Jyotish e o Destino nos Relacionamentos- Pai e Filha

O relacionamento entre pais e filhos  é, por variadíssimas razões, simultaneamente uma experiência de grande felicidade e o maior desafio das nossa vidas.  
E como já constatámos  numa relação de casamento num exemplo anterior, pode haver ligações «kármicas» fortes entre as cartas natais de pais e filhos, denotando  uma dinâmica energética complexa, de forte ligação emocional mas também, por vezes, de acentuado conflito. 
Como referido anteriormente, nesta análise dos fatores do destino vamos privilegiar Saturno e os nodos- Rahu e Ketu. São estes que revelam  a existência de laços kármicos entre os indivíduos e os focos específicos  da existência em que se desenrolará   particularmente esse relacionamento.
Vamos ver um exemplo,  relativo à relação entre pai e filha: 
 Analisando as  cartas apreendemos de imediato uma relação muito clara entre os fatores do «destino» de ambos: O Rahu do pai, simbolizando o foco do seu futuro, está na mesma estrela (Nakshatra) onde se encontra o Ketu da filha, o foco do passado que emerge no presente: Isto sucede porque os nodos de ambos estão «invertidos»– o nodo sul de um (Ketu)  está conjunto com o nodo norte do outro (Rahu)e vice-versa.
 O regente da estrela de  Rahu do pai e Ketu da filha é o Sol. Olhando para a carta natal do pai vemos que o Sol rege a 5ª casa, dos filhos e, na carta da filha, rege a 9ª casa, que simboliza o pai. A relação de um e outro enraíza-se no passado e projeta-se no futuro, com uma forte ligação entre ambos, em muitos níveis de influência.
E Saturno?  O Saturno do pai está conjunto com o sol e Mercúrio da filha ; por sua vez, o Saturno da filha está conjunto com o Mercúrio do pai.
Escusado será dizer que, na vida da filha, o pai foi a  fundamental figura de autoridade e de saber, alguém que influenciou permanentemente a sua identidade (o Sol   dela em aspeto com o Saturno dele) de forma duradoura e o seu modo de pensar e  de ver o mundo (Mercúrio) tendo sido uma referência principal ao longo da sua vida (o sol regente da 9ª casa, que também simboliza  a sabedoria, o «professor»).
 
O Mercúrio de ambos está  duplamente conectado nos seus mapas mostrando uma profunda partilha de modos de pensar e de mútua sensação de compreensão: estas duas pessoas  compreendem-se  uma à outra, numa confortante experiência de proximidade mental  e conseguem comunicar e respeitar  mutuamente as suas ideias. 

Já a relação entre os nodos de ambos foi  uma fonte  contínua de  atrito, com os desejos de um a serem contrariados pela oposição do outro: O ketu dele ( casa na carta dele)  cai na 10ªcasa dela onde os seus desejos (Rahu) de  escolha e  expressão  de uma vida social e profissional foram muitas vezes alvo da crítica perfecionista dele, de controlo e de esmagamento.

O  Rahu do pai, conjunto com a Lua e Júpiter na 12ª casa dele deu-lhe um modo de ser ascético e reservado, valores claros de honra e justiça, desejo pelo saber  e valorização do conhecimento.  Isto tudo  conjunto com o  Ketu da filha, na 4ª casa desta, influenciou definitivamente o  «clima» da  existência  dela e a escolha do seu percurso académico, desenhando definitivamente um mapa de valores fundamentais para a sua vida.
Por sua vez, a colocação do regente da 9ª casa na  2ª casa da carta da filha, conjunto com Mercúrio, descreve o pai como alguém que se concentrou na  aquisição de riqueza ( propósito Artha) e  explicita, na sua associação com Mercúrio, planeta do discurso e do pensamento,  o modo  específico de a constituir,  dando-lhe assim  o exemplo  pelo qual se orientaria  também a  expressão dela  a nível profissional e de carreira.
  Os pais são sempre uma referência incontornável  das nossas  vidas.  E quando se unem a nós pelos laços complexos e, por vezes dramáticos do «destino», tornam-se a referência mais básica  de todas as nossas afirmações e negações na vida.

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