O Homem e os Corpos Subtis

Durante muitos séculos a nossa conceção do homem foi marcada pela visão deixada pelos filósofos e pelos cientistas do Mundo Ocidental, sempre indecisos entre a matéria ou o espírito, entre aceitar que o ser humano é mais do que um agregado de partículas materiais ou, pelo contrário, é apenas isso;
Durante séculos,  hesitámos entre as posições dos atomistas ou materialistas, que eram defensores de que o homem é um ser puramente efémero, mortal e fruto do acaso da Natureza, cega nos propósitos e orientada por leis puramente mecanicistas e, por outro lado, as opiniões religiosas que defendiam que essa matéria era animada por uma «alma», ou centelha divina imortal.
Uns e outros estiveram, geralmente, em lados opostos, exceto quando acreditavam, como sucedeu com o filósofo do sec. XVII, Descartes, que o homem era composto por duas substâncias distintas, uma material que formava o corpo e a outra espiritual, que residia no intelecto. Mas a tendência geral, hoje, quando se discutem estas ideias, é a de que apenas a religião ou a filosofia podem aceitar a existência de uma «alma» ou princípio espiritual porque este não pode ser demonstrado quanto à sua existência, à luz das regras científicas.
Porém, será  que é assim? Desde há milénios que culturas orientais como a Chinesa, a Hindu e outras com  uma tradição fortemente espiritual aceitam, nos  procedimentos científicos ligados à cura das doenças, o pressuposto de que o homem é mais do que um mero corpo físico. E essas formas de medicina são cada vez mais procuradas no mundo ocidental. Muitos médicos ocidentais fazem formação nessa área ,complementando  assim o seu saber e diversificando os métodos de abordagem e de cura da doença.
Vários saberes  debruçaram-se  de forma profunda sobre a constituição dos campos energéticos que envolvem e influenciam o corpo físico; fundamentaram-se no estudo de documentos muito antigos guardados em templos pouco acessíveis, no Tibete e em outras paragens mais ou menos míticas. Um deles é a Teosofia, um movimento fundado pela carismática Madame Blavatsky no sec. XIX, que fez furor  primeiro com a obra Ísis sem Véu e depois com a publicação da obra em vários volumes e recheada de tesouros de sabedoria, A Doutrina Secreta, da qual confessamos ser leitores fieis desde há muito. De acordo com a Teosofia, que se baseou no saber ancestral da Índia, o homem tem uma constituição setenária: possui, para além do corpo físico, outros 6 corpos, não visíveis a «olho nu» a não ser para aquelas pessoas que têm perceção extra sensorial.
Assim, e porque acreditamos na verdade da visão antropológica revelada pela Teosofia acerca da constituição do ser humano, apresentaremos ao leitor algumas referências sobre cada um desses 7 corpos que, segundo os ensinamentos esotéricos , compõem a nossa realidade: o corpo físico é apenas o mais tangível e percepcionável para os sentidos físicos, porém ele está longe de ser tudo o que cada um de nós é. E, já que falámos de matéria, cumpre esclarecer que todos os «corpos» do homem são de matéria (ou energia) mas apenas o corpo físico é captável através do sentido físico da visão. Cada uma dessas expressões de matéria tem uma frequência vibratória que se vai tornando mais subtil nos corpos superiores.
O corpo etérico ou vital não é exclusivo dos seres humanos, existe em todos os seres vivos, animais e vegetais. Os clarividentes, que têm capacidade para percepcionar as realidades mais subtis, visualizam este «corpo» como um campo energético envolvendo e penetrando o corpo físico, com uma extensão um pouco superior à do corpo físico, do qual emerge como uma espécie de ovo luminoso colorido . Este é um corpo de energia e é nele que se situam os chakras de que temos vindo a falar nas últimas semanas. Ele é a matriz da formação do corpo físico e está intimamente conectado com ele. É o corpo etéreo que mantém a coesão e a forma do corpo físico: no momento da morte ele separa-se do corpo físico e, em pouco tempo, este desagrega-se e decompõe-se. De acordo com os princípios esotéricos, o corpo etéreo é o construtor do corpo físico e os seus centros de consciência, ou chakras, estão conectados com o sistema nervoso do corpo etérico conduzindo energia a partir de dois polos opostos: a energia terrestre, designada por kundalini parte da base da coluna etérica (junto à coluna do corpo físico), uma energia poderosa associada à raiz da sexualidade. Mas o corpo etérico também capta energia de planos mais subtis, através dos vários chakras, de origem oposta à terrestre e que tem vários níveis de frequência: da mais densa para a mais subtil temos: a astral, a mental, a búdica e a átmica.
De fora da Teosofia outros autores bem conhecidos e associados à ciência, como o professor Hernâni Guimarães de Andrade, referem-se ao corpo etérico como um «modelo organizador biológico» em que o corpo etérico e o corpo astral são vistos como campos biomagnéticos que atravessam o corpo físico reproduzindo as formas e os órgãos deste sob a forma de campos energéticos. Pessoas comuns com dons de clarividência chamam ao corpo etérico «aura» que veem como uma espécie de halo luminoso envolvendo todos os seres vivos.
Outro autor bem conhecido dos meios esotéricos, Max Heindel, refere-se ao corpo etérico como «corpo vital» que tem por função sustentar as forças da vida presentes no corpo físico e considera este «corpo» como um duplo do corpo físico embora com a diferença de que tem um polaridade oposta, isto é, se o corpo físico é de sexo feminino, o corpo vital ou etérico é masculino e vice-versa. Max Heindel diz ainda que este corpo, ligeiramente maior do que o corpo físico, estende-se ligeiramente para além dele e reproduz, no seu plano, todas as moléculas do corpo físico. É ele que permite as funções de assimilação, de crescimento e de propagação dos seres, sendo a base da vida orgânica.
É o corpo etérico que permite a ligação do corpo físico com os outros «corpos» mais subtis que compõem a realidade humana. Em sânscrito, o corpo etérico designa-se por «Linga Sharira» ou «veículo molde» como referência ao facto de ser a partir dele que se gera a construção do corpo físico. O corpo etérico pode projetar-se para «fora» do corpo físico até uma determinada distância. Diz-se que quando isso acontece, o corpo etérico pode ser ferido por objetos cortantes e que, ao voltar a unir-se ao corpo físico, esses ferimentos se repercutem no plano físico, aparecendo no corpo físico. No momento da morte o corpo etérico é descartado, sofrendo desintegração e decomposição. Não se confunde com o chamado «corpo astral», embora seja por alguns designado como a parte inferior do duplo astral do corpo físico, uma vez que corresponde à primeira camada do campo energético humano.
Várias formas de Medicina milenares, como a chinesa, assentam no conhecimento deste corpo etérico e das suas funções a base dos seus processos de cura, como sucede na acupunctura.

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