O I ching, o Livro das Mutações

O I Ching ou «Livro das Mutações» é um antigo livro de sabedoria chinês que se estima ser anterior à dinastia Chou, que teve início no século XII a.c. e que, ao longo de muitos séculos, foi utilizado como um «livro oracular».
Este livro, porém, ultrapassa em muito a simples condição de «oráculo» pois é também um livro de profunda sabedoria, verdadeiramente inspirador sobre a dinâmica inerente à realidade cósmica que também se manifesta no homem como unidade que contém potencialmente a mesma dinâmica universal da realidade. Ele foi fonte de inspiração de correntes importantes da filosofia chinesa, como o Confucionismo ou o Taoismo e tem inspirado todos aqueles que se têm dedicado à compreensão dos seus princípios, materializados nos 64 hexagramas que o compõem. Para muitos, é um mestre conselheiro que guia e orienta, ajudando a formular caminhos quando se encontram em hesitação ou a saber quando evitar a ação quando esta é imprudente ou desaconselhável.

A literatura chinesa considera 4 autores deste livro: Fu Hsi, Rei Wen, Duque de Chou e Confúcio.

Na Antiguidade era muito comum o recurso aos oráculos para saber que caminho seguir, e isso ditou a composição dos hexagramas, formados por linhas, umas inteiras e outras partidas, em diferentes combinações ou «mutações», que indicam o desenvolvimento dos eventos a partir da formulação de uma dada questão. Uma linha simples (__) queria dizer «sim»; uma linha partida (__ ; __) queria dizer «não». Inicialmente estas linhas foram combinadas em pares, aos quais se associou uma terceira linha e, desse modo, surgiram 8 trigramas, concebidos como uma imagem de tudo o que acontece no Céu e na Terra. Acreditava-se que estes trigramas mostravam estados da realidade que mudavam continuamente transformando-se uns nos outros. Assim, estes trigramas indicam os movimentos da realidade enquanto esta muda de um estado para outro. Mostram como um evento qualquer tende a evoluir e a mudar, conduzindo a determinado resultado.
Este livro contém também o princípio de sabedoria segundo o qual há algo imutável no seio de todas as mutações: há uma lei universal e imutável que atua em todas as mutações, um principio de unidade que subjaz em toda a mudança. Esta dualidade do cosmos, que é ao mesmo tempo uno e múltiplo, forma uma dinâmica eterna entre opostos que, na China, recebeu o nome de Yin e Yang, o princípio recetivo e o princípio criativo inerentes a toda a criação. Este dualismo também se exprime pela alternância entre a ação (ativa e criadora) e «o não agir» ou a «espera» quando o curso dos acontecimentos assim o aconselha.
Durante muitos séculos, filósofos, magos e muitos anónimos, tornaram famoso este livro como uma «ferramenta de adivinhação». Mas, em que se baseia tal pretensão? Por um lado, sem dúvida, no reconhecimento de que existe uma real sabedoria arcana, profunda e espiritual nos conselhos associados às imagens que compõem as «mutações»; por outro, na real experiência de muitas pessoas que, tendo «consultado» o livro, encontraram real inspiração para se guiarem em momentos de indecisão ou de necessidade de apoio espiritual.
Finalmente, cabe também mencionar que a «consulta oracular» do I Ching tem o condão de nos fazer sintonizar com a nossa realidade mais profunda e espiritual, numa verdadeira comunhão com o «eu subconsciente» e que é este que nos guia, verdadeiramente, se soubermos colocar-nos na postura adequada, quando fazemos uma pergunta para a qual necessitamos de ajuda ou de conselho espiritual. Como se costuma dizer entre os místicos, «Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece». E o mestre está dentro de cada um de nós, quando conseguimos deixar de lado a confusão e o ruído da mente exterior e nos focamos na mossa mente mais interna e essencial. Aí, a sabedoria milenar e cósmica do I Ching conjuga-se com a autenticidade da nossa necessidade e a ajuda aparece, na forma de inspiração.

Como Consultar o I Ching

Em primeiro lugar, formular uma pergunta para a qual precisamos, realmente, de encontrar uma resposta. A questão deve ser formulada de forma simples e clara, de modo a poder ser respondida sob a forma de «sim» ou «não». Se fizermos uma pergunta para a qual não precisamos, verdadeiramente, de saber a resposta, o oráculo dá uma resposta que mostra a nossa impertinência. Deve haver uma postura sincera, autêntica e humilde que corresponda a uma real necessidade de saber.
Na antiguidade existia um ritual de consulta que implicava a preparação da pessoa e a consulta era feita usando 50 varetas de caule de milefólio. Na atualidade utilizam-se habitualmente moedas por ser um método mais prático. Usam-se três moedas que são lançadas juntas, após a pessoa ter formulado a questão de forma clara e tomando consciência do que deseja saber.
Idealmente devem usar-se moedas com uma face lisa e uma face inscrita. A face inscrita é considerada yin e a face lisa é considerada yang. As moedas são lançadas ao ar 6 vezes e , de cada vez, forma-se uma linha que compõe, no final, um determinado hexagrama que contém a resposta para a questão.
Sugerimos-lhe que experimente usar este oráculo para obter inspiração para algo que deseja realmente saber. Existem muitos sítios na Internet, em Inglês e em Português onde pode fazer esta consulta. Em modo de exemplo, deixamos a sugestão de um em Português e outro em inglês que nos parecem de qualidade. Atreva-se e experimente!
Talvez se surpreenda e compreenda a razão pela qual grandes pensadores e homens de ciência, para além de muitas pessoas comuns, têm recorrido à consulta deste livro de Sabedoria para obter respostas e encontraram nele uma verdadeira inspiração.

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