Animais como Nós, o Cavalo ,um Animal com Empatia

O cavalo é um animal que foi domesticado há milhares de anos. Ao longo do tempo a selecção de raças  originou características diferenciadas e especializadas: animais extremamente rápidos que são treinados para a corrida; outros muito dóceis; outros fortes e resistentes, etc.  Esta selecção tem servido os interesses do homem ,que  desde há muito tempo usa o cavalo para os mais diversos fins.
O cavalo é um animal  social . Em estado selvagem  vive em manada, que é composta por  diversos bandos que se juntam   numa organização social onde existe uma ordem hierárquica  linear: cada animal conhece e respeita o seu lugar, reconhecendo também o lugar de todos  os outros. 
Cada bando é formado por um animal macho e um «harém» de éguas, ao qual se juntam também os animais jovens. Pode ter entre 3 e mais de trinta animais.  Na manada,as  lutas entre os machos, muitas vezes apenas quase rituais e sem existir verdadeiro ataque físico, decidem a liderança. O  garanhão  que é o líder da manada, permanece  nos limites do território para defender a manada de possíveis predadores. 
 A manada é formada por um número variável de animais que podem  ultrapassar as 2 centenas.  Os animais jovens  a certa altura são  conduzidos para fora do bando  onde nasceram para se juntarem a outros bandos.  A  união de bandos na manada tem a função de permitir a melhor defesa em relação aos predadores. 
Os cavalos  evoluíram como animais  vítimas de predadores e, por isso, o seu instinto para fugir é muito grande , assustando-se com facilidade. Mas, se a fuga é impossível, enfrentam os seus atacantes com agressividade , sobretudo se as éguas ou os filhotes estiverem em perigo.
O líder da manada, o garanhão «chefe»   tem a função de defender, marcar o terreno,  é o animal mais exposto aos perigos. A qualquer momento, outro macho pode desafia-lo para obter a liderança.  Ele tem direito a comer e beber em primeiro lugar e o mesmo acontece com os animais  que se vão seguindo na hierarquia social. Se houver falta de  alimento,  os que se situam mais baixo na hierarquia social podem não ter alimento suficiente. 
Para além do «líder  defensivo» da manada, existe uma outra liderança, relativa aos diferentes aspectos da organização social. Esta é exercida pela égua mais velha, que é respeitada pelos outros. 
Os  cavalos  não conseguem viver felizes e saudáveis  se estiverem sozinhos. Precisam de  formar  laços  sociais e de companheirismo, tanto com os da sua espécie como com espécies diferentes.  Um animal mantido num estábulo solitariamente pode  manifestar diversas perturbações psicológicas e   revelar ansiedade de separação.  Estes sintomas podem ser reduzidos ou anulados se o animal puder conviver com um outro, como um gato, uma cabra, etc.
A necessidade de criar laços de companheirismo é a qualidade que tem permitido ao homem desenvolver relacionamentos tão especiais com este animal.  No entanto,  atendendo a que o cavalo funciona socialmente através de  relações hierárquicas, é fundamental estabelecer de forma clara a dominância em relação ao animal, de contrário este assumir-se-á como líder na relação e pode ter comportamentos indesejáveis  em relação aos humanos. 
Os seres humanos são habitualmente vistos como predadores pelos cavalos  e esta situação muda apenas quando se estabelecem laços com os animais. Através de treino, os cavalos podem aprender a sentir-se confortáveis fora da manada, sobretudo se reconhecem o ser humano com quem mantêm laços como líder. 
Os cavalos dormem pouco, podendo dormir deitados- mais raramente- ou de pé. O seu instinto de fuga imediata perante o perigo preparou-os para poderem descansar durante períodos curtos de por ex. 15 minutos , várias vezes. Por dia podem dormir apenas cerca de 2 h e meia. Quando em ambiente selvagem, revezam-se: enquanto uns dormem, outros vigiam a possível aproximação de predadores.
E quanto à inteligência? Durante muito tempo tem-se dito que os cavalos são principalmente animais de instinto, que se limitariam a  aprender  por condicionamento, dado que  se fixam aos  hábitos e gostam de manter as suas rotinas. 
No entanto, estudos recentes têm alterado esta percepção. Os cavalos são capazes de interpretar  de forma muito eficaz a linguagem corporal, aprendem a reconhecer ordens rapidamente  e têm excelente memória. 
A Drª Evelyn Hanggi , presidente e co- fundadora da Fundação de Investigação Equina tem estudado extensivamente este animal e não tem dúvidas de que a inteligência do cavalo  tem sido subavaliada.  Ela refuta claramente que o cavalo  aja apenas  por instinto ou aprenda só  por condicionamento.  Também rejeita que ele tenha poucas capacidades visuais e falta de competências cognitivas. 
O cavalo pode, na verdade, transferir informação de um olho para o outro, por ex., e é  capazes de resolver desafios cognitivos avançados envolvendo a  aprendizagem de categorias  e  formação de  alguns conceitos.  Para além disto, os cavalos que vivem em manada no ambiente selvagem precisam de compreender e identificar as  complexas  redes  da hierarquia social, para reconhecerem o seu lugar e o dos outros membros na comunidade e isso exige competências que vão para  além da simples aprendizagem por condicionamento ou por habituação.
Os cavalos, pela facilidade com que formam laços afectivos com outras espécies, incluindo a humana, são  também usados em terapia de desenvolvimento de competências sociais e comunicacionais de crianças autistas, com Asperger, etc. Estas terapias conseguem resultados que mais nenhuma outra alcança de forma tão satisfatória.
Por tudo isto, não há dúvida de que o cavalo é realmente um animal muito especial. Não apenas porque respira nobreza e elegância num porte  de liberdade  mas porque é realmente capaz de transmitir  um sentimento de ligação e de companheirismo , de cooperação e de amizade com os seus amigos humanos.

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