A Estrela de Belém e os Três Reis Magos


Estamos na Quadra Natalícia e, apesar do assunto deste artigo não estar directamente relacionado com a Astrologia Jyotish, conto com a compreensão dos leitores que, provavelmente como eu, já se questionaram: afinal, qual  foi a estrela que orientou os três Reis Magos até ao local onde se encontrava  o menino Jesus recém nascido?
Não é fácil responder a esta questão, porque não é possível, no estado actual dos conhecimentos históricos e arqueológicos, determinar a data exacta do nascimento de Jesus. 
Não é fácil também porque os vários registos disponíveis, incluindo os bíblicos, foram efectuados  «em diferido» isto é, muitas vezes bastantes anos após o evento do nascimento de Jesus  pelo que o mais perto que podemos chegar é a uma data aproximada.  
A ausência de uma data exacta para o nascimento de Jesus impossibilita uma análise séria, em termos astrológicos, dos eventos associados. Deste modo, podemos referir  apenas  algumas curiosidades  e  conjecturas, associadas a factos reais e bem estabelecidos (como a morte do rei  Herodes, por ex. e a visita que os  três magos fizeram a Herodes.)
Muitas investigações têm sido feitas, tanto a nível religioso como científico, para lançar alguma compreensão sobre este fenómenos de três homens «que viajaram do Este»  e que foram junto do rei Herodes perguntar onde se encontrava o rei dos judeus, pois eles tinham visto esse acontecimento anunciado numa estrela que os conduziu até ali.
O astrónomo Keppler, no sec. XVI, afirmou que a data  do nascimento de Jesus terá coincidido com uma série de três conjunções entre Júpiter e Saturno, ocorridas no ano  7 a c   A união entre estes dois planetas seria a «estrela de Belém» da narrativa tradicional.
Desde então, sucederam-se diversas explicações possíveis para a «Estrela de Belém».  Os estudiosos consideram que o nascimento de Jesus terá ocorrido   entre o ano 6  a c  e  2  antes de cristo
 Temos a referência de vários eventos astronómicos registados na franja temporal  considerada e que têm sido apontados como «candidatos»  a corresponderem à  estrela guia:
O astrónomo Karlis Kaufmanis, do sec. XX segue a hipótese de Keppler de que a estrela de Belém correspondeu à  tripla conjunção entre Júpiter e Saturno na constelação de Peixes. Esta opinião é apoiada pelo arqueólogo  assiriólogo Simo  Parpola.
Esta conjunção ocorreu no ano 7 a c  a apoiar esta interpretação está o facto de, no sistema babilónio de Astrologia, Júpiter corresponder ao Deus supremo. A constelação de Peixes estava, por seu lado, associada ao deus da  sabedoria, à criação e à vida e ainda ao povo judeu.  
Este arqueólogo nota ainda que, neste tempo , a zona a este de Israel e Judeia (Babilónia/Pérsia) era na altura um  grande centro do conhecimento astrológico. E foi daqui que saíram os magos para seguir a «estrela». Por outro lado, o símbolo de Peixes foi usado pelos  cristão primitivos para representar Jesus (e terá sido usado pelo próprio)
Um outro investigador, Mark Thompson apresentador de Astronomia na BBC, estudou os registos históricos e efectuou simulações de computador para determinar as posições dos planetas e das estrelas no céu na época estimada para o nascimento de jesus e constatou que entre Setembro de 3 a c  e Maio  do ano  2  a c  houve três conjunções particularmente significativas entre Júpiter e a estrela Regulus , a estrela mais brilhante da constelação de Leão:    
A  primeira ocorreu em 14 de Setembro de 3 a c, a 2ª aconteceu a 17 de Fevereiro do ano 2 a c ; a 3ª ocorreu no dia 8 de Maio do ano 2 a c
Thompson descobriu ainda que Júpiter passou pela estrela  Regulus num movimento para  Leste antes de se mover para  trás(movimento retrógrado) passando depois  novamente pela estrela Regulus num movimento de direcção oeste. 
Como o movimento de Júpiter é muito mais lento do que o da nossa Terra , do nosso ponto de vista pareceria que ultrapassámos aquele planeta e o movimento de Júpiter pareceria mudar de direcção por várias semanas antes de voltar a mudar novamente, retomando a direcção este. 
Os três magos ou «homens sábios» ou, o mesmo é dizer astrólogos babilónios, teriam visto aqui o sinal de um nascimento real e divino. O movimento retrógrado de Júpiter indicava a direcção oeste no céu partindo  da Pérsia e os astrólogos te-lo-ão seguido a partir daí . 
A viagem dos magos até Jerusalém(de onde partiram, após falarem com o rei Herodes, e segundo as indicações deste, para Belém) terá durado 3 meses, que foi o tempo que Júpiter permaneceu com  movimento  para oeste. 
Uma outra explicação, datada de 2003, vinda de investigadores da universidade de Indiana refere uma outra conjunção espectacular um mês antes da linha temporal estabelecida pela investigação de Thompson entre Júpiter e Vénus. A conjunção foi tão próxima que os dois planetas apareceriam ao olho nu como estando perfeitamente sobrepostos no dia 17 de Junho do ano 2 a c.
Para além destas explicações mais estruturadas, têm sido mencionados outros eventos astronómicos para explicar a «estrela de Belém»: 
Por ex., o cometa Halley foi avistado no ano 12 a c..  No ano 5 a c  existe registo do avistamento de um cometa ou de  uma nova por astrónomos chineses e coreanos. 
Este fenómenos foi observado durante 70 dias, nos quais permaneceu sem qualquer movimento; no ano 9 antes de Cristo Urano passou perto de Saturno e, no ano 6 a  c passou junto de Vénus. Mas esta hipótese é pouco plausível embora haja alguns que reclamem o conhecimento dos planetas exteriores pelos antigos, muito antes e estes serem descobertos na era moderna. 
Outras explicações têm vindo a surgir , menos credíveis aos olhos da ciência (como a correspondência entre a estrela de Belém e uma supernova ocorrida junto à Galáxia de Andrómeda (sem a tecnologia actual, seria muito difícil captar este fenómeno numa outra galáxia).
Seja qual for o ano exacto do nascimento de Jesus, os vários fenómenos astronómicos/astrológicos reportados coincidem, em geral, na sua simbologia.
Mas, para os crentes, estas referência são meras curiosidades e não aumentam nem diminuem a sua fé.

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