Reflexão de Fim de Semana- Animais como nós: o Golfinho Nariz de Garrafa, um Animal Social


É sabido que os animais sociais são mais inteligentes do que os que levam uma vida solitária. Do mesmo modo, os omnívoros são mais adaptáveis do que os que têm uma alimentação específica.  E a razão é simples, quanto mais adaptáveis forem, mais inteligentes e bem sucedidos serão.
O golfinho nariz de garrafa é um  animal que   fascina o ser humano. E não é por acaso: a sua enorme capacidade de aprendizagem tem feito dele um auxiliar extraordinário de múltiplas tarefas em cooperação com os humanos:  os espectáculos em que são uma atracção para o público; o trabalho que desenvolvem na área da saúde  , interagindo com  crianças autistas ou com necessidades especiais, permitindo  o desenvolvimento  destas ou a cura;  os fins militares (procura de minas) e de salvamento de pessoas perdidas no mar ou presas em lugares inacessíveis. 
Tudo isto porque  o golfinho é uma espécie muito inteligente mas também social.  Normalmente os golfinhos vivem em  grupos chamados «pods» que têm uma composição variável mas que podem ir de cerca de 7 a 12 indivíduos, mantendo laços sociais fortes uns com os outros de longa duração. 
Como acontece entre os seres humanos, os golfinhos também mostram  preferências  em  relação a alguns membros do grupo, gostando mais de estar com uns do que com outros; reconhecem-se se se separam durante um período e se voltam a encontrar.
Estes grupos não são rigidamente determinados,  há muitas vezes intercâmbio com outros grupos por razões de protecção, familiares, etc.Temporariamente pode haver agregação de  vários «pods» durante minutos ou horas, podendo formar-se um grande grupo de muitas centenas de indivíduos.  Parece que as  razões fundamentais para estes ajuntamentos têm a ver com protecção e associações familiares. 
Os golfinhos estabelecem relações de longa duração  uns com os outros: os laços mãe-filho são de longa duração- cada filhote fica com a mãe entre 3 a 6 anos ou mais.  Os adultos também mantêm  fortes laços de longa duração em que desenvolvem várias tarefas em comum cooperando entre si.
Existem comportamentos de liderança por parte dos golfinhos de nariz de garrafa, havendo um líder de cada grupo. Este estabelece e  mantém essa liderança através de várias formas de comunicação  e diversos comportamentos como caçar, bater as mandíbulas,  bater com a cauda na água, etc. 
Os golfinhos têm uma comunicação bastante complexa e a sua organização social é das mais avançadas no mundo animal. Possuem a capacidade, existente em algumas espécies, da «eco-localização» pela qual emitem um som e são capazes de interpretar o seu eco, podendo obter muitas informações como a direcção, a distância, a forma, o tamanho e a densidade de um objecto, etc.
Estes golfinhos identificam-se a si próprios por um assobio -assinatura.  A fêmea que acaba de dar à luz emite durante vários dias  o seu assobio –assinatura para que o som fique «impresso» na mente do filhote de modo a que este aprenda a reconhecer a mãe. 
Os golfinhos parecem revelar necessidade de contacto físico nas interacções que estabelecem entre si , dando pequenas pancadas uns nos outros  com as nadadeiras. 
Por vezes também são agressivos, arranhando-se mutuamente na pele com os dentes, o que deixa umas listras leves  que  saram rapidamente. 
Esta espécie gosta de interagir com outras espécies, nomeadamente com o ser humano,  com as baleias, etc. conhecem-se casos de cooperação entre os golfinhos e os seres humanos: numa ilha do pacífico, os caçadores fazem soar um  apito  pelo qual chamam os golfinhos  que, quando o ouvem, formam um círculo sobre um cardume de peixe, conduzindo-o para as redes onde os pescadores , a postos, estão à espera. Após apanhado o peixe, homens e golfinhos dividem o pescado. 
Conhecemos  muitos  casos em que estes animais ajudam outros -da  mesma espécie ou de outras-   que estão em dificuldades:  baleias encalhadas, seres humanos que são  ameaçados por tubarões ou estão  presos e prestes a afogarem-se,etc.
Do mesmo modo, quando um outro golfinho está doente ou  ferido é imediatamente ajudado, tendo-se observado  golfinhos  apoiando com o seu corpo o corpo de outro, levando-o para cima até o  respiradouro dele ficar acima da água para  poder  respirar. Qualquer animal doente do grupo é apoiado, não sendo deixado sozinho pelos outros. 
Os cientistas têm feito  experiências para testar a inteligência destes animais. Uma delas é o teste básico do espelho, pelo qual se tenta saber se o animal reconhece a sua imagem ao espelho. Quando isso acontece, determina-se que o animal  tem consciência de si próprio.
 
Esta experiência mostrou que os golfinhos têm consciência de si próprios. E também procuram novos territórios, novos objectos, etc. Têm-se observado alguns indivíduos a fazerem esse trabalho de «batedor» , após o que regressam ao grupo para informar do que encontraram. 
Quando em conjunto, os golfinhos adoram brincar, carregar objectos, atirar algas marinhas uns aos outros, etc.  A sua imensa curiosidade e sociabilidade torna-os muito simpáticos para o ser humano e vice-versa.  
Apesar de terem sido observados golfinhos com cerca de 40 anos, o seu tempo médio  de vida são 20 anos. 
O contacto entre seres humanos e golfinhos tem sido objecto de fascínio por uma espécie que, em muitos aspectos, parece tão humana como nós.

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