Animais como nós, Comportamentos Heróicos


Muitos animais têm revelado comportamentos altruístas e de verdadeiro amor pelos outros, sem esperar qualquer recompensa. Já fizemos referência a alguns desses casos ao falarmos do comportamento ético dos animais.
Muitos desses animais vivem connosco e partilham  os nossos  espaços e  afectos. São nossos amigos ou trabalham connosco, numa  cooperação que dá origem a  laços mútuos; outros vivem nos espaços selvagens mas, mesmo assim,  revelam  muitas vezes  generosidade e altruísmo em relação ao ser humano que muitos destes  não revelam em relação a eles.
E porque o comportamento heróico não é um caso raro entre os animais não humanos, revelando-se  em muitas situações do dia a dia, hoje presto homenagem a alguns deles, heróis de pleno direito  pelas acções e pela  bravura demonstradas, tantas vezes com perigo da própria vida porque sentem o impulso para ajudar e «fazer o Bem»:
Um Pombo Herói da 1ª Guerra Mundial
Este pombo chamava-se Cher Ami (Querido Amigo) e foi um verdadeiro herói em combate quando o batalhão do major Charles Whittlesey estava cercado na lateral de uma montanha em França durante a 1ª guerra, sem comida e sem munições. Se não recebessem rapidamente ajuda, todos teriam uma morte certa.  O major enviou pombos com mensagens a pedir ajuda. Dois foram mortos logo a seguir, baleados pelo fogo inimigo. Mas Cher Ami conseguiu  sobreviver, levando uma mensagem na sua perna esquerda. Durante o voo por território inimigo, foi atingido por uma bala de raspão no peito, ficou cego de um olho e a perna esquerda ficou pendurada devido a uma tendinite sofrida durante o esforço do voo. Mesmo assim o animal prosseguiu e entregou a mensagem.  
Após a batalha, Cher Ami foi assistido pelos médicos do exército que lhe salvaram a vida (a sua bravura salvou a vida de 194 homens do batalhão). Esta não foi a primeira vez que o animal sofreu fogo inimigo , antes já tinha conseguido entregar 12 mensagens importantes. Quando regressou à América, o pombo foi considerado um herói de guerra. Morreu em 1919, de ferimentos contraídos durante a guerra. Em 1931 foi lembrado no «Racing Pigeon Hall of Fame». O seu corpo embalsamado está em exposição no National Museum of American History’s Price of Freedom.
Reckless, uma égua da Mongólia Heroína na Guerra da Coreia
Esta égua, pertencente ao tenente Eric Peterson, entrou para o corpo da Marinha em 1952 e tinha por tarefa entregar munições nas linhas da frente. Durante um só batalha a égua fazia 51 viagens sob fogo inimigo para transportar munições, na  maior parte das vezes sozinha.
Foi promovida 2 vezes no posto de sargento e recebeu inúmeras condecorações por comportamento excepcional de bravura : recebeu 2 medalhas  Purple Heart, 1 medalha de boa conduta, 1 citação presidencial com estrela, 1 medalha do serviço de defesa nacional, outra medalha por serviço prestado na Coreia, 1 medalha por serviço prestado das Nações Unidas, etc. Ela usava orgulhosamente todas as medalhas colocadas num cobertor branco e escarlate.
O comportamento Heróico de uma Cabra, Mandy
O acontecimento a seguir passou-se numa quinta, em Benalla, Austrália. Um homem de 78 anos, Noel Osbourne estava a trabalhar na sua quinta quando, acidentalmente, uma vaca o atingiu atirando-o ao chão. Ao cair fracturou uma anca e não conseguiu mover-se. O homem estava  demasiado longe para alguém poder ouvir os seus gritos e vir  socorrê-lo. Mas Mandy, a sua cabra, ficou junto dele durante todo o tempo. Durante cinco gélidas noites, Mandy aconchegou-se a ele para o aquecer e manter quente e, durante os dias quentes, punha-se à frente dele para o proteger do Sol. Forneceu-lhe do seu leite, permitindo assim que o homem não ficasse desidratado.  Após cinco dias o homem foi finalmente encontrado por um amigo que o procurou e recebeu  tratamento hospitalar, tendo recuperado totalmente. Isto só foi possível devido à  dedicação do animal, que ficou com ele o tempo todo.
  Lulu, a porca vietnamita de estimação

Uma dona de casa, Jo Ann Alsman, teve um ataque cardíaco que a deixou inconsciente e incapaz de se mover.  A sua porca Lulu, ao observar o acontecido, correu para a estrada e esperou que um carro passasse. Quando um apareceu, colocou-se no meio da estrada para ele parar mas o  condutor não entendeu o que se passava e seguiu. O animal correu para casa para verificar o estado da dona e, vendo que esta continuava sem se poder mexer, voltou a correr para a estrada onde esperou 45 minutos que alguém parasse. Finalmente um automobilista parou e o animal olhou para ele ao mesmo tempo que correu para casa, mostrando-lhe que queria que ele a seguisse. Ao chegarem a casa, o homem viu a mulher no chão e, percebendo o que se passava, telefonou de imediato a pedir uma ambulância. A senhora conseguiu recuperar totalmente tendo depois confessado que, se não fosse Lulu, não teria sobrevivido.

Fillippo, o golfinho
O jovem italiano Davide Ceci, de 14 nos, estava no barco do pai, no sudoeste de Itália, quando caiu ao mar sem o pai se aperceber. O jovem não sabia nadar e começou a ir ao fundo quando um golfinho, de nome Fillippo, que durante dois anos tinha sido uma atracção turística em Manfredoria e entretanto tinha sido devolvido ao habitat natural, foi  em seu socorro, tendo-o levado para a superfície e chamado a atenção do pai que, apercebendo-se da situação, foi agarrá-lo.  A mãe do jovem, espantada e agradecida com o altruísmo do animal , confessou a sua admiração por este ter  tido o instinto e a generosidade de salvar uma vida humana sem obter com isso qualquer benefício para si próprio.
Willie, o papagaio sul -americano
Este evento aconteceu em 2008, quando o papagaio estava na cozinha com a menina de dois anos Hanna Kunsk, que tomava o pequeno -almoço. A pessoa que tomava conta da criança estava na sala ao lado quando começou a ouvir o papagaio a bater fortemente as asas e a gritar:; «mamma, baby, mamma baby». A baby sitter correu para a sala e encontrou a criança a sufocar por se ter engasgado. Aplicou-lhe de imediato a manobra de Heimlich e a criança sobreviveu. Em 2009 Willie recebeu  a medalha da Cruz Vermelha referente ao prémio «Animal  Salva- vidas». Foi a primeira vez que o prémio foi atribuído a um animal que não era um cão.
E a narrativa  dos casos destes heróis com maiúscula  poderia continuar  indefinidamente pois todos os que têm contactos com animais têm também muitas pequenas histórias de comportamentos semelhantes a estes para contar. Lembremo-nos pois destes gestos de verdadeira generosidade que os animais têm para connosco ; não aceitemos  a crueldade que tantas vezes observamos em relação aos animais, um dia conseguiremos que todos os  animais, humanos e não humanos, tenham reconhecido o seu devido valor.
Se todos fôssemos tão generosos como eles, este seria um mundo muito melhor!

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