Animais como Nós, O Picapau de Gila

As aves são, apesar do seu pouco tamanho, animais com  cérebros grandes comparativamente ao tamanho do corpo, pelo que há muitas espécies que estão entre os animais mais inteligentes.

O investigador de inteligência evolutiva e comportamento animal , Louis Lefebvre, da Universidade de Mc Gill, em Montreal, estabeleceu um interessante ranking que mede a inteligência de várias espécies, considerando que a inteligência se mede, em todas as espécies , pela capacidade de inovar perante desafios que o meio coloca: ser capaz de encontrar soluções novas a partir dos recursos disponíveis é uma importante prova de adaptação.
Um dos animais que ficam mais bem posicionados neste ranking é o Picapau Gila ou de bico de marfim que vive no sul e oeste do Arizona, no deserto de Sonorah no extremo sudeste dos US e no norte do México.
Este picapau é um animal que se faz sentir e ouvir: é bastante barulhento, abrindo caminho para os cactos gigantes – Saguaro e Cereus giganteus- com gritos estridentes e batidas com o bico para reclamar a sua posse do território.
Este animal tem uma língua que é uma verdadeira ferramenta para apanhar insectos: com filamentos e curvada, enrola-se, podendo ser esticada de modo a alcançar os insectos moles que se encontram nos   túneis  no interior dos troncos das árvores. O Picapau deteta esses túneis batendo no tronco com o bico e distinguindo o som oco quando há um túnel por dentro. Depois, é só aplicar o bico para abrir um pequeno buraco e alimentar-se dos incautos insectos que estão dentro do tronco.
O bico dos Picapaus é uma ferramenta poderosa: ele é usado também para abrir buracos nas árvores ou nos cactos gigantes, para fazer os ninhos. Estes ninhos podem ser utilizados mais do que uma vez, se não tiverem sido entretanto ocupados por outras aves, como o estorninho europeu – com quem o Picapau tem que competir pelo território de nidificação- e com as cobras ou esquilos que não deixam escapar a oportunidade de obter uma casa nova sem qualquer esforço próprio.
Os Picapaus de Gila adaptam-se muito bem aos ambientes povoados pelos humanos, que rapidamente aprendem a explorar: tornam-se ladrões expeditos, entrando nas casas por uma porta ou janela abertas, curiosos , em busca de alimento ou, quem sabe também, de um pouco de aventura!
Visitam com frequência o quintal das casas, à procura dos alimentadores dos pássaros que os moradores colocam pendurados; roubam a comida do cão e são especialmente gulosos por água açucarada, gordura (sebo), nozes, sementes de girassol, etc. Adoram bater com o bico em superfícies de metal, aproveitando as chaminés metálicas para, ruidosamente, declararem a posse do seu território e atrair as fêmeas.
No ambiente selvagem, este Picapau prefere os terrenos com vegetação baixa dos desertos com catos Saguaro ou Carnegiea Gigantea ou árvores onde possam nidificar. Também apreciam as florestas sub-tropicais e os bosques perto dos cursos de água.
Os insetos que se encontram no interior dos troncos das árvores são o seu alimento preferido mas também gostam dos frutos dos cactos, de bagas, ovos de outros pássaros ou, ocasionalmente, pequenos lagartos. Já foram observados a armazenar bolotas dos carvalhos, apanhando-as e levando-as, a voar, para palmeiras onde armazenam as bolotas, aproveitando as fibras da base da árvore.
Nidificam em cavidades, que escavam com o bico, ou nos catos gigantes ou nas árvores, onde colocam entre 3 a 5 ovos brancos que são chocados por ambos os progenitores durante 12 ou 14 dias. As crias são alimentadas por ambos e durante bastante tempo após já saberem voar. Se houver bastante comida, podem fazer duas ou três posturas por estação.
Lefebvre verificou que os Picapaus têm um elevado nível de inteligência e usam ferramentas. Na altura da criação dos filhotes, este Picapau utiliza pedaços de casca de árvore como «colher» para apanhar e levar mel para os filhotes no ninho. E o seu à vontade quando explora o ambiente humano, bem como a sua curiosidade ao explorá-lo mostra bem a sua capacidade para avançar por novo território em busca de novidades e de alguma solução vantajosa que lhe  facilite a vida no dia a dia.
Em cativeiro, o Picapau de Gila vive cerca de 10 anos. Vive menos no ambiente selvagem.
Apesar de sofrer a pressão humana que entra cada vez mais no seu território, este animal não enfrenta muitas ameaças para além dos naturais predadores, como os falcões, raposas, cobras, etc.

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