Os signos Opostos na Identidade- Caranguejo e Capricórnio, o Desejo da alma e a Cruz do Corpo

O eixo Caranguejo /Capricórnio é considerado por muitos como um dos mais esotéricos do Zodíaco. Caranguejo e Capricórnio são ambos signos cardinais e com polaridade feminina. Os signos cardinais representam o poder de iniciar a mudança, originando novos modos de ser e de fazer as coisas. Mas o elemento destes dois signos é diferente, e isso mostra uma forma diferente de atuação no mundo: Caranguejo é cardinal mas tem  elemento Água e este elemento é acerca de adquirir domínio do plano emocional; por sua vez, Capricórnio tem  elemento Terra e este tem a ver com o domínio do mundo físico. Deste modo, uma primeira coisa que poderemos dizer em relação a estes dois signos contrários é que um –  Caranguejo– se situa no plano da interioridade, é subjetivo, emocional, e individual ; e o outro – Capricórnio- situa-se no plano da máxima visibilidade que é o das instituições, da sociedade e, a limite, da própria humanidade, é coletivo, racional e universalista; Caranguejo vive num mundo privado; Capricórnio vive no plano público da vida comunitária. Assim, aparentemente, cada um destes signos parece contradizer as qualidades do outro. Mas, como tentarei mostrar, em cada um de nós as suas experiências e significados são complementares e ambas necessárias para que cada signo alcance a plena maturidade da sua expressão.
O signo Caranguejo tem uma natureza profundamente emocional e, simbolicamente, tem «saudades do lar». É impossível esquecer a correspondência entre  Caranguejo e a  4ª casa do horóscopo: esta representa o «ponto mais fundo, mais invisível da realidade» e, esotericamente, muitos associam  Caranguejo com o nascimento, com a entrada da alma no plano físico sob a forma humana para viver as experiências específicas do mundo terreno; com a passagem da alma do plano espiritual (o seu verdadeiro lar) para o plano físico. Isto associa o signo de Caranguejo  ao ciclo da morte e do renascimento: Caranguejo representa a descida da alma na matéria para viver uma existência  no mundo físico , sem  perder de vista  a memória da dimensão espiritual que foi o seu começo ; a nostalgia vaga que o nativo sente na psique e que se manifesta na procura instintiva de um «lar» é o sinal de que a alma deseja «voltar para o  porto seguro que é a sua origem» – a espiritualidade que fundamenta a felicidade e a sua  plenitude, combinando-se com  as raízes terrenas que mostram de «onde veio»  e  com aqueles que compõem a sua família e  a sua comunidade.
A dimensão simbólica mais profunda de Caranguejo  tem a ver com o facto de que este signo representa a necessidade de uma base de segurança a partir da qual a alma encarnada vive as suas experiências no mundo sem esquecer que, no plano terreno, ela está «de passagem» e chegará o dia em que regressará  ao plano espiritual de onde veio. Esta simbólica torna os nativos de Caranguejo profundamente motivados pelo desejo de encontrar um «lar», um porto seguro que é também um estado de felicidade e de bem estar. Psiquicamente, as pessoas influenciadas por esta  simbólica  de Caranguejo procuram  eternamente este  «lar mítico» mas essa procura  pode variar bastante, dependendo da maior ou menor inclinação espiritual de cada um.
Em alguns nativos há um desejo premente para formar uma família, enquadrada por uma casa onde possam concretizar a serenidade e a felicidade a que aspiram; onde possam nutrir e cuidar da sua  família e ser, por sua vez, nutridos e cuidados por ela; em outros, a busca do «lar perfeito» assume a forma de uma viagem interior em que, no mais fundo de si mesmos, descobrem uma fonte de luz que é o seu verdadeiro lar. Um lar espiritual em que a luz da alma é nutrida e cultivada através das suas ações , pensamentos e sentimentos, até se tornar tão radiante que transmite calor, serenidade e amor universal ao nativo tornando-se também  num farol espiritual capaz de iluminar e nutrir todos os outros com quem ele  interage.
Caranguejo, na expressão mais elevada da sua energia, corresponde ao propósito mais elevado do amor universal, também simbolizado pela Lua, o  seu regente planetário: constituir um lar espiritual que ilumine , proteja e nutra todos os seres. Este é o «estádio» mais elevado da consciência do signo Caranguejo  e corresponde à consciência de que o amor universal está na base da expressão de toda a vida. Na psique dos nativos que atingem este grau de consciência existe um sentimento de plenitude de quem está «em casa» e a pessoa exprime esse sentimento sob a forma devotada de serviço à humanidade e de prestação de cuidado aos outros, fazendo coincidir a expressão mais personalizada do seu sentir com a que é  mais universal e coletiva. Mas, para isto ser possível , cada nativo tem que aprender e exprimir as qualidades do signo de Capricórnio.
Capricórnio é um signo muito prático, «terra – a – terra» e distanciado em relação às emoções do Zodíaco. Mas, no limite das experiências representadas por este signo, existe uma dimensão espiritual que tem sido enfatizada por várias tradições ligadas ao conhecimento tradicional e esotérico. Nessas abordagens, Capricórnio é considerado  a partir da analogia entre a 10ª casa ou «ponto mais alto do céu» que corresponde ao signo e o solstício de Dezembro que antecede a chegada do Inverno no hemisfério norte : esta simbólica corresponde ao ponto mais longínquo em que a matéria e a luz espiritual se unem e que, na tradição cristã é também simbolizada pelo nascimento de Cristo que se ergue da matéria para o divino; ou pela dormência aparente da vida durante o inverno, em que as formas tangíveis da vida morrem mas em que a sua semente é nutrida «em segredo» para explodir numa radiância de luz logo que surge a Primavera.  Capricórnio simboliza este segredo de que a morte contém a vida, uma vida que pode não ser fisicamente perceptível mas que não perde as suas qualidades mais essenciais, voltando a surgir sob a forma de luz e de cor na Primavera.
 Capricórnio está profundamente imbuído do mundo material e a sua ambição para dominar eficazmente todos os seus recursos é bem conhecida. O nativo de Capricórnio tem uma natureza pragmática e ambiciosa; é disciplinado e pode ser bastante duro e rígido; é responsável e tem boas capacidades de planeamento, e também a qualidade da paciência e da persistência: Consegue trabalhar de modo firme sem abrandar perante as adversidades para atingir os objetivos que delineou mas tem pouca capacidade de adaptação, gostando de trabalhar com esquemas definidos e com provas dadas. Também é teimoso e obstinado e, se isso é bom porque  lhe permite levar a bom termo objetivos e tarefas de  longo termo, por outro lado  também lhe retira a espontaneidade pois o nativo fecha-se por completo aos estímulos imediatos com que se depara e nem sempre é fácil simpatizar com ele à primeira vista, pela  sua aparência séria, reservada e fria ou distante,  que não o torna propriamente a pessoa mais popular, ao contrário do que acontece com o signo oposto, Caranguejo ,que se rodeia facilmente de amigos.
Nos nativos mais comuns, existe um desejo de reconhecimento muito forte , o que não admira, pois Capricórnio representa a culminação do desenvolvimento da posição e status social através dos próprios esforços ou ação individual. Mas é fundamental não esquecer o «outro lado» de Capricórnio, que é o desenvolvimento de uma identidade espiritual. E é aqui que os dois signos, Caranguejo e Capricórnio partilham significados comuns: Capricórnio não é apenas o materialista desenfreado que apenas aspira a riqueza, status e ao poder exercido sobre outros pela gestão das instituições e das organizações. Capricórnio  é também isto mas encerra outros significados que se associam ao seu regente, Saturno como o  do «Asceta», aquele que renuncia aos bens materiais para desenvolver a sua espiritualidade.
Os nativos de Capricórnio deparam-se, na sua existência terrena, com alguns temas fortes na existência material, como a carreira, o estatuto social e a riqueza, o poder e a autoridade. Mas, para além destes aspetos, Capricórnio também significa o ponto em que o ser humano aprende a fazer uso dos seus recursos espirituais e onde fazemos «chegar a luz» aos pontos mais recônditos da natureza material humana. Não é por acaso que tradições orientais consideram que Capricórnio simboliza o nascimento da consciência crística ou «consciência universal».
Deste modo, em sentido profundo, Capricórnio simboliza o contributo que as conquistas no plano material na sua máxima expressão têm no desenvolvimento de uma consciência mais espiritual em que o homem, tendo tirado o máximo partido das riquezas e dos bens mundanos que a vida na comunidade pode oferecer, aspira a um «segundo nascimento», já não como alguém que procura o reconhecimento no mundo, testando o poder e a autoridade pessoais mas como alguém capaz de renunciar a tudo isso para se redescobrir na sua dimensão espiritual. Isto é, Capricórnio permite o «regresso da alma ao lar», na jornada iniciada por Caranguejo: neste signo a alma tornou-se una com o mundo material; em Capricórnio dá-se de novo a separação e a alma regressa ao seu lar espiritual.
E, para que isso seja possível,Capricórnio precisa das competências do signo de Caranguejo: porque não é possível descobrir a espiritualidade sem uma viragem para o interior de si mesmo, para os processos da subjetividade e para as suas raízes mais fundas. Esgotadas as possibilidades de crescer mais no plano material, o homem está pronto para «regressar a casa», ao lar de onde partiu e esse está guardado no íntimo de si próprio à espera que o nativo, por iniciativa própria, liberte os recursos que existem dentro de si.
Assim, de que modo é que  Caranguejo  e  Capricórnio se completam e se complementam um ao outro?
Num plano mais mundano, é óbvio que as qualidades de Capricórnio são fundamentais para o nativo de Caranguejo se tornar mais resistente e disciplinado, não perdendo de vista  os objetivos essenciais: é que existe um momento em que os laços demasiado fortes à vida familiar, à comunidade de origem ou à regras sociais que  foram interiorizadas nos primeiros tempos de vida se tornam empecilhos do desenvolvimento individual e impedem o nativo de crescer. Os nativos de Caranguejo  enfrentam muitas vezes a necessidade de rever ou mudar os seus apegos mais enraizados ou a sua abordagem  em relação àquelas coisas que lhes dão segurança. Trata-se de experiências muito difíceis para estas pessoas , tão dependentes que são de todos os seus afetos. A capacidade de desligamento  em relação às emoções, que é próprio de Capricórnio , é uma competência que os nativos de Caranguejo precisam de desenvolver, bem como as competências práticas de domínio do mundo físico. Quando  Caranguejo não desenvolve as competências próprias de adaptação, correspondentes ao seu signo complementar, torna-se alvo de medos, inseguranças e insatisfação interior, ficando perdido  em mil  emoções avassaladoras e tomado pela melancolia difusa de quem não sabe qual é o mundo a que pertence.
Caranguejo, por seu lado, sofre de um handicap crónico: a sua motivação para o sucesso no mundo material  fá-lo esquecer-se, muitas vezes, de que  há mais realidade para além do dinheiro, do status e das conquistas materiais. Esta ambição pode torná-lo num ser frio e muito egoísta que amarfanhou há muito todos os seus sentimentos e outras «fraquezas», procurando sem cessar mais e mais poder. Mas, mesmo quando isto acontece, por detrás da expressão fria e distante de Capricórnio há muitas vezes uma grande vulnerabilidade emocional, um desejo inconfessado de ser amado e um sofrimento interior pela insatisfação em relação a essa dimensão  da sua vida.
Para realizar a simbólica mais elevada correspondente a Capricórnio, o nativo tem que aprender a aceitar as próprias emoções e a  vulnerabilidade correspondente, afastando a sua atenção do mundo exterior e das conquistas nesse plano e virar-se para a sua subjetividade , dar atenção às suas necessidades emocionais, ouvindo-as e expressando-as e isso só é possível se ele vivenciar as qualidades que são próprias do signo oposto, Caranguejo. Só deste modo é possível a  Capricórnio expressar os significados mais elevados de vivência espiritual, correspondentes à sua natureza mais elevada.

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