Relacionamentos- o Papel de Júpiter e Saturno

jup

Júpiter e Saturno não são planetas pessoais pelo que a sua ação simbólica se refere à nossa interação com o tempoJúpiter relaciona-nos com o futuro; Saturno lembra-nos que o nosso presente está enraizado no passado e é fruto dele em muitos aspetos.

Júpiter representa a Sabedoria que vai mais além  que a mera compreensão lógica  para se tornar num guia de valores e princípios- religiosos e/ou filosóficos. 

É  o planeta da criatividade, tanto a que  nos impulsiona a gerar um filho como a que  se manifesta nas obras individuais  e artísticas, mas é também  a criatividade interior que se abre ao espírito positivo e à alegria de viver e que nos torna otimistas e capazes de ver o lado bom, generoso e positivo de todas as coisas e de todos os seres.
Qual Gilgamesh do mito sumério que, esmagado pela dor causada pela morte do selvagem  Enkidu, seu amigo, desceu aos abismos, à procura  da planta  da imortalidade para, desse modo, vencer a morte, Júpiter representa a generosidade inerente das forças da vida, a dádiva de si mesmo, a integração do animal e do espiritual, a aceitação das imperfeições humanas e o desejo da sua superação. Ele simboliza a graça divina que pode afastar todos os obstáculos e livrar-nos do mal.  É por isso considerado o «grande benéfico» o planeta da sorte no horóscopo natal.
Saturno possui uma natureza oposta à de Júpiter. Ele significa o passado que nos limita e condiciona, o espírito materializado na matéria. E, enquanto símbolo da matéria,  representa também a limitação desta que é a morte. O espírito que se expande com Júpiter contrai-se e cristaliza-se com Saturno. O destino dos seres materiais é a doença, a dor e todos os tipos de obstáculos que levarão, inevitavelmente tudo o que foi criado, à sua destruição.
Saturno mostra também que o mundo material está sujeito a um conjunto de leis que constituem uma causalidade- karma- e que toda a ação terá uma reação na mesma exata proporção.
Do mesmo modo que o espírito se materializa neste mundo físico,  também está destinado a superá-lo. Assim, este planeta não indica apenas a solidez da materialização, ele também aponta para a sua superação e, por isso,  representa a disciplina, o sentido do dever, a vida do asceta  e do eremita solitário. A morte traz consigo sempre a tristeza  e a solidão mas a vida renova-se incessantemente em novos ciclos.
Mas como na história de Gilgamesh, Saturno parece ter a vitória final. Ou não?
 A verdade é que a vida é um ciclo do qual a morte, como período de transição, é  também uma parte.
Júpiter e Saturno funcionam num par complementar e cíclico em que a vida e a morte se sucedem no grande ciclo cósmico da manifestação.
Na carta natal, Júpiter mostra quais as áreas da nossa vida em que podemos ser tocados pela sorte e pela proteção. Na  análise da compatibilidade  os aspetos de Júpiter para ambos os planetas pessoais dos parceiros – por exemplo o Júpiter de um estar em aspeto com a lua do outro e vice-versa- revelam um nível de entendimento muito profundo entre as pessoas, uma ligação protegida pela sorte e pela «graça divina». Estes aspetos de Júpiter são indicadores de uma grande harmonia na interação. Pelo menos um aspeto harmónico de Júpiter de um parceiro com um dos planetas pessoais do outro é muito desejável.
Os aspetos de  Saturno entre ambos os mapas – sobretudo as ligações entre Sol/Saturno ou Lua/Saturno – podem ser bastante pesados. É claro que  não se devem fazer juízos prévios  sem observar as cartas como um todo.
Os aspetos de Saturno  também podem revelar um grande nível de lealdade entre os parceiros, fidelidade, etc, suscitando um grande sentido de segurança e confiança entre ambos. Mas há sempre algum sentimento de restrição, de obrigação, que está envolvido. 
Júpiter é o afeto generoso , compassivo e gratuito. 
 Saturno é a fidelidade pelo sentimento do dever ou  do respeito pelos princípios que dá e espera a sua recompensa. Ele está aí para lembrar que o  gratuito é uma exceção, para cada ato, gesto ou sentimento há sempre uma compensação.

Compatibilidade – O Fator Idade e o Propósito de Vida

Tenho vindo a falar  da importância da  compatibilidade de energia entre as cartas natais dos parceiros como base essencial de uma relação duradoura.
Mas outros fatores também são importantes e podem sobrepor-se mesmo àqueles que mencionei no último exemplo. Este era um casal muito jovem, com  as normais expectativas  dessa idade em relação ao futuro e à sua relação – filhos, constituição de uma vida sólida em termos financeiros, carreira, dependência emocional mútua, etc. 
Mas e quando os parceiros são mais velhos ou, simplesmente, o seu modo de ser não «encaixa» no modelo tradicional  de relacionamento? Será que, mesmo assim, os fatores básicos de que falámos ainda se aplicam? 
E  há ainda outro fator que é necessário considerar: a Astrologia Jyotish  ensina que a  nossa existência se desenvolve por quatro propósitos de vida,  expressos  nas diversas casas do horóscopo:
 
 «Dharma»-  a vocação , a missão específica pela qual se orienta o desenvolvimento pessoal do self e da nossa identidade; 

«Artha»- a acumulação de recursos, riqueza, desenvolvimento de competências e conhecimentos que permitem  sustentar o nosso modo de vida;

«Kama»– a dimensão do desejo, que nos impulsiona e motiva em todos os nossos empreendimentos e acções, dando-nos coragem e energia para nos exprimirmos no mundo  e na relação com os outros;

 Moksha»- o desejo de salvação, a procura da espiritualidade que nos recorda que não somos meros seres materiais  mas somos também seres espirituais, ansiando pela harmonia interior de todas as nossas energias e pela sintonia entre o que somos e toda a realidade. 

Cada um de nós exprime de modos diferentes estes quatro propósitos,  eles são todos necessários mas, normalmente, um ou dois são preponderantes na nossa vida.
 
Assim, a harmonização entre os propósitos de vida é outro fator importante a considerar nos relacionamentos.
 
Imaginemos uma pessoa que, pelas energias do seu mapa, é levada a prosseguir essencialmente  objetivos «Artha» de procura e acumulação de riqueza.  E esta pessoa relaciona-se com uma outra cujas energias básicas natais a impelem para o propósito «Dharma», relacionado essencialmente com o crescimento e desenvolvimento da sua identidade pessoal. Cada uma cria dinâmicas de acção que, em alguns aspectos podem coincidir mas, em muitos outros, necessariamente irão chocar. O que cada uma quer da vida são coisas diferentes. Os seus caminhos de vida separam-se em muitos aspetos.  
 Ou o caso de uma pessoa que é levada a prosseguir  principalmente objetivos  «Moksha»: provavelmente não haverá qualquer sintonia entre ela e a pessoa que prossegue principalmente «objetivos «artha», que são opostos aos seus. 
O fator idade é outro aspeto fundamental . É  evidente que os planetas pessoais continuam a desenvolver funções importantes na interacção. 
Mas as necessidades e os objetivos de alguém com 45 ou 50 anos são muito diferentes dos de alguém com 25 ou 30.
 O desenvolvimento psicológico e espiritual  dos parceiros é também diferente  nas várias etapas da vida.  O que provocaria uma rotura na relação entre duas pessoas de 25 anos , apesar de existir afeto verdadeiro entre elas, poderia produzir apenas uma crise  superável  e fornecer possibilidades de crescimento mútuo numa relação entre pessoas mais velhas
Existe um potencial de crescimento  humano associado a  diferentes «notas vibratórias» da energia de Vénus, Marte,  Mercúrio e, muito especificamente também  à energia de Júpiter e Saturno que é mais facilmente desenvolvido em etapas da vida em que os parceiros construíram já uma identidade amadurecida e orientada por interesses e valores mais espirituais

E é por isso que a desarmonia entre as energias básicas  dos parceiros anteriormente descritas podem aqui revelar-se  como  menos importantes ou secundárias.

Pode a Astrologia Prever o Amor Verdadeiro?

 
A ciência , após desvendar muitos dos segredos do funcionamento do nosso cérebro responde imediatamente que sim, que o fenómeno da atração entre dois seres é  de natureza física e fisiológica na medida em que se trata da resposta do nosso cérebro e do nosso corpo às  energias de outra pessoa e vice-versa. Adianta mesmo que tal fenómeno consiste na libertação de certo tipo de substâncias químicas- hormonas e neurotransmissores-  que alteram a nossa fisiologia cerebral e produzem o estado vulgarmente conhecido como «estar apaixonado».
Por sua vez, um grande número de astrólogos dirá que, na medida em que um relacionamento é um campo energético de interação mútua bem conhecido e interpretado através dos símbolos astrológicos, a resposta sem dúvida que é sim. E essas energias são observáveis e quantificáveis, logo, explicáveis à luz desta sabedoria milenar.
Mas de que falamos quando nos referimos ao «amor verdadeiro»? (Ou amizade verdadeira?)
Estaremos a falar do mesmo que os intervenientes anteriormente referidos? Isto é, estamos a considerar sinónimo de «amor» o estar «apaixonado»? Estamos a falar do mesmo nível de relação ou de níveis diferentes?!
Na perspetiva científica o amor é fruto do amadurecimento das emoções  que, na  continuidade de uma relação, se vai cimentando em diversos fatores que são psicológicos, emocionais, físicos e sociais.
Mas  o conceito de «amor altruísta»  ou de «amizade altruísta» de que falam alguns filósofos caberá  nestas abordagens?
A ciência e a abordagem astrológica de que temos estado a falar-  existe na Astrologia Jyothish uma outra abordagem dos relacionamentos que vai mais além-  referem-se ao nível comum da maioria dos relacionamentos humanos que seguem o propósito de encontrar segurança e complementação na constituição de uma família e alcançar sucesso financeiro, profissional e afetivo.
Mas existem algumas exceções, alguns relacionamentos parecem escapar a este padrão básico  estabelecendo os seus níveis de relação para além das necessidades básicas do desejo de segurança e de apoio.  Para essas pessoas, parece ser mais importante dar do que receber, amar do que ser amado,  e os relacionamentos baseados nesse amor ou amizade altruísta não cabem na simples esfera dos chamados «planetas pessoais»- Sol, Lua, Marte, Vénus. Aqui intervêm outros fatores, compreensíveis a partir da intervenção das energias de Júpiter e Saturno, por um lado, e de outros fatores que, na Astrologia Jyotish fazem parte do sistema de «Nakshatras» (a abordar noutra altura) e de conceitos relacionados.
No universo, tudo é energia manifestada em inúmeras frequências de diferenciação. E o «verdadeiro amor»-aquele que não se extingue no fim da paixão porque sempre esteve para além dela- interpenetra as energias físicas mas não se reduz a elas. 
É por isso necessário determinar, em cada relacionamento, qual o  nível de expressão da interação.
Desafie-se!

Compatibilidade nos Relacionamentos #2

Um relacionamento é  uma interação entre os  campos de energia de duas pessoas: algumas  vezes, essas energias fluem e interpenetram-se mutuamente, gerando  bem estar e satisfação. As energias de cada um dos parceiros  revitaliza as energias do outro. 
Outras vezes  existe um bloqueio da energia de cada indivíduo porque o campo energético de um choca com o do outro, repelindo-se e gerando frustração. Neste caso só aparentemente existe relação porque não há um verdadeiro encontro entre as pessoas. Ambos permanecem inacessíveis à apreensão do outro.
Como se explica isto? 
Em termos muito básicos isso explica-se por dois fatores essenciais (existem outros mais finos, estudados pela Jyotish mas não cabem nesta abordagem): 1.os elementos dos signos onde se encontram o ascendente e os planetas de um e outro.  2.  os aspetos que formam entre eles na relação entre as cartas natais.
Se, por exemplo, tenho o meu Ascendente em Sagitário -elemento Fogo– e me relaciono com alguém cujo Ascendente é Touroelemento Terra– existe aqui uma dificuldade básica. Como o Ascendente se refere ao meu modo imediato e espontâneo de ser e de me  exprimir, com a tendência para ser exasperantemente franca, sem qualquer diplomacia, o meu entusiasmo pela aventura e o desconhecido, a minha  extroversão, chocam naturalmente com  a necessidade de estabilidade, reserva, cautela e ponderação  da pessoa de Touro que gosta de se agarrar a uma realidade estável e sem mudanças, gosta de saber com o que conta e detesta aventuras para o desconhecido. 
Mas imaginemos que o meu Sol está em Capricórnio elemento Terra– e que a Lua da pessoa está em Sagitário-elemento fogo. Isto significa que o meu Ascendente é estimulado diretamente pelas emoções e pela mente da outra pessoa e vice-versa, pelo que este outro aspeto compensa a diferença entre os ascendentes, ainda  mais sendo mútuo, pois o meu Sol em Capricórnio harmoniza-se muito bem com o Ascendente da pessoa em Touro, o meu Sol estimula a pessoa, vitalizando-a em termos gerais  e levando-a a identificar-se comigo, o que  possibilita uma grande aproximação entre ambos. As diferenças no modo de expressão continuam a existir mas torna-se possível uma  relação de profunda proximidade. 
Tratando-se de uma relação amorosa, será também fundamental que  Marte e Vénus de ambos estejam ligados por elemento e aspeto aos planetas pessoais de ambos: o meu Vénus em Sagitário-elemento Fogo– é naturalmente romântico, tipicamente movido pelo mito do «cavaleiro andante» mas também é cioso da sua liberdade e independência e detesta ser «dado como garantido». Imaginemos que o meu parceiro tem o seu  Vénus em Caranguejo. A sua maneira de expressar afeto , muito emocional e dependente, agarrado à necessidade de segurança de uma família estável  torna  muito difícil  uma harmonia afetiva entre nós  pois eu vou sentir-me sufocada pela excessiva dependência dessa pessoa a esse nível e provavelmente  vou desejar que ela me dê mais espaço e respeite a minha necessidade de liberdade. Por sua vez, essa pessoa vai sentir que eu não gosto verdadeiramente dela pois  não lhe dou o apoio emocional de que ela necessita.
Uma relação pode por isso ser perfeitamente satisfatória numa ou mais dimensões e não o ser noutras.
É possível as pessoas harmonizarem-se de forma fantástica a nível intelectual  e  serem excelentes amigas,  porque as energias representadas por Mercúrio,o Ascendente, o Sol  e a Lua  estão em perfeita sintonia   mas  permanecerem   perfeitamente desconhecidas uma para a outra a nível afetivo e sexual por  não haver harmonia  entre essa dimensão das suas energias. 
Para uma relação de negócios  ou de trabalho intelectual, ou uma relação de amizade, esse aspeto não é relevante mas a questão muda de figura quando se trata de um casamento que, supostamente, desejamos que seja para a vida.
Do mesmo modo é possível duas pessoas  terem uma sintonia muito grande a nível emocional e sexual, devido ao  intercâmbio positivo das  energias  simbolizadas por Vénus e Marte mas não conseguirem  manter a sua  relação  no tempo sem se desgastarem mutuamente  porque  a energia representada por Mercúrio, que rege o discurso e  a felicidade doméstica,  está em conflito.
O papel da  Astrologia é  esclarecer  e orientar sobre as áreas que poderão ser trabalhadas pelos indivíduos  a fim de melhorar o fluxo das energias mútuas na relação ou, perante uma relação demasiado desgastante,  permitir tomadas de decisão que melhorem o desenvolvimento e  as experiências da vida dos parceiros envolvidos.

Compatibilidade /Incompatibilidade nos Relacionamentos

Todos nós já experimentámos um sentimento de total empatia e proximidade ou, pelo contrário, de irreprimível aversão quando na presença de outra pessoa. Evidentemente que podemos recorrer à ciência para encontrar, no funcionamento do nosso cérebro, muitas explicações interessantes para essas nossas simpatias e antipatias, sobretudo quando ocorrem subitamente ao primeiro olhar e no primeiro encontro…
Mas os relacionamentos têm muitas outras facetas, desenvolvidas no contexto de todas as experiências que duas pessoas partilham quando desenvolvem uma ligação, seja ela baseada no amor, na amizade ou na cooperação num projecto profissional comum.
E é aqui que a Astrologia se torna decisiva, na aplicação da sua longa experiência, na análise e compreensão das energias que se desenvolvem e atuam nos relacionamentos humanos.
Os signos, o ascendente, os «aspetos» entre os signos, os planetas e as casas do horóscopo, nas relações que estabelecem entre si, simbolizam as múltiplas trocas de energia que atuam sempre que trabalhamos com alguém num projecto ou negócio comum, nos tornamos amigos de alguém de quem gostamos porque sentimos ser «semelhante a nós» ou quando, em irreprimível excitação, sentimos que encontrámos o amor da nossa vida.
 
Umas vezes essas energias fluem harmoniosamente, gerando bem estar e felicidade, outras vezes bloqueiam-se em difíceis nós de compressão, gerando mal estar, angústia e infelicidade. 
A Astrologia define, de modo geral, que estes e aqueles signos são compatíveis ou incompatíveis entre si. Que estes e aqueles «aspetos» no relacionamento dos planetas/signos/casas do horóscopo são facilitadores da harmonia ou, pelo contrário, seus bloqueadores.
Mas cada pessoa é expressão de um conjunto muito complexo de diferentes tipos e modos de expressão dessas energias. Desse modo, é simplista dizer, à partida que, se não consigo estabelecer uma relação harmoniosa com uma certa pessoa, é porque os nossos signos não combinam…
Na verdade, é necessário efectuar um estudo completo de todas as energias atuantes no relacionamento para compreender quais delas causam fricção ou dificuldades e quais poderão ser utilizadas para compensar as que funcionam menos bem. Um só fator é insuficiente para explicar o modo da relação e as suas interacções.
À partida, um relacionamento no qual existe uma combinação global harmoniosa das energias dos parceiros, é mais fácil de manter do que um que tenha que lutar continuamente com a tendência para bloquear e desagregar. 
Mas mesmo os relacionamentos desafiadores poderão ter um desenvolvimento positivo se os intervenientes quiserem apostar no crescimento mútuo e na melhoria conjunta das suas formas de expressão no relacionamento. E neste ponto a Astrologia pode esclarecer e dar a ver os pontos fortes e fracos para ajudar a decidir quando e se vale a pena investir num certo relacionamento.
 

Nos próximos dias analisarei as diversas energias presentes nos relacionamentos e o modo como interatuam.

Pode a Astrologia Orientar a Nossa Vida?

Vivemos numa época dominada pela ideia de que a nossa vida é fruto do mero acaso e de circunstâncias fortuitas e que, por isso, a Astrologia  e as suas previsões não passam de superstição. Muitas vezes pensamos mesmo que  «acreditar» na Astrologia é revelarmos a nossa falta de conhecimento ou instrução. Muitos de nós receamos dizer em público que «acreditamos» na Astrologia, embora não resistamos a espreitar as previsões e as características dos signos publicadas nos meios de comunicação social.
Significa isso que nós, seres humanos, temos uma  curiosidade irresistível para conhecer «o que nos espera»  mas que a Astrologia, ao prever circunstâncias do nosso futuro, é uma mera ilusão?
O desejo de prever para ajudar a conhecer, a controlar e a prevenir acontecimentos futuros, está na base de todo o trabalho que se faz em ciência. Com o seu método e as suas teorias, a ciência procura melhorar as nossas vidas, prevendo e controlando os eventos e as circunstâncias que envolvem muitas áreas da nossa vida.
Na base da Astrologia Jyotish está um esforço que dura desde há milénios, para conhecer e dominar técnicas de previsão que são, não meramente especulativas ou «adivinhações» mas instrumentos científicos quantitativos e qualitativos para prever de forma rigorosa eventos e circunstâncias da nossa vida.
Quando nascemos, somos fruto de um conjunto de forças e energias cósmicas em actuação nesse momento. A nossa vida é por isso determinada por essa matriz complexa. É tarefa da Astrologia e, muito especialmente , da Jyotish, esclarecer esse mapa intrincado de interações que constitui as nossas «promessas natais» para nos ajudar a tirar partido dos nossos pontos fortes e nos ajudar a controlar os nossos pontos fracos, ajudando-nos a desenvolver o nosso potencial.
É também tarefa da Jyotish mostrar como se desenrola no tempo (o nosso futuro) esse conjunto de características presentes no nosso mapa natal  e como podemos tirar partido das assinaturas específicas que constituem o nosso «destino». Pois todos nós nascemos com um conjunto específico de «assinaturas» (chamados yogas) e cada uma tem o seu tempo próprio de frutificação, para o bem e para o mal.
 Fica  assim claro o papel muito positivo que a a Astrologia Jyotish pode ter na melhoria das nossas vidas e no nosso desenvolvimento pessoal.

Astrologia Jyotish versus Astrologia Ocidental

Todos nós sabemos qual é o «nosso signo» querendo com isso significar que temos o nosso sol em «Aquário» ou «Caranguejo», etc. Na Astrologia Ocidental: o sol é o ponto de referência fundamental. Este sistema de Astrologia usa o zodíaco tropical- colocando o signo de Carneiro a 0º no equinócio de Março. Mas a Astrologia Hindu usa o Zodíaco sideral, tendo como ponto de referência não a Terra em relação ao Sol mas um conjunto de estrelas fixas, as constelações, sendo aí que coloca os 0 º do primeiro signo.
Estas constelações e a sua relação com o signo da Lua no momento do nascimento, são o primeiro ponto de referência para a Jyotish. O signo do Sol também tem a sua importância mas está em terceiro lugar, após o signo da Lua e o signo do Ascendente. A colocação das estrelas é feita corretamente no Zodíaco Sideral. No Zodíaco Tropical, devido ao fenómeno conhecido como precessão dos equinócios, existe uma diferença entre a posição real das estrelas e a que é considerada pela Astrologia ocidental. Mesmo assim, muitos consideram que ambos os Zodíacos podem ser considerados corretos porque a Astrologia Ocidental tem o seu ponto de enfoque na consciência e no perfil psicológico dos indivíduos (e como, subjectivamente, estes se posicionam num certo local da Terra ao longo do movimento aparente do sol, isto simbolicamente é representado pelo Zodíaco Tropical) enquanto que a Astrologia Hindu tem o seu enfoque na compreensão das causas externas que profundamente influenciam o destino e as vidas dos seres humanos e, por isso, é compreensível que considere a posição correta das estrelas em relação ao Zodíaco.
 Como existe uma diferença de cerca de 23º em relação à posição das estrelas no Zodíaco Tropical – que se «adianta» relativamente à posição das constelações, normalmente, existe uma diferença de signos em relação aos dois sistemas: a menos que se tenha nascido no momento em que um planeta rápido está a iniciar o seu trânsito por um signo, quando por exemplo na Astrologia Ocidental se diz que o Sol está em «Aquário» na verdade está, no Zodíaco Sideral, cerca de 23º antes, no signo de Capricórnio, 
Cada um dos sistemas astrológicos tem, no entanto, o seu lugar: se queremos conhecer melhor o perfil psicológico do nativo e os meandros da sua personalidade, o Sistema Ocidental é adequado. Se queremos efectuar previsões precisas e pormenorizadas acerca de diversos aspectos da vida, o sistema Jyotish vai mais longe e é mais fino na sua análise e pormenores. 
A Astrologia Jyotish dispõe de um conjunto de ferramentas, apuradas com precisão e fazendo uso de técnicas quantitativas objectivas, que permitem realmente um nível muito aprofundado de análise. Uma dessas ferramentas é o sistema Dahsa pelo qual constatamos que não basta analisar os trânsitos para prever eventos, há que ter em conta, por ex., que em cada período da vida sucessivamente um certo planeta desempenha um papel central nas nossas vidas. A Jyotish possui ainda outras técnicas para analisar a força e a influência dos planetas e das áreas da nossa vida simbolizadas pela carta de nascimento como Shadbala, Ashtakvarga, Vimsopack, Bhava Bala, etc, que permitem uma precisão sem igual no sistema astrológico ocidental. 
Na antiga Índia, a Astrologia fazia parte da Ciência Sagrada (Vedas) e dava orientação para a vida espiritual. Nos tempos de hoje, a Astrologia Jyotish procura orientar em todas as dimensões da complexa vida humana, material e espiritual.