Animais como Nós- o Gato, Misterioso e Independente


Ao longo de milhares de anos- os gatos  (felix silvestres) foram domesticados por volta de 3700 a. c. – os seres humanos têm tido este animal como companheiro. O gato tem características diferentes dos cães. Estes são animais sociais por natureza, dependentes do contacto com os outros; os gatos, por sua vez, embora apreciem o contacto social, são animais muito  independentes e solitários por natureza, precisam de algum tempo  sozinhos.
No longo período em que a espécie humana tem convivido com os gatos, a espécie sofreu algumas mudanças, o que também se reflecte na inteligência do animal : o maior número de estímulos, a exploração dos espaços urbanos provavelmente aumentou a plasticidade cerebral destes animais e a capacidade para se adaptarem à mudança. Assim, observamos que o comportamento dos gatos é muito variável de acordo com o tipo de sociedade/cultura em que vivem, na interacção com os seres humanos.
Quanto ao comportamento, o gato é um animal que se exprime essencialmente através da linguagem corporal e das vocalizações. As suas vocalizações exprimem  significados diferentes :Contentamento, um pedido de ajuda, de comida ou de companhia, zanga, etc. Quando um gato está zangado, assustado ou agressivo, emite um «hiss» como aviso claro de que o que quer que seja que está a ameaça-lo, não deve aproximar-se mais. Um gato muito zangado ou muito assustado também pode gritar. 
Existem três tipos de sons exclusivos dos gatos: um que é uma espécie de gargalhada que soa como um riso  simultaneamente  alto e abafado, e que exprime uma saudação feliz; um outro que é uma espécie de vibração chilreante que o gato faz quando observa algum pássaro de fora da janela; e há o ronronar. Um gato feliz  e um gato extremamente nervoso ou stressado, ronronam alto, o  que leva os investigadores a pensar que esta expressão é uma espécie de reafirmação individual. 
Um outro elemento essencial na linguagem corporal do gato é a cauda: os movimentos da cauda contam o que o animal está a sentir – a cauda erecta indica uma saudação amiga ou um «segue-me», observada por exe., na mãe que segue à frente das crias; uma cauda que se movimenta como um chicote exprime agitação: ou zanga, ou excitação ou um comportamento de antecipação de alguma brincadeira ou caça; a cauda com o pelo levantado exprime medo; a cauda que se move em movimentos gentis exprime contentamento.
As orelhas do gato também são um bom indicador do que ele está a sentir: um gato na ofensiva ou curioso ou amigável tem as orelhas erectas e viradas para a frente; um gato na defensiva, ou submisso tem as orelhas viradas para trás.
Os olhos do gato também nos ajudam a compreender o seu estado mental: um gato feliz  tem os olhos bem abertos mas o mesmo acontece se estiver aterrorizado. Se o animal está relaxado e os olhos estão bem abertos o estado mental é neutro; se está relaxado e os olhos estão semi- cerrados, isso indica contentamento ou submissão.
As pupilas dos olhos também indicam o sentir do animal: pupilas dilatadas podem indicar medo enquanto  pupilas reduzidas  indicam sentimentos agressivos. Se o gato olha de modo directo e fixo isso indica habitualmente um enérgico «Sai da frente! Para trás!»
Para além destes sinais da linguagem corporal importante para os que interagem com o animal o poderem entender melhor, há outros aspectos do comportamento do gato em geral – cada raça tem algumas particularidades específicas- que também interessa compreender: 
Os gatos têm um comportamento que pode ser complicado para quem os tem em casa: a necessidade de fazerem movimentos «de amassar» com as patas dianteiras em que soltam as garras e as «afiam» em alguma superfície macia, alternando entre uma pata e outra. Acredita-se que se trata de um comportamento com origem no instinto de massajar as glândulas mamárias da mãe para aumentar a produção de leite . Mais tarde, mesmo quando já não estão nessa fase, mantêm o instinto. Um cobertor velho, ou qualquer coisa menos prejudicial do que um sofá ou o tapete da sala, talvez possa ser oferecido ao felino  para esse efeito com menos prejuízo material.
Os gatos têm um medo natural dos humanos por isso, devem ser socializados o mais cedo possível para evitar comportamentos agressivos e se habituarem a conviver com vários seres humanos. As primeiras 16 semanas de vida são cruciais para esta socialização.  Quando um gato é excessivamente tímido ou agressivo perante humanos que não conhece isso indica uma socialização deficiente do animal. 
Os gatos têm um instinto para «escapar» muito forte. Assim, nunca se deve cercar o animal, capturá-lo ou misturá-lo com outros animais desconhecidos pois isso gera nele um medo poderoso que o leva a procurar escapar. Gatos e cães ou vários gatos podem dar-se bem mas a socialização deve acontecer em simultâneo. Observam-se dificuldades quando os animais são introduzidos na família em momentos diferentes.
Quando numa casa existem dois gatos, por vezes um torna-se dominante, sobretudo se são fêmeas e pode ser difícil fazê-los conviver pacificamente. A existência de vários gatos na família gera uma dinâmica de hierarquização de posições sociais entre os animais que, se estes não conviverem juntos desde o início, pode causar algumas dificuldades adicionais.
Os gatos aprendem de modo diferente dos cães. Quando adquirem conhecimento, os gatos mantêm-no geralmente pela vida toda. Os gatos possuem excelente memória, guardando tanto informações positivas relacionadas com  comida ou brincadeira como com alguma coisa que consideraram ameaçadora. 

Na interacção com os humanos, os gatos aprendem a reconhecer os estímulos que significam coisas importantes para si próprios como o barulho de uma lata a  abrir-se (comida), a hora a que devem comer a sua refeição, etc. 

As experiências realizadas com gatos para testar as suas capacidades cognitivas indicam que este animal tem uma inteligência sensório- motora comparável à de uma criança de dois anos; possui uma grande capacidade de aprendizagem, através dos mecanismos de condicionamento operante explicados por Skinner, aprendendo por tentativa e erro. São capazes de se adaptar ao seu ambiente e de resolver problemas simples embora tenham dificuldade em reconhecer a relação de causa e efeito.

 Numa experiência de 2009, Edward Thorndike  colocou gatos numa situação em que estes tinham que puxar uma corda para obter uma guloseima. Quando havia apenas uma corda para puxar, os gatos não revelaram dificuldade em resolver o problema mas quando foram colocadas várias cordas e  apenas uma delas dava acesso à  recompensa os gatos ficaram confusos e não conseguiram perceber a relação causal entre uma coisa e a outra.

A memória de trabalho dos gatos é, no entanto surpreendentemente forte: conseguem lembrar-se de alguma tarefa para realizarem durante cerca de 16 horas. Quando adquirem algum conhecimento este mantém-se também, tendo sido observado quem 10 anos depois, o animal ainda consegue lembrar-se.
Os gatos podem ser treinados mas, ao contrário dos cães, não o fazem para agradar aos donos. Só é possível treiná-los se eles retirarem daí uma clara vantagem na aprendizagem.  Também se aborrecem com os treinos e ficam impacientes, sendo essa a razão pela qual é mais difícil treiná – los do que aos cães.
Quanto à alimentação, os gatos são carnívoros, podendo sobreviver sem vegetais;mas o inverso não é  verdadeiro:  eles não sobrevivem comendo só vegetais.
Os gatos são independentes e solitários por natureza. Mas adoram brincar. Por isso, se  você tem um deste animais em casa, dê-lhe brinquedos para ele se entreter quando está sozinho. Mas não se esqueça de que o gato, apesar da sua independência, também precisa de brincar consigo: brincar é uma actividade social e, para o animal, olhar para si como o  «companheiro de brincadeiras» é a melhor forma de socialização que lhe pode dar; isso fortalece os laços entre ambos e ajuda-o  aceitar outros seres humanos como «amigos» em vez de os ver como «predadores», facilitando as relações sociais e familiares.
O instinto de predação do gato é também bastante forte por isso é importante também que não deixe ao alcance do seu adorável gato nenhum pobre pássaro. Acredite, um gato pode ser amigo de um cão mas  querer a amizade entre um gato e um pássaro é como esperar que a água e o azeite um dia se misturem: nunca vai acontecer!

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