Reflexão de fim de Semana – Animais como Nós Orangotango, Espantosamente Inteligente


Entre os grandes primatas, os orangotangos, cujo habitat  natural é o sudoeste da Ásia- ilhas de  Bornéu e Sumatra-  sobressaem pela sua  grande inteligência e capacidade de aprender. 
Estes animais são uma espécie semi-solitária o que, habitualmente, indica  um menor potencial de inteligência – comprovadamente, os animais  mais sociais são mais adaptáveis e, ao interagirem uns com os outros criam complexas relações sociais ,  desenvolvem um comportamento assente na compreensão e utilização de significados simbólicos-  o orangotango surpreende com a sua espantosa flexibilidade ,capacidade de adaptação e de aprendizagem. 
Foram observadas diferentes  padrões de comportamento entre os orangotangos de cada uma das ilhas e considera-se que os de Sumatra manifestam mais claramente estas características, pensando-se que tais diferenças de comportamento- que, para vários investigadores são consideradas culturais- terão na base a maior disponibilidade de alimento  em uma   das ilhas, o que dá origem a diferenças de comportamento social:  quando o alimento é mais escasso, e dado o elevado número de calorias que estes animais ingerem diariamente- entre 2 mil e 11 mil-   cada animal necessita de reservar um território pessoal mais alargado.
Habitualmente as fêmeas são mais sociais porque permanecem com os filhotes vários anos e  estes, sobretudo as fêmeas, estabelecem os seus territórios perto do território materno. Como cada fêmea só se torna receptiva aos machos após períodos longos de tempo – cerca de 7 anos- cada macho solitariamente procura continuamente novos territórios para encontrar fêmeas receptivas. 
As Características Extraordinárias do Orangotango: Aprendizagem, inteligência, consciência de Si Próprio
Construção  e utilização de ferramentas:  tanto no habitat natural como em cativeiro, os orangotangos são capazes de fabricar e de usar ferramentas.  Os primatologistas que  têm estudado o comportamento dos orangotangos  referem que eles fabricam e usam  ferramentas numa série de situações:
– usam folhas como «papel higiénico»; Protegem-se da chuva e do sol usando vegetação ; utilizam ramos com folhas como «mata-moscas»; modificam paus para apanhar insectos dentro de buracos inacessíveis; usam pilhas de folhas para agarrar frutos espinhosos  quando os abrem para não se picarem.  
O investigador Richard Byrne refere a capacidade destes animais copiarem as acções humanas , mesmo as mais complexas, como fazer uma rede  ligada a duas árvores e até mesmo fazer fogo. Este investigador conta  que uma fêmea agarrou um pau de um fogo que estava a apagar-se e soprou várias vezes para reanimar o fogo. Depois tirou a tampa de uma lata que continha parafina, deitou uma porção desta para um pequeno copo e depois molhou sucessivamente vários paus dentro do copo, amontoando-os e colocando o primeiro pau que ela tinha agarrado do fogo em cima, soprando para ver se este pegava. A primeira tentativa falhou  mas ela continuou sem desistir até conseguir aumentar o fumo. O investigador concluiu que esta fêmea tinha evidenciado claramente que era capaz de  ter uma representação simbólica  mental do objectivo que pretendia atingir antes de este ser  alcançado. 
Um outro orangotango de 5 anos e meio, Abang, aprendeu a cortar um fio com uma pedra lisa para poder abrir uma caixa e, desse modo, obter uma guloseima.  Após observar um ser humano a fabricar a ferramenta   de pedra, durante uma hora e meia, Abang aprendeu ele próprio a cortar uma lasca de pedra afiada para usar ele próprio. 
Assim, os investigadores concluíram que os orangotangos são capazes de aprender  de diferentes modos: por imitação (aprendizagem fundamental também para os seres humanos, sobretudo na infância); por insight isto é, descobrir por si mesmos a solução de um problema,o que envolve a compreensão pelo animal do problema que tem que ser resolvido e planeamento para tentar encontrar a solução. Neste tipo de aprendizagem a memória da experiência passada desempenha uma importante função.
Consciência de si próprios:  os cientistas aplicaram o teste do espelho a estes animais  e concluíram que eles têm consciência de si próprios;   esta experiência,  que também é aplicada às crianças humanas, consiste no seguinte: primeiro  disponibiliza-se um espelho ao animal para que este fique  familiarizado com a imagem que vê reflectida no espelho; em seguida, os investigadores pintam  disfarçadamente uma marca na face do animal  dando-lhe depois o espelho para ver se este se apercebe de alguma coisa de diferente. Ao olhar para a imagem no espelho, este leva a mão à face, tocando na marca pintada, o que mostra claramente que tem consciência de si  e sabe que a imagem no espelho é dele próprio. 
Mentir para obter algum benefício:  esta evidência tem sido recolhida nos animais em cativeiro. Um famoso macho chamado Utan Chantek, criado nos USA é conhecido por esta característica que tem revelado  diversas vezes. Numa ocasião roubou subrepticiamente comida do bolso da investigadora, ao mesmo tempo que  conduzia a mão dela na direcção oposta. 
Noutra ocasião escreveu, usando a linguagem de sinais «sujo» para ir à casa de banho. Mas na verdade o que ele queria era ir brincar com a máquina de lavar e de secar e não o que disse querer.
Os orangotangos são capazes,deste modo, de efectuar um número considerável de operações mentais, conseguem planear uma acção antes de a realizar e, desse modo, conseguem pensar a um nível elementar. Aprendem a linguagem dos sinais com a qual comunicam muito satisfatoriamente e o seu uso da linguagem é comparável, segundo a  investigadora Birute Galdikas, à de uma criança de 3 anos. 
Infelizmente, são uma espécie seriamente ameaçada de extinção, devido à interferência do homem no seu habitat e à venda desenfreada de indivíduos jovens como animais de estimação.

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