Animais como Nós, O Pombo, Humildemente Inteligente

 
Habituámo-nos a viver rodeados de pombos nas cidades e, de tanto os contemplarmos, acabamos por ignorar as extraordinárias capacidades desta ave que convive connosco desde que os Sumérios, na Mesopotâmia, domesticaram o pombo selvagem, há cerca de 3000 anos.
A extraordinária multiplicação dos pombos nas nossas cidades é a maior evidência da capacidade de prosperar tirando partido do meio construído pelo homem; são muitas vezes vistos como uma praga, mas isso mostra a sua inteligência para aproveitar as vantagens que colocamos ao seu dispor. 
Mas nós, seres humanos, também utilizamos muitas vezes estes animais e as suas capacidades para nosso benefício. Deste modo, ajudamo-nos mutuamente  e beneficiamos  de uma vida em conjunto. Na 1ª e 2ª guerras mundiais, os pombos salvaram muitas vidas,transportando mensagens; mas em tempos de paz também continuam a salvar vidas. A marinha utiliza as suas excelentes capacidades de aprendizagem e de visão para procurar pessoas com casacos reflectores vermelhos e amarelos a flutuar nas águas. Os pombos distinguem as cores como os humanos e têm a vantagem de ver ultravioletas e, para além disso, são mais  rápidos e cometem menos erros que os seres humanos quando fazem essa tarefa.
Pelas suas capacidades e empenho houve pombos condecorados em tempo de guerra.
Mas, para além disto, os pombos estão entre os animais mais inteligentes que se conhecem. As suas capacidades cognitivas têm sido objecto de vários estudos, sendo por isso bastante conhecidas.
Os pombos conseguem distinguir todas as letras do alfabeto e têm capacidade de conceptualização. A sua inteligência é comparável à de uma criança de 3 anos, superando em alguns aspectos a capacidade média de uma criança dessa idade.
O professor Srigeru Watanaba da universidade de Tóquio   fez uma experiência  que mostrou que os pombos conseguem distinguir uma imagem de si próprios gravada com um atraso de alguns segundo e a sua imagem actual. Isto prova que reconhecem a sua imagem ao espelho. Os pombos estão assim entre os poucos animais que passam no teste do espelho revelando que têm consciência de si próprios. Uma criança de três anos tem dificuldade em distinguir cognitivamente a diferença entre a sua imagem actual e a sua  imagem gravada com um atraso de 5 a 7 segundos.
Mas as suas capacidades vão mais além: se lhes derem comida por isso, conseguem distinguir duas pessoas diferentes em fotografias, possuem uma memória extraordinária, sendo capazes de recordar centenas de imagens individuais durante vários anos. 
Os investigadores  Watanaba , Sakamoto e Wakita da universidade de Tóquio conduziram uma experiência que ficou famosa em 1995, em que ficou claro que os pombos são capazes de distinguir entre uma pintura de Picasso e uma de Monet, entre um  quadro de Van Gogh e um  de Chagall.
As aves foram treinadas com um conjunto limitado de obras dos dois  pintores. Quando estavam perante um quadro de Picasso podiam obter comida através de bicadas repetidas. Mas quando se tratava de um quadro de Monet, as bicadas não produziam qualquer efeito. Após algum tempo, os pombos apenas bicavam quando tinham os quadros de Picasso à frente. Conseguiram generalizar  e discriminar os estilos  e características das obras dos dois pintores e, quando lhes colocavam quadros de cada um deles que eles nunca tinham visto antes, identificavam-nos correctamente.Outra coisa curiosa, se lhe mostrassem os quadros de Monet de cabeça para baixo eles deixavam de conseguir reconhecê-los mas o mesmo não acontecia com os de Picasso.
Num artigo que Watanaba escreveu posteriormente a estas  e outras experiências, defendeu que, se os pombos e os seres humanos receberem o mesmo treino o seu desempenho é comparável , por exemplo, na distinção entre um quadro de Van Gogh e de Chagall. Os pombos mostraram também distinguir entre pinturas impressionistas(de que Monet é um representante) e cubistas (De que Picasso é um representante). 
Os pombos possuem, além disto, a capacidade única de serem capazes de regressar a casa, não importa quão longe estejam, possuindo um sistema extraordinário de navegação.
No estado selvagem os pombos acasalam para a vida e têm geralmente cerca de 8 criações por ano, nascendo duas crias de cada vez que são alimentadas por ambos os progenitores durante os primeiros dois meses de vida. 
Heróis, animais de estimação, mensageiros, coabitantes connosco  nos espaços urbanos que colonizam com grande sucesso (com os problemas daí decorrentes) os pombos são uma presença que a maioria de nós acolhe com simpatia , embora nem sempre tenhamos consciência das suas extraordinárias capacidades. Este é sem dúvida um animal a redescobrir e a valorizar.

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