As superstições, donde Vêm?

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Hoje vamos falar de superstições. As superstições são consideradas «crenças infundadas», isto é, são vistas como algo em que se acredita  mas que ao mesmo tempo não é verdadeiro nem tem qualquer apoio nos factos.

São muitas vezes associadas a épocas passadas de «obscurantismo» em que, na ausência de uma ciência  que pudesse explicar de forma objetiva, apareceram como formas de compreensão de  muitos fenómenos cuja explicação falhava ao homem que tinha apenas na sua experiência pessoal e coletiva e na religião e nos mitos  uma base para o ajudar a compreender e a lidar com um mundo  que lhe escapava a cada momento na sua imprevisibilidade e consequências  muitas vezes catastróficas.

Deste modo, não erraremos se pensarmos que as superstições surgiram porque o homem teve necessidade de tornar favoráveis as forças cósmicas que penetram o mundo natural  e cujo descontrolo implicava muitas vezes  desconforto e até a morte devido a pestes, a catástrofes naturais, etc.

A Natureza era vista pelo homem do passado como sendo penetrada por forças espirituais e essas forças de vez em quando precisavam de ser apaziguadas para não prejudicarem a vida dos seres humanos. Muitas práticas e rituais nasceram desta compreensão do mundo natural, associadas à religião primitiva e aos seus mitos.

A tradição oral conservou esses rituais e o seu significado tem permanecido no imaginário coletivo da humanidade. As superstições passaram de geração em geração, tendo muitas delas sobrevivido  durante milhares de anos até à atualidade.

Quando ,a partir do século 17, a mentalidade racionalista usou a matriz matemática para explicar os eventos e a realidade, as superstições foram relegadas para segundo plano e a ciência tornou-se uma espécie de oráculo moderno que tudo sabe mas através do uso da razão e da aplicação de fórmulas matemáticas ,que parecem excluir completamente as superstições.

Mas três séculos de ciência racionalista chegaram para percebermos que a ciência não explica tudo e que cada um de nós, apesar de poder ter uma verdadeira «fé» na ciência, guarda, a propósito desta ou daquela realidade, alguma superstição. Porque é que isso continua a acontecer? Será apenas por falta de instrução das «massas» como dizem alguns?

Por falta de conhecimento científico sobre essas matérias? Ou será antes que a ciência, por melhor que seja, é incapaz de decifrar todos os mistérios da realidade que nos cerca  e, quando a ciência falha, resta apenas a superstição? Inclinamo-nos para aceitar esta última hipótese. As superstições lidam com alguns  dos mistérios que cercam a nossa vida.

Por ex., a «sorte» ou o «azar». Porque razão algumas pessoas parecem ser perseguidas pelo azar enquanto que outras, sem qualquer razão aparente, parecem ter  boa sorte sem qualquer esforço? Ninguém consegue responder a isto usando apenas a ciência. E não nos venham dizer, os otimistas do costume,  que a «má sorte» é apenas resultado de «más escolhas». Muitas vezes não é.

Uma coisa é certa: a realidade resiste muitas vezes a ser explicada de forma racional e os fatores desconhecidos, não podendo ser todos   explicados através do pensamento lógico racional, acabam por gerar uma atitude designada por  superstição que , no fundo, corresponde  à crença de que existem forças desconhecidas a contribuir para a produção de alguns fenómenos que afetam a nossa vida.

Muitas dessas forças são más ou perigosas, conclui a intuição humana, e o melhor é nós seguirmos certos comportamentos ou rituais para impedir que tais forças, quando são maléficas, se introduzam na nossa vida.

 Porque, no fundo, todos os seres humanos sabem pela sua própria experiência de vida, que a cadeia causal entre os acontecimentos tem muitas vezes eventos que mais parecem saídos de uma total ausência de sentido e isso gera inquietação, medo e ansiedade- o desconhecido pode irromper  de repente e deitar por terra as nossas hipóteses racionais de explicação das coisas.

Por isso queremos  aqui refletir um pouco sobre a  origem e a natureza de algumas das superstições que acompanham a humanidade desde há muito e mostrar que o medo do desconhecido é um denominador comum à generalidade das superstições.

Este medo associa-se à ideia de que nunca poderemos prever realmente nada em absoluto porque, para além da realidade que os nossos sentidos e a nossa mente são capazes de captar, existe uma camada inquietante e ambígua, que se interliga com aquela e que não pode ser prevista nem tem uma explicação completamente lógica mas que sentimos que pode minar completamente as nossas vidas.

Na próxima reflexão de fim de semana começaremos a analisar algumas das superstições que fazem parte do nosso imaginário coletivo.

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