Reflexão de Fim de Semana Animais como Nós – O Leão Marinho

 

Todos nós já os observámos, directa ou indiretamente,  em algum espetáculo; desde o circo ao Zoo ou  ao oceanário: os leões marinhos , pela sua grande capacidade de aprendizagem, receptividade ao treino e pelo temperamento brincalhão estão presentes frequentemente nesse tipo de entretenimento, com exasperação de muitos que consideram  que isso é uma  infracção ao seu direito de ter uma vida mais natural no seu habitat, sem interferência dos humanos e  para alegria de muitos outros que gostam de os ver e de interagir com eles.

Os Leões Marinhos são uma espécie que habita nas zonas costeiras rochosas , podendo ser encontrados tanto no hemisfério Norte como no hemisfério Sul, à excepção do oceano Atlântico. Existem sete espécies diferentes de leões marinhos.
Vivem junto à costa onde se instalam, desde que haja comida em quantidade. Alimentam-se de polvos ,lulas e peixe. Precisam de uma quantidade considerável de alimento por dia, cerca de 14% do seu peso.  As  fortes barbatanas permitem-lhes mover-se rapidamente tanto na água como em terra e dormem indiferentemente na água ou nas rochas (muitas vezes amontoam-se  uns sobre os outros).
Sobretudo quando são jovens são muito brincalhões, passando horas a brincar, atirando  pedaços de rocha ou pedras uns aos outros, vocalizando, etc. São muito sociáveis e é muito raro vê-los atacar o homem, pensando-se que nos poucos casos em que isso aconteceu se tratou de um macho a tentar estabelecer o seu domínio territorial. 
Na época de acasalamento aglomeram-se junto às rochas vivendo em colónias  que podem ter milhares de indivíduos  em praias isoladas onde são activos tanto de noite como de dia. As mães alimentam as crias durante  6 meses. A época de reprodução dura de Maio a Agosto. A sua esperança média de vida é de 25-30 anos.
Logo após o nascimento das crias os machos dominantes lutam pelo território. Cada macho tem um harém de fêmeas que são acompanhadas pelas crias. Durante o acasalamento o macho não tem tempo para se alimentar  vivendo das suas reservas de gordura.
Os leões marinhos apesar do seu corpo pesado são muito rápidos, podendo nadar a uma velocidade de 25 milhas por hora. Têm também uma excelente visão debaixo de água,  que utilizam para caçar. Estas características fazem com que sejam objecto de um programa da marinha dos USA que os utiliza para diversos fins militares:  encontrar minas e descobrir mergulhadores inimigos. 
Oficiais da Marinha  contam que, no caso de um mergulhador inimigo se aproximar de um navio americano (no Golfo Pérsico) os leões marinhos podem nadar atrás dele e, em segundos, antes do mergulhador perceber o que se está a passar, o leão marinho prende-lhe um grampo  com uma corda à perna. A marinha dos Estados Unidos tem um programa para mamíferos marinhos  com treino destes animais para os fins referidos pois são fáceis de treinar e aprendem com facilidade. 
O biólogo marinho Ronald Schusterman  e colaboradores têm estudado as capacidades cognitivas  dos leões marinhos e descobriram que estes animais  são capazes de reconhecer relações entre estímulos baseados em funções ou conexões, demonstram capacidade para entender sintaxe simples quando lhes é ensinada  uma linguagem de sinais embora não usem os símbolos como referência  semântica que remete para objectos ou realidades externas a essa linguagem compreendendo no entanto  as relações lógicas estabelecidas no contexto dessa linguagem.  São também capazes de reter informação na memória mesmo quando não utilizam essa informação durante vários meses.
Como caso único  até agora encontrado no mundo animal, descobriu-se que o leão marinho compreende a operação lógica da transitividade ( se A=B; se B= C; então A= C) que as crianças humanas só começam a perceber completamente  entre os 6 e 11 anos de idade.  
Rio,  uma famosa  extraordinariamente inteligente fêmea de Leão marinho com 7 anos de idade mostrou a este respeito um nível de inteligência comparável ou superior ao de muitos seres humanos. Os investigadores mostraram-lhe séries de imagens  formando  pares. Por ex., um elefante  formava um par com uma formiga.  Depois de lhe terem ensinados vários destes pares,  ensinaram-lhe  que a imagem de uma formiga também formava um par  com Saturno. Na sua primeira tentativa para formar um novo par, ela mostrou a sua inteligência relacionando de imediato Saturno  com um elefante mostrando deste modo compreender a operação lógica da transitividade. Em 12 testes diferentes só falhou um!
A inteligência de Rio  e do leão marinho em geral põe em questão o famoso «Teste do Espelho»  como única forma válida para  revelar quando um animal tem consciência de si próprio.  Até agora os leões marinhos submetidos ao teste do espelho têm falhado  a perceção de que a imagem projetada é «sua». 
No entanto, a espantosa capacidade para aprender e  para interagir que este  animal   revela deixa em aberto  muitos aspetos por descobrir acerca das suas reais capacidades , tal como sucede em relação a muitas outras espécies do reino animal.