O Destino na Carta de Nascimento – Dois Exemplos

Existem diversos indicadores do destino expressos na carta natal.  Mas convém lembrar que estes indicadores não têm a rigidez  de um destino determinado em sentido absoluto: os seres humanos são capazes de escolher e de decidir e de,com isso, alterar, pelo menos até certo ponto, esse «destino».
Na medida em que  um ser humano que  nasce neste mundo  é fruto de um conjunto de fatores que, globalmente, condicionam a sua existência, toda a carta natal exprime simbolicamente o «destino» de uma pessoa.
 Porém, há certos tipos de experiência que são indicados principalmente por Saturno e pelos nodos lunares- Rahu e Ketu-   e que nos permitem perceber quais as áreas da vida de uma pessoa que estarão no centro do Karma/destino que ela experienciará nesta existência. 
Os signos /casas ocupados por Saturno, Rahu e Ketu, o estado dos  planetas seus dispositores , as casas que estes regem e o Nakashatra em que se encontram são as chaves fundamentais para se compreender o foco do destino para cada existência.
Vejamos os seguintes exemplos: 
Carta feminina  os nodos – Rahu e Ketu– estão  no eixo 10ª casa/4ªcasa. Este eixo significa a luta entre a tendência para manter os hábitos do passado (Ketu) assentes numa existência protegida, familiar, emocional, recolhida em relação ao mundo exterior e o que se lhe exige que desenvolva (Rahu) e que é sair  para fora de si mesma,  para o mundo social, profissional, em busca de reconhecimento que resulta do serviço prestado à comunidade.
O outro planeta do destino, Saturno, encontra-se na 1ª casa, mostrando uma existência marcada pelo sentido do dever, do assumir de responsabilidades. 
Quando olhamos para os dispositores dos signos onde se encontram os nodos e Saturno, bem como a sua posição  nos Nakshatras correspondentes, constatamos  que existe uma ênfase nas casas  1,4, 10, 2, 9.  Mercúrio  é o dispositor de Rahu e encontra-se  na 2ª casa, das aquisições e acumulação de riqueza. O caminho para a realização do propósito representado por Rahu implica assim o desenvolvimento de novas competências, conhecimentos, etc. 
Ao procurarmos o dispositor  de Mercúrio  verificamos que se trata de Saturno, regente da 2ªe da 3ª casas, o que acentua o significado referido. O dispositor de  Saturno, por sua vez, é Júpiter, relacionado com o conhecimento superior, os valores, Religião, Filosofia, etc,(9ª casa). Colocado em conjunção com Saturno na casa 1  ajuda a compreender que tipo de  aquisições e acumulação será privilegiado.  O facto de Júpiter ser também o dispositor de Ketu indica que esta pessoa continua um percurso  de desenvolvimento que não é inteiramente novo, ela apenas tem que aprender um novo uso para esse conhecimento que é inseparável do seu desenvolvimento pessoal. 
Vejamos agora uma carta masculina. Trata-se de uma carta com muitas indicações kármicas:  Rahu está conjunto com o planeta Vénus e Ketu está conjunto com o planeta Júpiter. Sempre que os nodos estão conjuntos com outro planeta assumem as suas qualidades, magnificando-as , neste caso qualidades positivas  pois trata-se dos dois maiores benéficos.  O eixo em que se encontra Rahu e Ketu é 12ª/6ª. 
  Este eixo indica a necessidade de abandonar alguns hábitos relacionados com  demasiado perfecionismo pessoal, excessivo criticismo em relação aos outros, mostra uma pessoa que desenvolveu anteriormente a capacidade de planear, pensar de forma sistemática e organizada, de tal modo que tem dificuldade em cooperar com outros por ser excessivamente crítica e por estar convencida de  que a sua forma de fazer as coisas é, à partida, sempre melhor do que as dos outros, o que gera conflitos  e inimizades. 
Rahu aponta para uma nova direcção, que passa por transformar o foco da sua vida descentrando-o em relação ao dualismo e perfeccionismo  pessoais e levando-a reorientar-se  em relação aos aspetos significados pela dupla conjunção de Rahu/Vénus e Ketu/Júpiter.  
A conjunção entre Ketu e Júpiter mostra uma pessoa no passado dedicada à aquisição  de  conhecimento ou a uma das áreas de Júpiter, Leis, Religião,Filosofia, etc. que lhe permitiram desenvolver uma mente analítica e discriminativa.   E agora  impulsiona a pessoa para crescer a nível emocional e afectivo- conjunção Rahu e Vénus–  pede que esta pessoa  desenvolva uma nova dimensão do seu ser através do estabelecimento de relações afetivas e/ou através da dedicação a alguma atividade venusiana: artes, entretenimento, etc. 
Ao  vivenciar esta dimensão,  a pessoa também encontra resposta para uma necessidade interior de transcendência  em relação aos objectivos  puramente materiais da vida. 
Um dos modos de atingir os objectivos pedidos por Rahu  na vida desta pessoa são as  experiências amorosas. Estas – que serão avassaladoras e muito compulsivas , obsessivas  e  intensas como é característico da relação com Rahu – serão um meio privilegiado desta pessoa descobrir o seu caminho de desenvolvimento espiritual.
 A colocação na 12ª casa  mostra que muito do  que esta pessoa viverá a este nível será mais emocional do que racional, muitas vezes será mesmo inconsciente e não percepcionado, a pessoa   sentirá dificuldade em racionalizar as suas experiências.
 E, finalmente, como acontece muitas vezes com os nodos, esta pessoa sofrerá  a perda  do objeto do seu desejo  (Ketu em oposição a Vénus) o que   lhe  ensinará que  os laços terrenos  são efémeros, o que, com o tempo, levará à  transformação do  carácter compulsivo nas ligações afetivas. 
 E é aí que o outro pólo representado por Ketu/Júpiter poderá exprimir o seu significado: Júpiter rege a 12ª casa e a sua ligação com Ketu permite o desenvolvimento de uma sabedoria  associada à compreensão espiritual da vida, conduzindo a um desprendimento relativamente ao mundo material. Neste caso, em que a pessoa já trazia consigo uma sabedoria  Jupiteriana anteriormente  construída,  esta nova sabedoria fica marcada pelos significados de Vénus: a afetividade e o amor que nos liga aos outros, a beleza do efémero, das artes, do lado prazenteiro da vida.   
As casas enfatizadas pelos diversos fatores do destino são a 12ª, a 6ª, a 5ª, a 1ª e a 2ª. O eixo Júpiter/Ketu  apresenta  simbolicamente a possibilidade de, pelo menos na fase madura, esta pessoa reorientar a sua vida de forma mais livre e menos compulsiva integrando os diversos níveis da  experiência , intelectuais e sensoriais,  numa perspectiva menos dualista.
A seguir falarei  da presença do destino na relação entre cartas natais…

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