Reflexão de fim de Semana- Animais como Nós- O Elefante

O elefante é o  maior mamífero terrestre da atualidade. É um animal gregário, com uma complexa estrutura social: os grupos permanentes são constituídos  por fêmeas lideradas pela mais velha  (matriarca), pelas filhas  desta  e as suas crias.  Existem duas espécies, a africana, maior , e a asiática. Distinguem-se  ainda pelo diferente formato e tamanho das orelhas e  pela diferente configuração da ponta da tromba,  que no elefante africano tem uma espécie de «dois dedos» e no asiático tem apenas um. 
Estes animais necessitam de grandes quantidades de comida-  erva e outra vegetação- e de água,  diariamente. O tamanho dos grupos depende em grande parte da quantidade  disponível destes recursos. Apenas digerem 40% do que comem. Passam cerca de 16 horas a comer, a  banhar-se na água, na lama ou a deitar pó sobre as costas para depois se esfregarem contra uma superfície dura para extrair os parasitas; dormem 3 a 4 h por dia. 
A tromba é um órgão extraordinário: serve de nariz, de mão, de extensão do «pé», de sinalizador, ferramenta para arranjar comida, sifão de água, etc. com a tromba o elefante pode fazer coisas tão delicadas como acariciar os companheiros ou apanhar pequenas bagas ou extrair uma árvore de grande porte pela raiz , lutar, etc.
As orelhas desempenham uma importante função, para além das óbvias, que é a de servir de «abanador» quando faz muito calor, permitindo arrefecer a temperatura do corpo. 
Os machos adultos são solitários, visitando temporariamente vários grupos de fêmeas à procura de fêmeas receptivas para acasalar. As fêmeas amadurecem por volta dos 11 anos , os machos ficam adultos entre os 12 e os 15 anos mas normalmente só acasalam em meados ou final dos 20 anos de idade, após terem subido na hierarquia social.  Vivem entre 60 e 70 anos de idade. 
Os elefantes possuem um cérebro complexo,  grande e com muitas circunvoluções no córtex, tal como o humano, dos grandes símios e dos golfinhos.  O córtex é ainda  densamente povoado por redes neuronais, indicando uma actividade complexa do cérebro. 
Tal como acontece com o ser humano,  o seu programa genético é bastante aberto  e o elefante não nasce  provido com um conjunto de instintos que lhe permitam a sobrevivência: precisa de aprender, durante a infância e a adolescência, a alimentar-se, a usar ferramentas, a aprender o seu lugar na estrutura social do grupo. 
Os  elefantes são seres muito sociais, tocando-se e acariciando-se mutuamente com as trombas quando estão juntos. Os elefantes mostram preocupação pelos membros da família e cuidam dos fracos e feridos. 
Exprimem um grande número de emoções, como alegria, desgosto, são capazes de compaixão, possuem um forte sentido do «jogo», manifestam sentido de humor, fazem brincadeiras. Foram observados a fazer jogos como atirar com um pau para um determinado objecto, atirarem um objecto de modo a ser apanhado por outro que por sua vez o atira para outro, etc. ; também já foram vistos a brincar nas  fontes de água, atirando jorros de água com as trombas. 
Os elefantes têm uma memória extraordinária, são capazes de se adaptar e alterar o comportamento de acordo com as circunstâncias em que se encontram, aprendem com a experiência, usam ferramentas para ajudar a implementar alguma tarefa que  não seria possível sem esse uso. Foram observados a escavar buracos para poderem beber água  e depois arrancam cascas de árvore que moldam numa forma de bola, colocam as cascas em cima do buraco aberto e depois cobrem as cascas com areia para a água não evaporar. Também usam paus para coçar as costas nos locais onde a tromba não chega. E também foram vistos a atirar com pedras para vedações electrificadas para as danificar!
No teste do espelho, feito para averiguar se os animais têm consciência de si mesmos (e também aplicado às crianças humanas) o elefante mostra ter consciência de si ao reconhecer-se na imagem do espelho.
Os elefantes também são capazes de se auto- medicar, mostrando conhecimento do uso terapêutico de certas plantas. Por  exemplo, as fêmeas, quando estão próximo de dar à luz, comem as folhas de uma árvore da família das Boraginaceae para induzir o trabalho de parto. 
Os elefantes mostram desgosto perante a morte de um membro do grupo: quando algum deles morre, os restantes reúnem-se em volta do morto, fazendo  ruídos ribombantes e acariciando o morto com a tromba. Os que já morreram há algum tempo, continuam a receber  gestos de afecto por parte dos que passam pelos ossos: estes  param junto das ossadas e acariciam os ossos antes de continuar caminho. 
Embora seja um animal extremamente adaptável, podendo viver em qualquer habitat que tenha quantidades grandes  de erva  e de água, o elefante está quase extinto, devido à caça desenfreada (pela procura do marfim ou simplesmente pelo desejo de predação do homem) e devido à desertificação que tem diminuído drasticamente o seu território.  A sobrevivência dos elefantes hoje é praticamente impossível fora das áreas protegidas. 
 Há ainda muito por descobrir acerca das reais capacidades dos elefantes. Esperemos que a humanidade  aprenda a partilhar com estes animais os recursos do planeta,  e abandone a caça, para que eles não se extingam, empobrecendo a biodiversidade da vida na Terra.                                                                                  

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