido o corpo etéreo/físico e o corpo astral. Hoje falaremos  dos dois outros veículos ou princípios, Prana e Corpo de Desejo.

«Prana» é a palavra que , em sânscrito, significa «força de vida».  A tradição afirma que esta força de vida, que preenche todo o universo- e que é o total da energia manifestada no Universo ( e é descrita nos textos antigos como os Vedas, e na Medicina tradicional  Hindu- Ayurveda-  na medicina Tibetana, etc )  e liga todos os elementos que o compõem, manifestando-se, no ser humano , através de três canais especiais (nadis): Ida, Pingala e Sushumna.  Ida relaciona-se com o lado direito do cérebro e com  o lado esquerdo do corpo, terminando na narina esquerda; Pingala relaciona-se com o lado esquerdo do cérebro  e com o lado direito do corpo, terminando na narina direita. A energia de Prana  mantém a vida no corpo; esta força vital  conserva vivo o corpo e  este permanece vivo no plano  físico  enquanto Prana estiver  ativo.  Prana é a «respiração da vida» e pulsa incessantemente durante toda a encarnação no plano físico, tanto no interior do corpo físico como em todas as formas de vida exteriores ao homem.  Prana é a vibração mais baixa da energia da Vida universal e preenche a totalidade do universo objetivo.  Em linguagem mais moderna, Prana corresponde à energia eletromagnética  ou campo elétrico que se manifesta no corpo físico como «vitalidade». É através de Prana que o corpo físico, astral e de desejo se mantêm coesos e unidos durante a vida neste plano físico.

Kama significa  «desejo»  e é por isso designado como «corpo de desejo». Alguns autores atuais referem-se -lhe como «corpo emocional». Este veículo corresponde àquilo a que os antigos chamavam «alma animal» pois encerra todos os desejos e paixões que subjugam os seres e pode estar fortemente ligado à natureza física animal. Porém, do mesmo modo que o homem é considerado setenário, cada um dos princípios ou «veículos» que o compõem  é também  considerado setenário e, por isso,  este corpo emocional tem uma natureza mais espiritual e outra mais sensorial e sensual, com vários estádios intermédios.  O «Kama rupa» como lhe chama a Teosofia, é o centro dos desejos e tanto pode ser «movido» pelo corpo físico como acontece  com os prazeres sensuais, com a sexualidade, etc, ou pela mente e pela alma.  O uso deste veículo está por isso dependente da natureza da personalidade encarnada e das suas escolhas e pode ser bom ou mau de acordo com isso. Todos os tipos de prazer têm a ver com este veículo, não apenas os prazeres sensuais mas também os espirituais, os estéticos, etc.  Este corpo é o veículo dos impulsos psicoelétricos , dos desejos e aspirações considerados no seu aspeto energético e é a força impulsionadora da natureza humana. É o centro do homem animal mas é ele que estabelece a demarcação entre o homem mortal e o princípio imortal do homem.

Depois da morte do corpo físico,  segundo estas tradições, Kama objetifica-se numa espécie de forma desencarnada e não sensorial que permanece no campo gravitacional e na atmosfera da Terra até se dissipar e desintegrar. A desintegração  acontece  apenas quando a força dos desejos e das paixões  se esgota . Nos indivíduos que tiveram uma existência fortemente apegada aos desejos, ou foram conduzidos por paixões intensas, isto pode demorar muito tempo a acontecer. Nessa circunstância, a forma de desejo sobrevive ao corpo físico e mantém-se  durante todo o tempo em que os desejos, as paixões, as emoções  alimentadas pela pessoa mantiverem a sua força energética.

O Homem e os Corpos Subtis

Durante muitos séculos a nossa conceção do homem foi marcada pela visão deixada pelos filósofos e pelos cientistas do Mundo Ocidental, sempre indecisos entre a matéria ou o espírito, entre aceitar que o ser humano é mais do que um agregado de partículas materiais ou, pelo contrário, é apenas isso;
Durante séculos,  hesitámos entre as posições dos atomistas ou materialistas, que eram defensores de que o homem é um ser puramente efémero, mortal e fruto do acaso da Natureza, cega nos propósitos e orientada por leis puramente mecanicistas e, por outro lado, as opiniões religiosas que defendiam que essa matéria era animada por uma «alma», ou centelha divina imortal.
Uns e outros estiveram, geralmente, em lados opostos, exceto quando acreditavam, como sucedeu com o filósofo do sec. XVII, Descartes, que o homem era composto por duas substâncias distintas, uma material que formava o corpo e a outra espiritual, que residia no intelecto. Mas a tendência geral, hoje, quando se discutem estas ideias, é a de que apenas a religião ou a filosofia podem aceitar a existência de uma «alma» ou princípio espiritual porque este não pode ser demonstrado quanto à sua existência, à luz das regras científicas.
Porém, será  que é assim? Desde há milénios que culturas orientais como a Chinesa, a Hindu e outras com  uma tradição fortemente espiritual aceitam, nos  procedimentos científicos ligados à cura das doenças, o pressuposto de que o homem é mais do que um mero corpo físico. E essas formas de medicina são cada vez mais procuradas no mundo ocidental. Muitos médicos ocidentais fazem formação nessa área ,complementando  assim o seu saber e diversificando os métodos de abordagem e de cura da doença.
Vários saberes  debruçaram-se  de forma profunda sobre a constituição dos campos energéticos que envolvem e influenciam o corpo físico; fundamentaram-se no estudo de documentos muito antigos guardados em templos pouco acessíveis, no Tibete e em outras paragens mais ou menos míticas. Um deles é a Teosofia, um movimento fundado pela carismática Madame Blavatsky no sec. XIX, que fez furor  primeiro com a obra Ísis sem Véu e depois com a publicação da obra em vários volumes e recheada de tesouros de sabedoria, A Doutrina Secreta, da qual confessamos ser leitores fieis desde há muito. De acordo com a Teosofia, que se baseou no saber ancestral da Índia, o homem tem uma constituição setenária: possui, para além do corpo físico, outros 6 corpos, não visíveis a «olho nu» a não ser para aquelas pessoas que têm perceção extra sensorial.
Assim, e porque acreditamos na verdade da visão antropológica revelada pela Teosofia acerca da constituição do ser humano, apresentaremos ao leitor algumas referências sobre cada um desses 7 corpos que, segundo os ensinamentos esotéricos , compõem a nossa realidade: o corpo físico é apenas o mais tangível e percepcionável para os sentidos físicos, porém ele está longe de ser tudo o que cada um de nós é. E, já que falámos de matéria, cumpre esclarecer que todos os «corpos» do homem são de matéria (ou energia) mas apenas o corpo físico é captável através do sentido físico da visão. Cada uma dessas expressões de matéria tem uma frequência vibratória que se vai tornando mais subtil nos corpos superiores.
O corpo etérico ou vital não é exclusivo dos seres humanos, existe em todos os seres vivos, animais e vegetais. Os clarividentes, que têm capacidade para percepcionar as realidades mais subtis, visualizam este «corpo» como um campo energético envolvendo e penetrando o corpo físico, com uma extensão um pouco superior à do corpo físico, do qual emerge como uma espécie de ovo luminoso colorido . Este é um corpo de energia e é nele que se situam os chakras de que temos vindo a falar nas últimas semanas. Ele é a matriz da formação do corpo físico e está intimamente conectado com ele. É o corpo etéreo que mantém a coesão e a forma do corpo físico: no momento da morte ele separa-se do corpo físico e, em pouco tempo, este desagrega-se e decompõe-se. De acordo com os princípios esotéricos, o corpo etéreo é o construtor do corpo físico e os seus centros de consciência, ou chakras, estão conectados com o sistema nervoso do corpo etérico conduzindo energia a partir de dois polos opostos: a energia terrestre, designada por kundalini parte da base da coluna etérica (junto à coluna do corpo físico), uma energia poderosa associada à raiz da sexualidade. Mas o corpo etérico também capta energia de planos mais subtis, através dos vários chakras, de origem oposta à terrestre e que tem vários níveis de frequência: da mais densa para a mais subtil temos: a astral, a mental, a búdica e a átmica.
De fora da Teosofia outros autores bem conhecidos e associados à ciência, como o professor Hernâni Guimarães de Andrade, referem-se ao corpo etérico como um «modelo organizador biológico» em que o corpo etérico e o corpo astral são vistos como campos biomagnéticos que atravessam o corpo físico reproduzindo as formas e os órgãos deste sob a forma de campos energéticos. Pessoas comuns com dons de clarividência chamam ao corpo etérico «aura» que veem como uma espécie de halo luminoso envolvendo todos os seres vivos.
Outro autor bem conhecido dos meios esotéricos, Max Heindel, refere-se ao corpo etérico como «corpo vital» que tem por função sustentar as forças da vida presentes no corpo físico e considera este «corpo» como um duplo do corpo físico embora com a diferença de que tem um polaridade oposta, isto é, se o corpo físico é de sexo feminino, o corpo vital ou etérico é masculino e vice-versa. Max Heindel diz ainda que este corpo, ligeiramente maior do que o corpo físico, estende-se ligeiramente para além dele e reproduz, no seu plano, todas as moléculas do corpo físico. É ele que permite as funções de assimilação, de crescimento e de propagação dos seres, sendo a base da vida orgânica.
É o corpo etérico que permite a ligação do corpo físico com os outros «corpos» mais subtis que compõem a realidade humana. Em sânscrito, o corpo etérico designa-se por «Linga Sharira» ou «veículo molde» como referência ao facto de ser a partir dele que se gera a construção do corpo físico. O corpo etérico pode projetar-se para «fora» do corpo físico até uma determinada distância. Diz-se que quando isso acontece, o corpo etérico pode ser ferido por objetos cortantes e que, ao voltar a unir-se ao corpo físico, esses ferimentos se repercutem no plano físico, aparecendo no corpo físico. No momento da morte o corpo etérico é descartado, sofrendo desintegração e decomposição. Não se confunde com o chamado «corpo astral», embora seja por alguns designado como a parte inferior do duplo astral do corpo físico, uma vez que corresponde à primeira camada do campo energético humano.
Várias formas de Medicina milenares, como a chinesa, assentam no conhecimento deste corpo etérico e das suas funções a base dos seus processos de cura, como sucede na acupunctura.

o Chakra do Terceiro Olho e o Chakra da Coroa

Continuamos a descrição dos chakras, hoje falando dos que têm uma conexão com as dimensões mais elevadas ou espirituais. Muitos pretendem que estes chakras não têm intervenção significativa no homem comum da nossa cultura ocidental materialista mas, se nos lembrarmos de que os chakras têm ação simultânea no plano físico, mental, emocional e espiritual, vemos que esta pretensão não tem razão de ser , embora as dimensões destes chakras possam estar menos ativos no ser humano comum.
O 6º Chakra ou Chakra do «Terceiro Olho»
Este chakra também é conhecido como o chakra da fronte devido à sua localização na zona entre os olhos. A sua cor é azul índigo; é conhecido como o centro da mente, como a nossa capacidade para «ver a ordem essencial que liga todas as coisas». É por isso a nossa mente aberta, capaz de distinguir a verdadeira realidade separada das ilusões, a nossa capacidade para nos focarmos e apreendermos a realidade na sua dimensão espiritual.
Quando a energia deste chakra flui sem obstruções permite o contacto com a nossa sabedoria profunda interna que, habitualmente, se mantém inconsciente ou no plano subconsciente, permitindo desse modo as experiências de insight e de pura intuição. Aprendemos através das suas experiências a confiar nas nossas intuições, a confiar em nós próprios e a desenvolver um sentimento de auto realização que resulta do desenvolvimento das capacidades psíquicas. Este desenvolvimento tem por consequência uma «depuração» ou renovação psíquica pois os pensamentos negativos até então escondidos e reprimidos são libertados e dissolvidos numa nova perceção de si próprio e deixam de ter importância ou de ser considerados como «reais».
Este chakra estabelece a ligação entre os sentidos externos- o ver, o ouvir,o tato, etc.,- e os nossos sentidos internos correspondentes permitindo desse modo o desenvolvimento da perceção extra sensorial . Também nos permite sintonizar, em termos de consciência, com a fonte divina no nosso ser, encontrando um nível superior de motivação que dirige as nossas ações no mundo físico, o que as torna mais significativas e criadoras no sentido espiritual.
A sintonia com as energias deste chakra leva-nos a superar as formas de compreensão relacionadas com o preconceito , com a rigidez dos dogmas, etc., leva-nos a raciocinar de forma intuitiva e impessoal, pela qual atingimos a capacidade de desapego e nos abrimos a uma compreensão mais abrangente ligada à intuição e ao insight; e somos capazes, desse modo, de uma avaliação mais rigorosa do que é a realidade. Permite também o desenvolvimento da inteligência emocional e o sentido de disciplina ou do controlo, usando a vontade.
Este chakra governa, no corpo físico, o cérebro e o sistema nervoso, os olhos, os ouvidos, o nariz, a glândula pineal, a pituitária.
A disfunção no funcionamento do chakra produz, no plano físico, tumores cerebrais, enfarte, cegueira, surdez, dores de cabeça, problemas de coordenação , desordens do sono, hiperatividade, doenças da boca, do maxilar e do pescoço, etc. No plano emocional e mental produz dificuldades de aprendizagem, mudanças de humor, depressão, medo de enfrentar a realidade e a «verdade», confusão, pânico, incapacidade de julgar e de avaliar.
Este chakra pode ser equilibrado cultivando uma atitude de atenção ao que nos diz a intuição, praticando o relaxamento que nos coloca em sintonia com a mente subconsciente. Ingerir bebidas e alimentos de cor índigo , vestir roupa dessa cor , podem ajudar a sintonizar com a energia do chakra; do mesmo modo, podemos usar pedras de cor índigo como fluorite, sugalite, lápis lazúli. O uso de óleos essenciais como patchouli ou olíbano e de essências florais de aveia e mádia é também favorecedor do equilíbrio do chakra.
O 7º Chakra ou Chakra da Coroa
Apesar de, no plano superior, este chakra não se encontrar ainda suficientemente desenvolvido na generalidade dos indivíduos, trata-se de um chakra igualmente importante no controlo e na expressão da energia que representa a força de vida que flui através dos outros 6 chakras e que, por isso, tem expressão importante em várias dimensões da realidade humana física e mental/espiritual.
Este chakra localiza-se na zona que fica mesmo no topo da cabeça, razão pela qual se denomina de chakra da coroa. A sua cor é o violeta ou o branco luminoso. Representa a nossa capacidade para nos sentirmos totalmente ligados , numa pura consciência e despertar, à totalidade do ser universal. Este chakra é representado como um lótus de mil pétalas a abrir-se , simbolizando o despertar completo da consciência humana individual que, nesse «acordar» ,supera a perceção de si como separado ou isolado dos outros seres e se vê como parte integrante da consciência universal. Neste sentido representa o estado de consciência a que os místicos chamam de «iluminação»(samadhi).
Embora a maioria de nós esteja longe deste estado de consciência atribuído aos santos e aos grandes místicos, no homem comum este chakra revela a capacidade de cada um de nós . através do desenvolvimento do chakra do terceiro olho e da intuição, desenvolvermos a nossa ligação com o divino, qualquer que seja a sua expressão para cada um de nós. Essa experiência leva-nos a desenvolver o sentimento de esperança e de confiança numa inteligência superior, num Deus, etc., e numa ordem do universo que obedece a leis ou princípios universais, a compreender que não são arbitrários os eventos que ocorrem nas nossas experiências, abrindo-nos para a consciência do último chakra, o chakra da coroa.
A energia deste chakra é, deste modo, aquela que nos permite comunicar com a nossa natureza espiritual, integrando-nos dessa forma na consciência universal, através da devoção, do conhecimento intuitivo, etc. É também esta energia que nos permite sentir a beleza, tanto no plano interior como exterior e o sentimento de pura felicidade.
Quando a energia deste chakra não flui livremente, gera dores de cabeça, sensibilidade à luz, doença mental e senilidade, perturbações nos hemisférios cerebrais, problemas de coordenação, problemas com os vasos sanguíneos, comichões na pele, epilepsia, doenças do sistema muscular, do esqueleto, sentimento de exaustão sem que existam causa físicas, excesso de sensibilidade aos ambientes.
Quando o chakra está aberto, a pessoa descobre o divino em si e em toda a realidade, o altruísmo, a confiança, o humanitarismo. Descobre ainda o grande propósito da existência universal, superando a dualidade através da devoção, do controlo da vontade, da ética e dos valores espirituais. A inspiração conduz a sua vida envolvida por um sentimento de generosidade e de compreensão para com todos os seres.
Pode –se fortalecer a energia deste chakra através de uma vida pura nos princípios éticos, da prática sincera de serviço desinteressado aos outros, da tomada de consciência dos sonhos e dos insights acerca da realidade que nos vêm do íntimo.
Respirar ar puro e expor-se à energia solar matinal, ingerir bebidas e comidas de cor violeta, usar roupa de cor violeta, são outros meios auxiliares. O uso de pedras como o diamante, a moldavite, o âmbar; o uso de óleos essenciais violeta como lavanda ou jasmim e o uso de essências florais de lótus, de angélica e de tulipa estrela são também bons auxiliares para ajudar a abrir a energia deste chakra.

O Chakra do Coração e o Chakra da Garganta

Os chakras são centros reguladores das energias mentais, fisiológicas e psicológicas que resultam das atividades do ser humano nas várias formas de autoexpressão. Quando funcionam de forma adequada, contribuem para o bem estar geral e para a saúde; o nosso modo de vida determina o uso das funções dos chakras: para que todos funcionem de maneira adequada e sem obstruções é preciso que expressemos na nossa vida concreta os tipos de experiência que eles regulam. Além do mais, um estilo de vida saudável, com uma alimentação equilibrada e a respiração de ar puro, bem como o cultivo de uma atitude geral positiva em relação às nossas experiências, contribuem decisivamente para manter estes centros de energia subtis a funcionar de forma correta e equilibrada, isto é, nem obstruída nem demasiado ativa.
Hoje descrevemos as funções e a importância de mais dois chakras:

Chakra do Coração

Este chakra, conhecido como o 4º, regula a nossa capacidade de amar e de sentir empatia com todos os seres, ou compaixão. Faz-nos sentir ligados com todos os outros seres. Se estiver obstruído, sentimo-nos alienados e mergulhados na solidão. A sua cor é verde.
Este chakra localiza-se junto ao centro do peito. A sua primeira lição para cada um de nós é a capacidade de nos amarmos a nós próprios. Todas as experiências emocionais negativas que experienciámos durante a nossa vida permanecem como feridas gravadas neste chakra e precisam de cura. Ele contém a «criança ferida» que simboliza todas as nossas vulnerabilidades emocionais e estas começam a sarar quando aprendemos a amar-nos a nós próprios. Todos os sintomas físicos relacionados com as emoções negativas armazenadas e comprimidas neste chakra exigem a dupla cura física e emocional, e isso pressupõe o fortalecimento das energias deste chakra.
O propósito desta energia é adquirir o autocontrole que resulta do fortalecimento espiritual e do desenvolvimento de qualidades como o perdão ( a nós e aos outros), a aceitação de si mesmo, o amor incondicional, a compaixão, mas também a confiança em si mesmo e o desapego. Na energia deste chakra estão todas as ligações emocionais que temos com aqueles que amamos, que nos fazem sentir generosos e cheios de esperança ou que, pelo contrário, nos fazem sentir desespero, ódio, inveja, medo, ciúme, e raiva. Assim, este chakra regula a nossa capacidade de amar e a qualidade do nosso amor e também as qualidades opostas . Contém a gravação de todos os nossos amores, não apenas do presente mas também do passado , bem como a nossa abertura (ou não) aos amores futuros.
No corpo, este chakra regula o funcionamento do coração, do sistema circulatório, do sangue, os pulmões, a caixa torácica, o diafragma, o timo, os peitos, o esófago, os ombros, os braços e as mãos. O seu desequilíbrio produz perturbações cardíacas, problemas respiratórios, dor no peito, doenças que afetam os peitos e o coração; doenças do sistema imunitário, pressão arterial elevada, asma, pneumonia, dores nos ombros, dores na região das costas associada, tensão muscular.
Para equilibrar as energias deste chakra cada um de nós deve começar por se amar a si mesmo; abrir-se aos outros de forma compassiva e sentir-se ligado a todos pela empatia e pela compaixão. Os passeios pela Natureza e passar tempo de qualidade com a família e com os amigos são também essenciais.
A terapia da cor associada aos alimentos é também uma ajuda: comer alimentos de cor verde como folhas de vegetais, beber bebidas verdes. O uso de roupas de cor verde é um outro fator que pode associar-se.
Podem também usar-se as essências florais de rosa silvestre da Califórnia, de azevinho e de papoila e os óleos essenciais de eucalipto ou de pinho.
O uso de pedras verdes, como a esmeralda e outras de cor verde ajuda a sintonizar com as energias destechacra.

O Chacra da Garganta

Este chakra relaciona-se com a nossa capacidade de comunicar ,de falar a verdade, relaciona-se com a autoexpressão das ideias e dos sentimentos , bem como das nossas escolhas pessoais em relação a isso . É o centro da nossa vontade e relaciona-se com a honestidade com que nos exprimimos a nós próprios. Localiza-se na área junto à garganta e tem a cor azul céu.
A lição fundamental deste chakra consiste em aprender a assumir a responsabilidade pelas nossas necessidades de autoexpressão, exprimir as nossas crenças sem dissimulação nem medo da opinião nem da censura dos outros. A autenticidade da pessoa é o maior desafio das experiências relacionadas com este chakra. Não basta ter consciência daquilo em que acreditamos e de que precisamos para nos exprimirmos de forma verdadeira, é também necessário desenvolver a confiança e a força de vontade que nos permitem ser honestos e assertivos connosco próprios e com os outros, assumindo essas crenças perante nós e os outros porque são elas que nos definem e, por isso, se os outros rejeitarem essas crenças ou opiniões que exprimem a nossa verdade de ser, também não nos aceitam a nós. E, neste caso, precisamos da força que nos permite manter –nos fieis a nós próprios, como o primeiro pressuposto para podermos manter a integridade do nosso ser.
Este chakra mostra assim que a nossa escolha acerca do modo como vivemos a nossa vida e damos corpo aos nosso sonhos (ou, pelo contrário, os reprimimos) de forma honesta e verdadeira, se repercute na nossa saúde mental, psicológica, emocional e física pois o ato de mentir , não apenas por palavras mas por ações ou omissões, bloqueia as energias deste chakra e prejudica a nossa saúde em todos os planos.
Quando a energia deste chakra funciona sem obstruções, temos a confiança suficiente para nos exprimirmos de forma verdadeira perante os outros, sem medo do que eles poderão dizer e sem temer as suas críticas pois o objetivo fundamental que move as nossas escolhas é sermos verdadeiros connosco próprios. Quando esta energia está bloqueada damos mais importância às opiniões dos outros do que às nossas necessidades de autoexpressão e congestionamos esta energia, ao reprimirmos os nossos reais desejos e modos de ser.
Deste modo, este chakra tem uma relação íntima com a nossa relação com os outros através da expressão da nossa voz : devemos usar a voz para ser verdadeiros acerca das nossas crenças e ser leais a nós próprios pois só assim podemos ser leais aos outros e confiar neles- se tivermos a consciência de que não somos honestos quando nos exprimimos perante os outros, como poderemos confiar que eles o são em relação a nós? Há deste modo uma relação fundamental entre a energia do chakra e a expressão verdadeira do que pensamos e de quem somos.
O funcionamento desequilibrado da energia deste chakra produz inchaço glandular, problemas na tiroide, infeções na boca, problemas hormonais, hiperatividade, afeções no pescoço e nos ombros, mudanças de humor, laringite, gripe e febre, garganta inflamada, úlceras na boca, problemas de voz, das gengivas e do dentes.
No corpo, este chakra governa a garganta, a tiroide, a traqueia, as vértebras do pescoço, a boca, os dentes, as gengivas, o esófago, as glândulas paratiroideias.
A forma mais abrangente de fortalecer a energia deste chakra é ser fiel a si mesmo e honesto e verdadeiro na autoexpressão e no assumir da responsabilidade pelas próprias necessidades individuais. Adicionalmente, cantar, conversar de forma significativa com os outros, escrever um diário, ajuda a equilibrar estas energias.
A terapia da cor também ajuda: ingerir comidas e bebidas azuis, usar roupas azuis e pedras de cor azul: crisocola, lápis lazúli, opala azul.
O uso das essências florais de cosmos, larício, da trepadeira trombeta e o uso dos óleos essenciais de camomila ou de gerânio também podem ser úteis.

os Chakras do Sacro e do Plexo Solar

Continuamos hoje a descrever os chakras. O sistema de chakras originou-se na tradição do Yoga, na Índia, mais especificamente na tradição tântrica, no período compreendido entre os séculos VI e X da era cristã. Nesta tradição, a prática da Yoga, ao procurar a articulação entre a mente, o espírito e o corpo, permite-nos aceder à energia dos chakras.
Hoje explicaremos as funções do 2º e do 3º chakras.
O 2º Chakra ou Chakra do Sacro
Este é o chakra que nos permite estabelecer relacionamentos, ajudando-nos a conectar com os sentimentos e as emoções e a viver novas experiências. É também o chakra da criatividade, simbolizando o nascimento, tanto no plano biológico como psicológico, emocional e espiritual, permitindo o surgimento de novas formas de autoexpressão.
Este chakra tem uma cor laranja ou vermelho-laranja e localiza-se uns centímetros abaixo da zona do umbigo. Entre os aspetos que o chakra governa, está a criatividade, o nosso contacto profundo com as emoções e os padrões de controlo, emoções como alegria, raiva, medo, a experiência da sexualidade e dos relacionamentos de intimidade, a sensualidade, a aceitação da mudança. É também esta energia que nos faz lidar com a culpa, com a procura do poder, do dinheiro , do controlo, do prazer. A capacidade para efetuar mudanças na nossa vida através de escolhas pessoais é governada por este chakra, bem como a capacidade criativa para produzir objetos belos, ou um negócio próspero ou um ambiente familiar harmonioso e emocionalmente satisfatório. É a energia deste chakra que nos permite sentir bem estar e ter o sentimento de plenitude e de abundância.
Quando existem perturbações no funcionamento deste chakra produzem-se desequilíbrios de vários tipos: abusos alimentares, de álcool e de drogas, depressão e sentimentos de vazio , bloqueios das capacidades criativas, dores na região lombar, asma ou alergias, infeções fúngicas nos órgãos genitais, problemas urinários, problemas nos rins, espasmos musculares, obstipação, impotência/frigidez. No plano psicológico, a obstrução da energia do chakra pode causar descontrolo emocional, obsessão por sexo, comportamentos manipulativos, apatia.
A energia deste chakra ajuda-nos a encontrar equilíbrios na nossa vida, seguindo o propósito de nos conectarmos com a expressão profunda das nossas emoções. Esta energia é influenciada pela história pessoal das emoções , desde a infância, por tudo o que reprimimos e recalcámos ou exprimimos abertamente e que contribui para a maior abertura ou bloqueio do chakra.
Podemos fortalecer a energia do chakra estimulando as sensações com : banhos quentes aromáticos, massagens, estímulo dos sentido do cheiro e do gosto, comendo alimentos de cor laranja e bebidas com a mesma cor, vestindo roupa cor de laranja, usando pedras como granada, pedra da lua, turmalina cor de laranja, olho de tigre, ágata cornalina, calcite laranja.
O uso de óleos essenciais de laranja edeMelissa também pode ajudar. Do mesmo modo também se podem usar as essências florais de hibisco, da orquídea «sapatinho de senhora», da planta hindu «paintbrush».

                          O 3ª Chakra ou Chakra do Plexo Solar
Localiza-se na área superior do abdómen, junto ao estômago. A sua cor é amarela. Este é o centro de energia onde se enraíza o ego ou personalidade. É o centro do poder pessoal , donde emanam as paixões, os impulsos, o sentimento subjetivo de força. Este é o centro responsável pela recetividade no plano psíquico, permitindo a projeção astral da consciência e o desenvolvimento de capacidades psíquicas. É neste chakra que desenvolvemos uma imagem positiva de nós próprios, projetando autoconfiança e a autoestima que nos faz acreditar que somos capazes de realizar coisas e desenvolvemos o autorrespeito que nos permite ser joviais, autovalorizados e capazes de enfrentar riscos e desafios.
Mentalmente, este chakra tem o propósito de nos permitir desenvolver a intuição e a compreensão mental da nossa vida emocional, ajudando-nos na tomada de decisões pela compreensão intuitiva dos fatores que estão em jogo. O plexo solar está por isso relacionado com a compreensão do nosso lugar no esquema geral da realidade, permitindo-nos ter consciência da nossa posição em termos de pertença e de consciência do poder pessoal. Devemos usar a energia deste chakra para aceitar o nosso lugar na corrente da vida universal ,aprendendo a amar-nos a nós próprios. Só desse modo poderemos desenvolver a capacidade para estar no controlo da nossa vida, de forma confiante e construtiva.
O ego é uma importante estrutura do nosso ser e compete a este chakra desenvolver o seu equilíbrio, pela articulação entre a capacidade de pensar e o poder da vontade ou da capacidade para exercer o controlo e a autoexpressão consciente.
Quando este chakra está aberto e equilibrado, o indivíduo é confiante, alegre, expressivo, respeita-se a si mesmo, valoriza-se em termos pessoais e gosta de correr riscos e de enfrentar novos desafios. Se está em desequilíbrio, a pessoa tem falta de autoconfiança, o seu discernimento é fraco, sente que a sua vida é controlada ou dominada pelos outros e pode ficar deprimida, em estado de exaustão nervosa, sendo também afetada a nível fisiológico com problemas digestivos, problemas de fígado, alergias alimentares. Pode ainda sofrer de úlceras intestinais, tumores no intestino, hipoglicémia, obstipação, toxicidade geral, diabetes, pancreatite, bulimia/anorexia, doenças do cólon, artrite.
Porque existe uma relação íntima entre a energia do chakra e a autoimagem, autoestima e autoconfiança, o desequilíbrio desta energia produz uma sensibilidade excessiva às críticas dos outros, medo de rejeição, fobias, indecisão, nervosismo, problemas de memória, estado generalizado de falta de confiança nas suas capacidades e no seu autopoder.
Podemos fortalecer a energia deste chakra através do trabalho intelectual, da leitura e do estudo de temas que nos ajudam a organizar e a sistematizar o pensamento e os conteúdos, devemos aproveitar a exposição à luz solar (sobretudo matinal), comer alimentos de cor amarela (milho, grãos de cereais, fibra, trigo integral) e beber bebidas amarelas (chá de camomila, de hortelã pimenta), usar roupas amarelas e pedras amarelas, como o topázio amarelo,o citrino, a calcite amarela, o jaspe amarelo, a turmalina amarela.
Também podemos beneficiar do uso de óleos essenciais amarelos, como o de limão ou de alecrim. Do mesmo modo, as essências florais de camomila, hortelã pimenta e milefólio amarelo fortalecem este chakra.
E, conjuntamente com estas estratégias, devemos adotar uma atitude geral de confiança e desenvolver pensamentos positivos acerca das nossas capacidades para agir de forma eficaz no mundo, fortalecendo a nossa autoconfiança com a aprendizagem que fazemos das nossas experiências. Superar a culpa, a tendência para nos censurarmos quando erramos ou fracassamos aprendendo a amar-nos a nós próprios como seres humanos sujeitos ao erro mas também à capacidade de o superar e de vencer os desafios da vida, é uma batalha que nos permitirá o desenvolvimento equilibrado desta energia fundamental na nossa vida.
Em conjunto, o 2º e o 3º chakras permitem-nos desenvolver aspetos fundamentais da nossa identidade pois ,pelo 2º chakra, tornamo-nos ligado aos outros pelo amor e pela sexualidade e descobrimos a nossa criatividade, que resulta sempre da ligação e da partilha com os outros; e, pelo 3º chakra, tornamo-nos verdadeiros indivíduos, centelhas únicas da consciência universal, sabendo que estamos ligados ao todo mas, simultaneamente, somos únicos e autónomos, na expressão individualizada do nosso ego e da nossa vontade pessoal.

O Mundo da Numerologia , O Desejo do Coração

Continuamos a explicar o significado de alguns dos elementos da análise numerológica, obtidos a partir da data de nascimento e do nome completo que foi atribuído à pessoa pelos pais. Falaremos hoje do número  do anseio da alma, também conhecido como «o desejo do coração».
O número do «desejo do coração» ou do anseio da alma revela quais são os desejos internos, aquilo que a pessoa gosta e não gosta, e que habitualmente  mantém privado. Este número revela aquilo que a pessoa valoriza mais, independentemente de qual é o seu «caminho de vida» -revelado  pelo número obtido a partir da data de nascimento (e que mostra o que ela é a partir do nascimento) , ou do seu número de expressão ou número do destino (que revela quem a pessoa se tornará nesta vida): o número do «desejo do coração» revela a energia que motiva a pessoa para a sua vida quotidiana. Quando a pessoa satisfaz as necessidades do «desejo do coração» atinge um sentimento de paz e de contentamento interior. Este número obtém-se a partir das vogais  que estão presentes no seu nome  completo de nascimento- a,e,i,o,u . A soma destas letras convertidas em números reduzidos a um dígito ou a um dosnúmeros  mestre – é o número do «desejo do coração».
apresentamos  a correspondência entre as vogais e os números:
letra «a» =1
letra «  e» = 5
letra« i» = 9
letra« o» = 6
letra« u» = 3
letra «y*» = 7
letra « w*»= 5
* o Y é considerado como uma vogal quando não há nenhuma  outra vogal numa sílaba, como em Roselyn
O W é tratado como vogal quando é precedido por uma vogal  e produz um único som como sucede em Mathew.
Significado do  número do «Anseio da Alma»  ou Desejo do Coração
1- Quando a pessoa tem sucesso em alguma competição, sente realizado o desejo do coração. Precisa de sentir que é vencedor(a): Ganhar é muito importante , faz a pessoa sentir-se apreciada e aceite, o que contribui para a sua auto- realização.
2- A pessoa sente necessidade de amor e de harmonia. cultiva a diplomacia e resolve as suas disputas através do diálogo e da criação de consensos. Evitar as disputas e os conflitos trocando-os pela mediação dá-lhe um profundo sentido de realização.
 
3Esta pessoa sente-se realizada através dos empreendimentos criativos . As capacidades de uso do discurso e da escrita usados para elevar o status pessoal trazem realização e as interações sociais e a comunicação são formas importantes de proporcionar contentamento pessoal.
4- Esta pessoa deseja essencialmente a segurança profissional e financeira: uma vida com ambiente estável no lar e ausência de dívidas é o que a faz sentir-se  mais feliz e realizada.
5- A liberdade total é o maior anseio para esta pessoa, que se sente feliz quando pode fazer o que quer e ir para onde o seu desejo a levar. Deseja saborear a vida sem ter limites impostos.
6O desejo de ser apreciado (a) e de que os outros precisem da sua ajuda é um desejo profundo para esta pessoa. Deseja ser reconhecida, pelos amigos, familiares e colegas de trabalho, pelos esforços que faz em relação a eles.
7- Para esta pessoa, o desejo é o de conhecer espiritualmente o mundo à sua volta. Tem um amor inato pela Natureza e gosta de sentir a harmonia do mundo que a rodeia. O seu anseio da alma consiste em ser capaz de estar só e de procurar a sabedoria.
8- O maior desejo do coração é atingir uma posição de autoridade e de poder material. A felicidade consiste na liberdade financeira, em ter um negócio próspero ou um emprego seguro. Aumentar o status produz um profundo sentido de realização.
9-  Para esta pessoa a felicidade é fazer alguma coisa pela humanidade,  de fazer a diferença no mundo. Esta pessoa deseja viver a vida ao máximo e ajudar  os outros sempre que possível.
(Continua)
 
 
 
 
                                                         
                                                           

O Que Revelam os Números #1

Na antiga Grécia Pitágoras fez escola com o estudo dos números, cuja ciência ele considerava sagrada, revelando-a apenas àqueles que se mostravam mais dignos e sob o compromisso de manterem esta sabedoria secreta. A essência da realidade, considerava Pitágoras, é numérica, sendo que cada número exprime uma vibração cósmica determinada. Tudo o que existe pode ser expresso sob a forma de número e, por essa razão, as letras do alfabeto também têm correspondência com números e o mesmo sucede com o caráter, com o propósito de vida, com os talentos e os desejos de uma pessoa.
A data de nascimento e o nome que recebemos à nascença não são dados aleatórios mas , efetivamente, definem-nos e caracterizam-nos como a arte da numerologia tem confirmado. Os números obtidos a partir destes dados estabelecem a matriz de vida e isso determina a possibilidade de efetuar previsões para os vários aspetos da existência num certo período. Pode-se usar a numerologia para determinar qual o melhor momento para realizar determinadas atividades, como mudar de residência, viajar, mudar de emprego, fazer um investimento, casar, etc..
Os números considerados para as análises são os que vão de 1 a 9 e, suplementarmente ,os chamados «números mestre» 11 ; 22, que são considerados uma vibração superior dos números, respetivamente, 2 e 4.
A obtenção dos números relacionados com a identidade de uma pessoa é muito fácil:
1. Usando a data de nascimento no formato dd/mm/aaaa encontramos o importante nº designado por «número do caminho de vida». Este número revela o caminho geral da vida da pessoa e a posição que esta ocupa no mundo. É importante para determinar a carreira . Para o obter somam-se sucessivamente os dígitos da data dois a dois até obter a soma final .
Ex. Uma pessoa nasceu no dia 16 /02/1980. 1+6+2+1+9+8 +0 =27 e 2+7= 9
O caminho de vida desta pessoa é representado pelo nº 9.
2. O nome dado à pessoa no nascimento e conforme consta da certidão de nascimento inicial permite encontrar o nº da expressão, que revela a personalidade da pessoa.
Para o obter é preciso fazer corresponder as letras do nome a números, para o que se usa a  tabela que apresentamos abaixo.

 

Para além destes dois números é ainda considerado o número que revela o desejo do coração, relacionado com as necessidades da alma, de que falaremos no próximo artigo.
Para fazer previsões precisamos ainda de determinar o número pessoal do ano, que é o que permite saber quais as tendências gerais para um determinado ano.
Este número obtém-se somando os números do dia e do mês de nascimento com os do ano para o qual queremos obter as previsões:
Ex. Uma pessoa nasceu no dia 4 de janeiro de 1984. Para sabermos qual o número que define os eventos para o ano de 2014 simplesmente substituímos o ano de 1983 pelo ano de 2014:
= 4+1+2+1+4= 12 e 1+2= 3
O número pessoal do ano é o 3.
O Significado dos números do Caminho de Vida
Em Numerologia os números são considerados como tendo a mesma dignidade ou seja, não há números bons e números maus em termos simples mas todos têm características positivas e características negativas.
1- Características Positivas: Indica liderança, capacidade para se afirmar por si mesmo, independência e criatividade; originalidade e ambição, determinação e coragem.
Características Negativas: Arrogância, teimosia, impaciência, egocentrismo.
2- Características Positivas: Indica capacidade de mediação e diplomacia, formação de consensos , amor pela paz, temperamento caloroso e pacífico, sensibilidade.
Características Negativas: Manipulação, demasiada dependência.
3- Características Positivas: Sociabilidade, temperamento amigável, extrovertido, bondoso, positivo, otimista, com gosto pela vida, sentido de humor, jovialidade, sociabilidade, espírito de aventura.
Características Negativas: extravagância, superficialidade, dispersão.
4- Características Positivas: Revela alguém trabalhador árduo, de confiança, prático, solidário, auto disciplinado, que gosta de ajudar, firme, lógico, capaz de resolver os problemas.
Características Negativas: Tensão, atitude preconceituosa e contraditória.
5-  Características Positivas: esta é uma vibração intelectual, revelando inteligência, amor pela liberdade e pela variedade de estímulos, capaz de se adaptar a muitas situações, romantismo, competência, amor pela diversão, curiosidade e flexibilidade.
Características Negativas: dificuldade em assumir compromissos, irresponsabilidade, inconsistência.
6- Características Positivas: Esta é uma vibração muito harmoniosa e agradável; caracteriza alguém com amor pela paz, compassivo, amigo da família, de confiança, apegado ao ambiente doméstico.
Características Negativas: Possessividade, superficialidade, ciúme, resistência à mudança.
7-Características Positivas: Esta é uma vibração espiritual. Indica o pensador profundo, introspetivo, tranquilo, com desapego em relação às coisas materiais, sábio, intuitivo, psíquico, reservado, original.
Características Negativas melancólico, confia demais na sorte, distante, extravagante.
8- Características Positivas: esta é uma vibração forte, material e de sucesso. Indica o gestor, orientado para os negócios, ambicioso, prático, uma autoridade, um conselheiro, com poder de organização e de realização, coragem e sucesso.
Características negativas: Tenso, preconceituoso, materialista, teimoso.
9- Características Positivas: Empatia, tolerância , humanitarismo. O indivíduo gosta de ajudar, é ativo, um professor, adaptável a várias situações, determinado.
Características Negativas: Pouco prático, demasiado emocional, taciturno, pouco metódico nos negócios, mudanças frequentes de humor.
Os Números «Mestre»
Estes números , enquanto vibrações superiores, indicam um potencial elevado de aprendizagem ou de realização, muitas vezes num meio adverso. Na maioria dos indivíduos, porém, estes números operam num plano mais prático , destacando-se pouco em relação ao número que representam. Mas, naqueles que estão num caminho de auto aperfeiçoamento, representam oportunidades de grande crescimento individual.
11 – É a vibração superior do número 2. Representa o dador, com elevado sentido humanitário, idealista, tolerante e firme, capaz de aceitar diferenças mas também de criar e de inovar. No aspeto negativo, pode indicar um manipulador, alguém demasiado sensível e dependente.
22- Vibração superior do número 4. Representa o construtor e o mestre. É um idealista e visionário mas também alguém realista que leva as coisas à conclusão. Revela intensidade, paixão, sabedoria, competências. Negativamente, pode ser demasiado emocional, dramático, extravagante.
Na próxima semana continuaremos a descrever os aspetos essenciais sobre os números que permitirão aos leitores analisar o seu perfil e fazer as suas próprias previsões.

O I ching, o Livro das Mutações

O I Ching ou «Livro das Mutações» é um antigo livro de sabedoria chinês que se estima ser anterior à dinastia Chou, que teve início no século XII a.c. e que, ao longo de muitos séculos, foi utilizado como um «livro oracular».
Este livro, porém, ultrapassa em muito a simples condição de «oráculo» pois é também um livro de profunda sabedoria, verdadeiramente inspirador sobre a dinâmica inerente à realidade cósmica que também se manifesta no homem como unidade que contém potencialmente a mesma dinâmica universal da realidade. Ele foi fonte de inspiração de correntes importantes da filosofia chinesa, como o Confucionismo ou o Taoismo e tem inspirado todos aqueles que se têm dedicado à compreensão dos seus princípios, materializados nos 64 hexagramas que o compõem. Para muitos, é um mestre conselheiro que guia e orienta, ajudando a formular caminhos quando se encontram em hesitação ou a saber quando evitar a ação quando esta é imprudente ou desaconselhável.

A literatura chinesa considera 4 autores deste livro: Fu Hsi, Rei Wen, Duque de Chou e Confúcio.

Na Antiguidade era muito comum o recurso aos oráculos para saber que caminho seguir, e isso ditou a composição dos hexagramas, formados por linhas, umas inteiras e outras partidas, em diferentes combinações ou «mutações», que indicam o desenvolvimento dos eventos a partir da formulação de uma dada questão. Uma linha simples (__) queria dizer «sim»; uma linha partida (__ ; __) queria dizer «não». Inicialmente estas linhas foram combinadas em pares, aos quais se associou uma terceira linha e, desse modo, surgiram 8 trigramas, concebidos como uma imagem de tudo o que acontece no Céu e na Terra. Acreditava-se que estes trigramas mostravam estados da realidade que mudavam continuamente transformando-se uns nos outros. Assim, estes trigramas indicam os movimentos da realidade enquanto esta muda de um estado para outro. Mostram como um evento qualquer tende a evoluir e a mudar, conduzindo a determinado resultado.
Este livro contém também o princípio de sabedoria segundo o qual há algo imutável no seio de todas as mutações: há uma lei universal e imutável que atua em todas as mutações, um principio de unidade que subjaz em toda a mudança. Esta dualidade do cosmos, que é ao mesmo tempo uno e múltiplo, forma uma dinâmica eterna entre opostos que, na China, recebeu o nome de Yin e Yang, o princípio recetivo e o princípio criativo inerentes a toda a criação. Este dualismo também se exprime pela alternância entre a ação (ativa e criadora) e «o não agir» ou a «espera» quando o curso dos acontecimentos assim o aconselha.
Durante muitos séculos, filósofos, magos e muitos anónimos, tornaram famoso este livro como uma «ferramenta de adivinhação». Mas, em que se baseia tal pretensão? Por um lado, sem dúvida, no reconhecimento de que existe uma real sabedoria arcana, profunda e espiritual nos conselhos associados às imagens que compõem as «mutações»; por outro, na real experiência de muitas pessoas que, tendo «consultado» o livro, encontraram real inspiração para se guiarem em momentos de indecisão ou de necessidade de apoio espiritual.
Finalmente, cabe também mencionar que a «consulta oracular» do I Ching tem o condão de nos fazer sintonizar com a nossa realidade mais profunda e espiritual, numa verdadeira comunhão com o «eu subconsciente» e que é este que nos guia, verdadeiramente, se soubermos colocar-nos na postura adequada, quando fazemos uma pergunta para a qual necessitamos de ajuda ou de conselho espiritual. Como se costuma dizer entre os místicos, «Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece». E o mestre está dentro de cada um de nós, quando conseguimos deixar de lado a confusão e o ruído da mente exterior e nos focamos na mossa mente mais interna e essencial. Aí, a sabedoria milenar e cósmica do I Ching conjuga-se com a autenticidade da nossa necessidade e a ajuda aparece, na forma de inspiração.

Como Consultar o I Ching

Em primeiro lugar, formular uma pergunta para a qual precisamos, realmente, de encontrar uma resposta. A questão deve ser formulada de forma simples e clara, de modo a poder ser respondida sob a forma de «sim» ou «não». Se fizermos uma pergunta para a qual não precisamos, verdadeiramente, de saber a resposta, o oráculo dá uma resposta que mostra a nossa impertinência. Deve haver uma postura sincera, autêntica e humilde que corresponda a uma real necessidade de saber.
Na antiguidade existia um ritual de consulta que implicava a preparação da pessoa e a consulta era feita usando 50 varetas de caule de milefólio. Na atualidade utilizam-se habitualmente moedas por ser um método mais prático. Usam-se três moedas que são lançadas juntas, após a pessoa ter formulado a questão de forma clara e tomando consciência do que deseja saber.
Idealmente devem usar-se moedas com uma face lisa e uma face inscrita. A face inscrita é considerada yin e a face lisa é considerada yang. As moedas são lançadas ao ar 6 vezes e , de cada vez, forma-se uma linha que compõe, no final, um determinado hexagrama que contém a resposta para a questão.
Sugerimos-lhe que experimente usar este oráculo para obter inspiração para algo que deseja realmente saber. Existem muitos sítios na Internet, em Inglês e em Português onde pode fazer esta consulta. Em modo de exemplo, deixamos a sugestão de um em Português e outro em inglês que nos parecem de qualidade. Atreva-se e experimente!
Talvez se surpreenda e compreenda a razão pela qual grandes pensadores e homens de ciência, para além de muitas pessoas comuns, têm recorrido à consulta deste livro de Sabedoria para obter respostas e encontraram nele uma verdadeira inspiração.