Reflexão de fim de Semana- Comportamento Heróico dos Animais

 Os Comportamentos Morais Enraízam-se na Natureza Biológica

O debate acerca da possibilidade de os animais terem comportamentos morais continua. Onde se enraízam tais comportamentos? Durante séculos pensámos que só um ser capaz de analisar as suas intenções podia ser considerado responsável pelas suas escolhas e, desse modo, só ele podia ser considerado um «ser moral». 
É verdade que muitos filósofos, ao longo dos séculos,  consideraram  que  os comportamentos morais dependem da capacidade  de sentirmos empatia/simpatia pelo sofrimento dos outros, e viram aí o fundamento da vida moral. 
Hoje o debate continua mas, perante as evidências cada vez maiores que o  conhecimento do comportamento de muitas espécies animais  nos trouxe, torna-se muito difícil restringir os comportamentos morais apenas ao ser humano. 
Filósofos  e investigadores do comportamento animal defendem cada vez mais que os animais têm comportamentos morais porque são capazes de decidir agir com bondade e compaixão ou, pelo contrário, com  malícia e crueldade.
 
Charles Darwin, em The Descent of Man exprimiu a convicção de que os animais possuem rudimentos de conduta moral. Investigadores da actualidade, como o primatologista Frans de Waal –  veja-se  Primates and Philosophers (2006) e o biólogo Marc Bekoff -veja-se Wild Justice (2009) consideram que os animais possuem um comportamento proto-moral, porque os animais podem sentir-se motivados para fazer o bem (e o mal). Segundo Darwin, a moralidade é uma parte básica da nossa natureza , a empatia e a simpatia , longe de serem elaboradas crenças com base em valores exclusivamente espirituais ou culturais, fazem parte da nossa natureza biológica. 
Deste modo, a moralidade começa por estar enraizada na dimensão biológica, antes de ser estruturada pelo complexo mundo dos valores e dos padrões culturais, religiosos, etc.

Podem os Animais ter Comportamentos Heróicos?

 

Nos últimos tempos, os investigadores têm-se debruçado sobre a possibilidade de, perante as evidências que se multiplicam, os exemplos contados e conhecidos por muitos, os animais terem comportamentos que se possam considerar como heróicos. 
Um desses investigadores é a Drª Elise Nowbahari da universidade de Paris.  Ela desenvolveu um método que tem aplicado a várias espécies, no sentido de  poder determinar de forma rigorosa se, efectivamente, os animais podem ter comportamentos verdadeiramente morais (heróicos). 
Tal método é composto por quatro passos que são necessários para essa determinação: 1.  Há um ser que necessita de ajuda de emergência, de tal modo que, se não conseguir desenvencilhar-se da situação, sofre danos físicos graves/morte;
2. O salvador coloca-se a si mesmo em perigo para o ajudar;
3. O comportamento do salvador é adequado às circunstâncias em que se  encontra a vítima a precisar de ajuda;
4. O salvamento não tem por finalidade a obtenção de qualquer vantagem pessoal. 
Esta investigadora divulgou os resultados do seu trabalho na obra Communicative and Integrative Biology tendo concluído que o comportamento heróico no mundo animal é muito mais comum do  que se poderia pensar e há muitas espécies animais capazes de colocar as suas vidas em risco para ajudarem outros seres. 
Entre os muitos exemplos esta investigadora refere o comportamento dos macacos que protegem fêmeas e jovens do ataque de predadores;  alguns morcegos em que as fêmeas ajudam outras a dar à luz, facilitando-lhes assim o parto; os golfinhos, etc. 

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