Animais Como Nós: o Chimpanzé


Os paleontólogos e biólogos evolucionistas descobriram que os chimpanzés foram os últimos macacos modernos a divergir do ramo que conduziu ao Homo Sapiens, há cerca de 4 ou 6 milhões de anos. 
De todos os grandes primatas, o chimpanzé é o mais parecido com o homem e a diferença do seu genoma em relação ao nosso é de apenas 1.23%.  Tal como o ser humano, o chimpanzé tem uma face expressiva, polegares oponentes e desenvolve e usa ferramentas que são específicas de cada grande grupo ou comunidade. 
Os chimpanzés são animais sociais  e existem grandes diferenças de comportamento entre os indivíduos de comunidades diferentes. Isto leva os cientistas a afirmar  que estes animais têm cultura. A primeira pessoa a afirmá-lo foi a célebre investigadora Jane Goodal que, há 50 anos, começou a estudar com seriedade as comunidades destes animais. Quando ela reportou ao mundo que os chimpanzés são animais culturais e  são  utilizadores de ferramentas atraiu o descrédito sobre si própria mas, após décadas de investigação, outros primatologistas que estudaram diversas comunidades destes animais confirmam  as conclusões de Goodal. 
Estes estudos mostram inequivocamente que os chimpanzés fazem e usam ferramentas simples, desenvolvem actividades de cooperação em grupo como patrulhar o território  e caçar pequenos mamíferos que  depois partilham reciprocamente, envolvem-se muitas vezes em actos de agressão por disputa territorial, de comida, etc. São capazes de empatia, altruísmo, aprendem pela experiência e pelo exemplo.
Os chimpanzés têm sido estudados no habitat natural e também em experiências laboratoriais criadas para determinar as suas capacidades  cognitivas. Em Kyoto, no Japão, o primatologista Tetsuro Malsuzawa descreveu uma experiência em que um jovem chimpanzé demonstrou ter uma memória imediata extraordinária, bastante superior à dos humanos: com um computador com écran «touch screen»  o investigador fez aparecer vários quadrados brancos onde, durante  um segundo apareciam, em ordem aleatória, números de um a 9. Depois, ficavam apenas os quadrados brancos vazios. O chimpanzé ,de imediato e sem se enganar, pressionou no écran os quadrados tendo colocado os números pela ordem em que estes tinham aparecido. A experiência foi repetida várias vezes, alterando-se a ordem de aparição dos números. O chimpanzé acertou sempre. A mesma experiência, feita com humanos, mostrou que estes não são capazes de reter todos os números com uma exposição tão curta de tempo.  Assim, a «memória imediata» dos chimpanzés é superior à dos seres humanos.
Um outro investigador do comportamento destes animais, Frans de Waal corroborou que os chimpanzés são animais sociais e adaptam, tal como os seres humanos, o seu comportamento às situações e obedecem às  restrições  impostas pela  pressão do grupo.
No teste do espelho os chimpanzés passam com distinção, tendo claramente consciência de si próprios. 
No habitat natural  os chimpanzés vivem  em grandes comunidades constituídas por indivíduos que se relacionam regularmente uns com os outros. Estas comunidades subdividem-se em  pequenos grupos temporários  de 5 a 8 membros e cuja constituição é fluída, podendo sofrer mudanças. Estes grupos podem ser maiores quando existe maior disponibilidade de comida.
Os machos atingem a adolescência entre os 9 e os 15 anos e estão aptos a procriar a partir dos 16. As fêmeas têm o primeiro parto entre os 13 e os 14 anos e o intervalo  entre partos é de cerca de 3 a 5 anos. 
O acasalamento faz-se ao longo do ano, sem época específica e as fêmeas quando estão sexualmente receptivas são bastante promíscuas acasalando com múltiplos machos (muitas vezes sub- repticiamente, para não atrair a ira do macho dominante). Os cuidados parentais são dados pela mãe. Nos dois primeiros meses de vida os bebés dependem inteiramente da mãe, não conseguindo suportar sozinhos o peso do corpo. No primeiro ano mantêm um contacto contínuo com a mãe. Aos 2 anos começam a viajar e a sentar-se autonomamente da mãe  mas num espaço de proximidade dela que não ultrapassa os 5 metros. Só a partir dos 3 anos se aventuram a ir mais além embora continuem sob vigilância materna. 
Aos 4 ou 6 anos termina o período da infância  e entre os 6 e os 9 anos as fêmeas ficam perto da mãe mas brincam independentemente  e são apoiadas pela mãe quando há algum perigo. Os machos adolescentes ficam perto dos machos adultos  e participam em actividades com eles como patrulhas e caça.
Os primatologistas defendem que as diferenças encontradas nas várias comunidades de chimpanzés são de carácter cultural, não dependendo nem da genética nem de factores do meio. Estes comportamentos são aprendidos por observação social e imitação, levando a que toda a comunidade tenha um comportamento semelhante. Incluem-se nestes comportamentos diferentes usos de ferramentas, comportamentos de cortesia, cuidados do pelo, etc.
Os cientistas têm usado o conhecimento acerca dos chimpanzés para especular  acerca  do  possível comportamento do ancestral do homo sapiens, Australopitecus Afarensis, de que  «Lucy» é o mais famoso exemplo e que viveu há cerca de 3 milhões de anos e que se estima que seja semelhante.
As florestas de África  Central, habitat natural dos chimpanzés, estão a desaparecer, por causa do corte de  madeira e da destruição da floresta para cultivo .  Quando, há 50 anos, Jane Goodal chegou a África para estudar estes animais, encontrou pelo menos um milhão de chimpanzés. Hoje, são cerca de 150 000 e correm sério risco de extinção.

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