Os Signos opostos e a Identidade Astrológica- A Complementaridade Carneiro (Aries) e Balança/(Libra)

Os signos do Zodíaco exprimem as qualidades do «homem cósmico», da realidade humana arquetípica e universal. Esta realidade é multifacetada, complexa e cheia de contradições. É normal que o ser humano, um ser em permamente construção em interação com o mundo e com a realidade dos outros seres, exprima dualidade e contradição;
Os signos revelam essa dualidade através de relações de oposição e de complementaridade: cada signo tem o seu signo oposto e este exprime as qualidades que lhe são contrárias mas que também lhe são complementares.
Deste modo, quando falamos de signos opostos falamos daquilo que, na zona menos consciente da nossa psique, sentimos que nos completa; são aquelas qualidades que se opõem às que imediatamente mostramos ou de que temos consciência mas, quando refletimos cuidadosamente nessas características «opostas» percebemos que elas nos completam, que só somos realmente «plenos» se, de alguma maneira, elas forem vividas por nós.
Esta é uma das razões pelas quais a sabedoria popular diz que «os opostos se atraem». Na verdade, muitos indivíduos procuram nos outros as características que, sendo opostas àquelas que reconhecem em si próprios, sabem que também precisam de desenvolver para se tornarem pessoas mais completas e satisfeitas.
Esta dinâmica dos signos opostos e da atracção geral pelos opostos corresponde também à estrutura da própria realidade, que assenta no princípio de que a dualidade é a própria base da identidade: começamos por vir ao mundo a partir da união entre o feminino e o masculino e, de algum modo, sabemos que em toda a realidade este princípio se mantém válido, sendo a base de funcionamento da vida e do cosmos. Por isso procuramos instintivamente a parte de nós que sentimos que nos falta.
O Psicólogo Carl Gustav Jung explicou maravilhosamente esta dinâmica e o seu funcionamento na psique humana: alguns procuram a «parte oposta de si próprios» através dos relacionamentos com os outros, numa espécie de demanda em que o «tu» é a outra face aceite do «eu»; outros escavam dentro da sua psique, sabendo que cada indivíduo é em si mesmo um ser completo, apenas tem que o descobrir; mas, uns e outros, andam à procura do mesmo, que é vivenciar as qualidades opostas às que são expressas pelo seu signo do Ascendente, do Sol ou da Lua, de acordo com aquele que é mais forte na carta astrológica de nascimento.
Lembrando-nos de que a Astrologia Jyotish é parte integrante da Filosofia dos Vedas na antiga Sabedoria, e tem por por objetivo «lançar a luz» – conduzindo a um melhor conhecimento que cada um tem de si próprio- começamos hoje a explorar a relação de oposição/complementaridade entre os signos e o seu significado para o perfil astrológico de cada um.
O Primeiro Par de Signos Opostos- Carneiro (Aries) e Balança (Libra)- A Oposição entre o Eu e os Outros
Carneiro (Aries) e Balança (Libra) são signos opostos e cardinais. Ambos exprimem um conjunto de características que são contrárias. Porém, para compreendermos plenamente cada um deles na sua expressão concreta precisamos de entender os significados do outro: o signo oposto revela sempre as características que a pessoa tem que desenvolver para avançar e crescer.
Se o meu signo Ascendente  é Carneiro, sem dúvida que, ao descrever as características deste signo, ficarei com uma ideia bastante clara dos processos pelos quais exprimo a minha identidade mais espontânea e que me ajudam a ter consciência imediata de «quem sou». O signo Carneiro (Aries) mostra o meu estado atual de ser, o meu ponto de partida no que se refere ao desenvolvimento pessoal; mas as qualidades que eu preciso de desenvolver para me tornar uma pessoa «inteira», para crescer e evoluir a partir do ponto em que me encontro, são mostradas pelo signo oposto ao do meu Ascendente neste caso, o signo Balança (Libra).
O signo Carneiro representa o ímpeto inicial e espontâneo para a manifestação na existência; os seus nativos exprimem  uma dinâmica que mostra uma concentração na descoberta das potencialidades próprias de ser e de interagir com o mundo; estão a descobrir-se e a explorar-se ,por isso são bastante auto-centrados. A descoberta dos próprios poderes e o fortalecimento da vontade e da determinação implicam correr riscos, um temperamento corajoso e capaz de se lançar no desconhecido, agindo primeiro e pensando depois da experiência vivida.
No signo Carneiro, o indivíduo precisa de desenvolver a consciência de si a partir da reflexão posterior que faz das experiências vividas; precisa de se pensar e de se sentir através da própria atividade no mundo; ele é uno com a sua mente e a sua força criativa que não domina e não é disciplinada, é antes movida pelo desejo imenso de «ser alguém» embora o «quem» esteja demasiado longínquo para estes nativos saberem ; Carneiro sabe-se a si mesmo a partir da própria ação e dos seus efeitos no mundo.
Quanto mais coragem e bravura manifestar, mais «valiosa» é a identidade que surge aos olhos de Carneiro (Aries). Mas o mundo das experiências é um contínuo que se escoa rapidamente desaparecendo em seguida e, por isso,Carneiro tem habitualmente uma grande tensão nervosa e é impaciente , ansiando pela próxima aventura ou oportunidade de mostrar o seu «valor». A identidade de  Carneiro é idêntica à memória das suas batalhas no mundo, é uma história feita de ação e de entusiasmo , de eventos que se evaporam com a mesma facilidade com que desaparece o desejo quando saciado, porque lhes falta a consistência de um propósito organizado.
Por esta razão, Carneiro tem uma identidade vazia, é um ímpeto ou uma força mas sem consciência do «para quê» ou «porquê» que vão além do plano imediato do desejo ou impulso momentâneo.
Ora, Balança, como signo oposto ao de Carneiro simboliza a identidade como resultado da relação concertada e igualitária entre o «eu» e o «tu»; Balança mostra que o «eu» só se pode descobrir a si mesmo através da partilha e da cooperação com o «tu», revela que é preciso encontrar um «outro como «eu» que, sendo diferente, é simultaneamente idêntico, para sabermos realmente quem somos:  nós conhecemo-nos através do olhar do outro, sabemos «quem somos» porque o outro nos descreve continuamente na relação que mantém connosco- o outro é o espelho onde nos refletimos e, se não houver «outros como nós», a nossa identidade permanece dispersa num mundo de eventos e objetos indiferenciados e tornamo-nos mais um objeto do ambiente em que não somos capazes de nos distinguir.
A experiência de Balança é que o «eu/tu» não é uma realidade separável, nós emergimos no mundo no meio de um «nós» que é o da sociedade a que pertencemos, não nascemos nem vivemos isolados. Por isso Balança ensina-nos que não há indivíduos sem que antes se pertença a uma família onde nascemos; e, deste modo, este signo  também simboliza o contrato de casamento e os direitos e deveres que respeitam ao casamento; e, na sociedade, também estabelecemos parcerias pelas quais realizamos os nossos projetos e negócios e estas também estão reguladas por regras, pressupostos e valores.
Balança baseia-se na valorização das relações de parceria que estabelecemos para, a dois, podermos perpetuar a nossa identidade pelos resultados que alcançamos com as nossas alianças: do casamento aos negócios, Balança  baseia-se na ideia de que, em cooperação, conseguimos alcançar mais objetivos do que sozinhos.
Porém, ao focar-se essencialmente na relação,Balança  perde muitas vezes a perspetiva individualizada acerca das coisas: torna -se dependente, excessivamente submisso e apagado nos seus desejos ou expressão da vontade pessoal; condescende muitas vezes , com medo de perder o apoio ou o afeto do outro e acaba por perder a consciência de si mesmo, deixando-se manipular; os nativos de Balança podem tornar-se indecisos e terem grande dificuldade em auto-afirmar-se devido à excessiva valorização do «outro» ; sem ele  não são capazes de viver.
Balança   não reconhece outra vontade que não seja a sua, outro desejo que não o seu e, na verdade, os desejos e as necessidades dos outros são- lhe estranhos , exteriores e mesmo indiferentes, a sua força é a do seu próprio ímpeto e espontaneidade para querer ser. A sua identidade confunde-se com a força do próprio desejo, não tem um rosto nem objetivos verdadeiramente definidos, ele não sabe realmente para onde vai, move-se pelo prazer de se testar e pelo prazer da descoberta. Por isso, muito deste entusiasmo é inconsequente e perde-se na falta de consistência e razão de ser.
Compreende-se deste modo como estes dois signos são complementares e ambos necessários para que os nativos de um e outro de desenvolvam plenamente como identidades autónomas e simultaneamente cooperantes
Os nativos de Carneiro precisam de aprender a cooperar com os outros, a estabelecer relações de parceria autêntica em que o outro desempenha papeis relevantes; precisam de aprender que, sem a relação com os outros, sobretudo no plano pessoal, não podemos desenvolver-nos como seres humanos plenos pois a construção da nossa identidade faz-se essencialmente através da partilha de experiências e de pontos de vista acerca da realidade; pois o nosso ponto de vista sobre as coisas não é o único e nós não somos os únicos seres capazes de «grandes feitos», de atos de coragem e de bravura: há muitos «heróis» à nossa volta e, apesar de cada um ser único, há outros tão «únicos» como nós. A nossa ação no mundo só tem sentido quando ultrapassa a esfera imediata dos desejos ou dos impulsos individuais; ela precisa de se completar na experiência de cooperar e de «criar em conjunto» outros «como nós» numa sociedade justa e regulada, numa família em que cada um desempenha papeis com direitos e deveres;
Os nativos de Balança precisam de desenvolver a consciência de que são indivíduos, além se serem pessoas que cooperam com outras; são únicos e com identidade própria e intransmissível, e esta não é apagada por nenhuma relação; fortalece-se antes através da partilha conjunta mas não se desfaz nem deve desfazer-se para agradar ao outro que amamos: amar não é anular-se, é continuar a ser um indivíduo que é simultaneamente 1 e 2 sem que nunca um dos números se reduza ao outro ou seja apagado pelo outro. Balança precisa de aprender a autonomia, algumas experiências devem ser decididas a nível individual: o nosso «self» constrói-se através da relação mas também  tem  uma dimensão que não se confunde com a realidade do outro e, por vezes, quando espreita o conflito ou a dualidade de interesses, é preciso afirmar a identidade pessoal para continuarmos ser quem somos. Afinal, crescemos através da relação com o outro mas em momento algum nos transformamos nele ou ele em nós.

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