Animais como nós, a Ovelha, Uma Mente Brilhante num Corpo de Lã

A ovelha tem sido considerada como um animal pouco inteligente, devido às características do seu comportamento: entra em pânico mal aparece alguma situação de perigo ,tem  tendência para seguir  de imediato  o rebanho, etc.
Mas estudos recentes em vários países mostraram que a ovelha é um animal  cuja adaptabilidade e capacidade para aprender é semelhante às dos macacos e humanos nas primeiras fases de aprendizagem, superando em alguns aspectos a inteligência dos roedores.
A ovelha é   provavelmente descendente de uma espécie selvagem de argali  da Europa e da Ásia.  Esta espécie tem sido alvo de selecção genética intensiva por parte do homem, pelo que as raças hoje existentes são muito diferentes da espécie selvagem.
Devido à multiplicidade de raças pode haver  animais  com características  bastante diversas: na cor do pelo, no tamanho e no peso, com chifres e sem eles, etc.
As ovelhas têm uma média de vida de 10 a 12 anos, embora já se tenham visto exemplares com 20 anos. Estes animais têm uma boa visão e audição  e também um sentido do cheiro  pronunciado. Possuem glândulas odoríferas junto aos olhos e nós pés entre  os dedos. Especula-se sobre a relação entre essas glândulas e a função reprodutiva, mas sem grandes certezas. 
Apesar de terem uma boa visão, a percepção da profundidade é fraca nestes animais. Talvez por isso afastam-se das zonas pouco iluminadas e, por vezes, esse deficit de percepção  produz reacções assustadas por partes dos animais. As ovelhas são exclusivamente herbívoras, preferindo as ervas baixas para se alimentar.
A ovelha é um animal de comportamento gregário e, devido à necessidade de  se defender dos predadores, procura naturalmente o rebanho, ficando muito stressada  quando está afastada. Embora não defenda o território, o rebanho demarca uma área onde se alimenta. O impulso para seguir é muito forte nestes animais pelo que, por vezes, basta  uma mover-se para ser seguida pelas restantes. Se existir alimento suficiente, tendem a fixar-se num local de pastagem,  não se aventurando facilmente em campo aberto.
A ovelha é um animal manso mas, se se sentir cercada ou se houver crias acabadas de nascer, pode haver comportamento agressivo. Existe uma hierarquia  de dominância entre o rebanho, estabelecida normalmente  através de lutas, ameaças e competitividade. Para chegar à liderança é importante o tamanho dos chifres, o tamanho e o peso.
Apesar da crença tradicional na pouca inteligência  das ovelhas, vários estudos demonstram o contrário: investigações  feitas na Universidade de Illinois colocam as ovelhas logo abaixo dos porcos e ao mesmo nível que as vacas, em termos de inteligência. 
As ovelhas, determinaram os investigadores, têm uma excelente capacidade de reconhecimento facial, distinguindo rostos humanos e à volta de 50 faces diferentes de outras ovelhas e podem lembrar-se disto durante  2 anos. Para além disso também são capazes de distinguir diferentes estados emocionais através  da leitura das expressões faciais.  Também conseguem aprender a reconhecer o seu próprio nome, depois de pacientemente treinadas.
 
A investigadora Jenny Morton, da universidade de Cambridge, tem estudado a ovelha e determinou que a sua inteligência é semelhante à dos roedores  e de alguns macacos (Rhesus). Os estudos realizados sugerem  que  as ovelhas são animais adaptáveis, capazes de aprendizagens avançadas e têm uma excelente memória espacial, podendo mapear mentalmente o seu ambiente circundante para se orientarem. 
Esta investigadora de Cambridge, neurocientista, diz que as ovelhas têm sido mal avaliadas  em termos de inteligência pois, nos testes realizados, obtêm resultados semelhantes aos dos macacos Rhesus e aos seres humanos nos primeiros tempos da sua aprendizagem. 
Num teste de inteligência realizado por esta investigadora, foram usados baldes de cores diferentes, amarelo e azul, para ver quanto tempo demoraria até os animais aprenderem em quais dos baldes obteriam comida. As ovelhas demoraram o mesmo tempo que os macacos e os humanos  em testes comparáveis – cerca de 7 sessões. Quando ela mudou a comida para baldes de outra cor, as ovelhas adaptaram-se no mesmo tempo que os macacos e os roedores.
Numa tarefa mais complexa em que a ovelha tinha que aprender onde estava a comida escolhendo  formas coloridas, aprendeu as novas regras em 32 tentativas. Nesta tarefa  o animal tinha que perceber que a cor não tinha qualquer importância e que teria que dar importância antes à forma. Isto é algo complexo que até mesmo os humanos levam algum tempo a aprender. Os ratos não foram capazes de aprender; as marmotas levaram mais tempo que as ovelhas e os macacos Rhesus aprenderam mais depressa do que estas. 
A professora  Morton  concluiu assim que as ovelhas, em termos de inteligência, são um pouco mais lentas do que os macacos Rhesus mas a sua inteligência é indesmentível. Esta investigadora continua a levar a cabo experiências com ovelhas para determinar a sua capacidade para planear acções futuras.  Para já é seguro dizer que as ovelhas são capazes de desempenhar tarefas cognitivas que até agora se pensava serem exclusivas dos macacos. 
Também nas experiências em labirintos as ovelhas têm-se saído bem, mostrando excelente memória espacial para aprenderem a sair do labirinto  e  conservando este conhecimento durante cerca de 6 semanas. 
Alguns estudos também sugerem que as ovelhas são capazes de se auto- medicar, quando estão doentes, procurando plantas que as fazem sentir-se melhores. Parece que elas podem detectar os nutrientes de que têm falta e podem desenvolver conhecimentos acerca de quais as plantas que são benéficas ou tóxicas.
As ovelhas fazem parte, tradicionalmente, da economia de muitos povos, e são parte integrante  da cultura, dos símbolos e da mitologia. Mas,  na próxima vez que olhar para estes simpáticos animais a pastar placidamente em qualquer área campestre, lembre-se caro/a leitor/a: no interior daqueles macios corpos de lã encontra-se um dos animais mais inteligentes que coabitam connosco.

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