Karma e Jyotish- Rahu e Ketu o Eixo do Destino

A  Astrologia Jyotish integra-se  num plano mais vasto  que lhe subjaz e que é a Filosofia Védica.
O Karma é entendido como uma lei cósmica, sem relação direta com conceitos religiosos mas que resulta da compreensão do ser humano e do Universo como realidades em que diversos níveis de energia vibratória se interpenetram:  assim, na dimensão mais superficial temos o corpo físico; mas num nível mais subtil e invisível temos aquilo a que a filosofia Védica chama  corpo causal
No corpo causal  ficam gravadas todas as impressões, positivas ou negativas, associadas a estados de consciência acompanhados de forte desejo e/ou conteúdo emocional.  
 Cada uma destas impressões contém a qualidade do estado de consciência que a produziu: se essa qualidade tiver sido positiva,(bondade, generosidade,etc) origina um karma positivo; se tiver sido negativa(sentimentos de ganância, rancor, etc) origina um Karma negativo. Assim,  temos  um Karma positivo e um Karma negativo.  Mas, um ou outro, ambos criam uma servidão que  nos prende interminavelmente ao ciclo do Karma. 
Segundo a Filosofia Védica, as impressões kármicas gravadas no corpo causal têm um tempo de vida, após o qual se libertam deste.  Assomam então novamente à consciência   reproduzindo o estado mental que as crioue caminhando dessa forma para a sua concretização no mundo da experiência.  Por sua vez, ao recriar-se na mente o estado anterior gera-se novo karma.
E é aqui que perguntamos: podemos libertar-nos do Karma fazendo boas acções?  E a resposta dos antigos sábios é não,fazendo boas acções apenas criamos karma positivo  que se concretizará no mundo em reacções positivas – se semearmos o bem, colhemos o bem.(a lei kármica é uma lei de proporcionalidade- cada acção produz um efeito exactamente proporcional e de qualidade semelhante). 
Mas é importante  a libertação do Karma? Os antigos sábios consideraram que sim, na medida em que toda a alma está destinada a libertar-se do jugo da matéria e das suas infinitas ilusões. 
 E como consegui-lo?  A solução apontada pelos sábios, e que tem por objectivo o desenvolvimento espiritual dos seres humanos é a prática da Meditação e da Yoga:  estas permitem o desenvolvimento de um estado de consciência a que estes chamaram equanimidade .  Este nada mais é do que  um estado interior de equilíbrio onde nada nosfalta e nada está em excesso; é um estado de profunda paz em que todos os pensamentos, palavras e sentimentos se aquietam  conduzindo a uma profunda harmonia connosco e com toda a realidade. 
Se, no momento de libertação das impressões kármicas, estivermos neste estado de consciência, então essas impressões libertam-se sem reproduziro ciclo fatídico gerador de novo karma. O resultado é o despertar interior espiritual.
Agora, como se revelam na Jyotish estes aspectos? Como se mostra esta dinâmica na nossa carta natal?
Sem prejuízo de outros factores relacionados, em especial o planeta Saturno, falarei hoje dos chamados «planetas sombra» – Rahu e Ketu são assim chamados porque não se trata de «corpos» no sentido físico mas de dois pontos, correspondentes à intersecção da órbita do sol e da lua  no seu movimento à volta da eclíptica.
 Na Mitologia Hindu, Rahu era um demónio que, querendo partilhar o privilégio da imortalidade com os deuses, se fez passar por um deles, roubando e bebendo o néctar divino da imortalidade. Surya  (o Sol) e Chandra ( a Lua) perceberam o estratagema e o resultado foi  que, de imediato, foi cortada a cabeça de Rahu mas era tarde, ele havia já bebido o néctar e por isso não morreu, apenas se separou em dois. Mas o néctar não passou da garganta de Rahu, pelo que só este é imortal: o restante corpo sem cabeça passou a designar-se Ketu e para sempre ambos se mantêm opostos um ao outro.
Mas  tal oposição configura também características diferentes de um e outro: Rahu, cuja mente foi separada do corpo, cria ilusões, ele  representa a entrada  da alma no mundo material e  coloca-nos sob o feitiço de desejos insaciáveis  na procura de múltiplos e contínuos prazeres, dos quais nos tornamos mais e mais dependentes.
Ketu,  um corpo sem mente, representa o conhecimento obtido fora da mente, por intuição, sendo símbolo da intuição espiritual que conduz à iluminação. Ketu retira-nos  dos objectos dados por Rahu, levando-nos, com essa perda, a despertar para a consciência das ilusões associadas com essa posse. Representa por isso o caminho de libertação do mundo material e das suas ilusões. 
Na sua complementaridade , Rahu e Ketu representam o processo de libertação final da alma em relação ao Karma. Rahu dá as coisas, mas sempre com um preço; Ketu tira-as mas permite, em troca,  o despertar da alma  e a evolução interior. 
Como a existência implica a materialização num corpo físico, Rahu simboliza , na carta natal, o destino para esta existência, aquilo que temos para experienciar neste mundo material  no espaço da nossa vida actual. 
Por seu lado, Ketu enraíza-se nas experiências anteriores de vida de cada um de nós, pois é a partir da libertação do karma anteriormente constituído  que podemos prosseguir na jornada do desenvolvimento;  só há libertação em relação ao que já vivemos no passado. 
Deste modo, Rahu e Ketu  representam o ciclo de nascimento e morte.
Com Rahu   emergimos no mundo material;
Com Ketu  libertamo-nos dele na cadeia dos ciclos da morte e renascimento.

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