Animais como Nós – o Porco um Animal Extraordinário


Os porcos têm feito parte da alimentação humana desde há pelo menos 8000 anos desde que o porco do mato asiático foi domesticado.
Mas, apesar da  imagem não muito positiva que o folclore popular  tem deste animal, o porco é, na verdade, um dos animais  mais extraordinários e que , tanto em termos fisiológicos como comportamentais, é  muito semelhante  aos humanos. 
O genoma do porco mostra muitas características favoravelmente  comparáveis com as humanas; o coração do porco é semelhante ao nosso; o porco metaboliza as drogas de forma semelhante; e, tal como os humanos, os porcos, quando vivem em estado selvagem, são animais sociais, brincalhões, criam laços duradouros uns com os outros, gostam de se estender ao sol, sonham, exprimem diferenças de personalidade ;
Os porcos comunicam uns com os outros, conhecendo-se pelo menos 20 sons diferentes utilizados em relação com situações diferentes, desde cortejar um companheiro, exprimir fome, etc. Os bebés aprendem a correr para a mãe ao som da voz desta, as mães cantam para as crias quando cuidam delas. 
Os porcos não transpiram por isso gostam de se banhar na lama para manterem a temperatura mais baixa quando faz calor e, se viverem num palheiro com aquecimento, aprendem  por tentativa e erro a ligar o calor quando está frio e são capazes de o desligar quando está demasiado quente. 
Os porcos têm excelente memória,  e são capazes de se lembrar onde se encontra comida armazenada, sabendo reconhecer também quando um outro membro da espécie tem esse conhecimento: um porco segue o outro; e aquele que é seguido, por sua vez, aprende a enganar o que o segue, despistando-o , de modo a poder regalar-se com a comida sem ter que a repartir. 
Numa experiência para testar a relação entre a aprendizagem e a memória nos porcos, o Dr Stanley Curtis, da Penn University State  pôs uma bola, um disco de jogar e um haltere em frente de vários porcos e ensinou-os a saltar por cima, a sentar-se junto de cada um deles e a ir buscar cada um.  Três anos depois os animais ainda conseguiam identificar correctamente cada um dos objectos. 
A bióloga Tina Widowski  estuda a inteligência dos porcos e afirma que, muitas vezes, quando trabalhou com macacos, olhou para estes e dizia, perante os seus resultados: «se fosses um porco já tinhas percebido isto».
Quando estão presentes nas reservas de vida animal selvagem, os porcos  revelam-se muito parecidos com os humanos: gostam de ouvir música, de brincar com bolas de futebol, de massagens… são até capazes de jogar videojogos usando um joystick!
 
Os porcos estão entre os animais que mais rapidamente são capazes de aprender novas rotinas, o que os torna perfeitos para exibirem «truques» em espectáculos, onde aprendem a fazer coisas incríveis por uma boa guloseima. São capazes de aprender todas as «habilidades» que os cães aprendem , parecendo divertir-se bastante com isso, desde que o resultado seja, claro, comida!
Segundo Richard Byrne, o porco evoluiu em termos de inteligência  por razões muito semelhantes às dos primatas: comida e vida social. Os porcos em estado selvagem têm uma complexa vida social estabelecendo relações de longa duração, têm conhecimento uns dos outros como indivíduos, para se protegerem dos predadores. O nariz é extremamente eficaz na procura da comida, sendo comparável, em termos de funções , ao uso da «mão» nos primatas.
 
Recentemente, descobriu-se que os porcos, tal como os macacos e algumas aves, são capazes de usar espelhos para localizar comida. Numa experiência levada a cabo por Donald  M. Broom da Universidade de Cambridge, vários porcos de 4 a 8 semanas de idade foram colocados  durante 5 horas num local onde havia um espelho. O seu comportamento foi filmado: os porcos ficaram fascinados, apontando o nariz para o espelho, explorando, vocalizando, colocando-se junto do espelho, olhando para a imagem de diferentes ângulos, esfregando o nariz na sua superfície, olhando por detrás do espelho.
Um dia depois, quando esses animais estavam no  palheiro junto com outros porcos  que não tiveram essa experiência, foi colocado um espelho nas instalações. Os porcos que tinham  anteriormente estado  com o espelho exultaram,mostrando a sua excitação. Os investigadores  também  colocaram uma tigela com comida, não visível, mas  de modo que a sua imagem  era reflectida no espelho.
Os porcos que já tinham tido a experiência com o espelho levaram 23 segundos a adivinhar onde a tigela se encontrava. Os outros animais confundiram a imagem no espelho com a comida e ficaram muito frustrados quando se debateram com a superfície do espelho. Estes últimos precisaram de tempo para perceber a diferença entre a realidade e a sua imagem.
Apesar desta evidência, não é conclusivo se o porco tem consciência de si próprio da mesma maneira que os outros animais em relação aos quais se determina claramente que têm consciência de si próprios quando submetidos ao teste do espelho.  A pesquisa a este respeito continua.
Os porcos são também animais com sentido ético extraordinário: conhecem-se vários casos de porcos que salvaram os seus amigos ou donos humanos  de uma morte certa. Tais casos estão documentados nos media.
As características extraordinárias deste animal estão a levar cada vez mais pessoas a adoptá-los como animais de estimação, leais , divertidos e muito inteligentes!
Pode ser que, no futuro , sejamos capazes de os ver mais como os animais sensíveis e leais que eles são e menos como comida , permitindo-lhes ter um destino melhor a que têm direito.