Superstições sobre o Casamento

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Algumas das tradições e superstições mais conhecidas dizem respeito ao casamento. Isso não admira pois, desde os tempos mais antigos, o casamento é uma instituição fundamental para a sociedade e uma aventura (literalmente, sobretudo nos tempos mais antigos em que o casamento nada tinha a ver com o amor) para o jovem casal que inicia uma vida em conjunto. Como tal, é um evento, mesmo hoje  em dia, que suscita alguma ansiedade pois ninguém consegue prever exatamente como é que ele vai correr. E, se hoje o casamento facilmente  pode terminar com um ato administrativo simples que formaliza o divórcio, durante muito tempo e em muitas culturas ele era visto como um compromisso para a vida e que importava proteger ao máximo das más influências. Daí terem nascido algumas das superstições mais conhecidas sobre o casamento:

Superstições  para afastar a má sorte ou as más influências no Casamento

Uma das tradições mais antigas é o uso do véu pela noiva. Esta tradição ter-se –á iniciado na Antiga Roma e servia para que a noiva passasse «despercebida» ou disfarçada para que maus espíritos invejosos não lhe fizessem mal por  invejarem a sua felicidade;

Outra tradição semelhante é  carregar a noiva ao colo até ao limiar da sua nova casa. Este costume iniciou-se na Europa Medieval  e deveu-se à crença de que a noiva era vulnerável (só ela, pois claro, pois, como mulher, era a «parte fraca») aos maus espíritos, através da sola dos pés por isso o noivo carregava-a para se certificar de que nenhum mau espírito ia para a sua casa através da noiva.

Outra superstição diz respeito a cruzar-se com uma freira ou monge  a caminho do casamento (mais uma vez, diz respeito à noiva. O «mal» que acontecesse no casamento só podia ser levado por ela, a parte mais fraca). Isto significava uma vida futura de pobreza ,de indigência e de esterilidade, devido à associação simbólica entre os monges e as freiras e a  renúncia à riqueza e aos confortos materiais da vida. Cruzar-se com um deles significava «passar» a sua forma de vida para a vida do casal, sendo por isso mau agouro.

No simbolismo das joias dá azar usar pérolas num anel de noivado pois a sua forma semelhante à de uma lágrima dá má sorte, atraindo infelicidade. Pelo contrário, usar uma safira num anel de casamento/ noivado significa felicidade conjugal; usar uma água marinha no anel simboliza a harmonia conjugal  e assegura um casamento longo e feliz.

Segundo a tradição, quando  a irmã mais nova de duas irmãs casa primeiro, a mais velha deverá dançar descalça no casamento, ou não casará. Talvez, conjecturamos nós, porque  o facto de estar descalça simboliza a sua humildade e a aceitação do primeiro que lhe apareça com a intenção de casar pois, sendo mais velha, as «boas oportunidades» já se foram e não pode dar-se ao luxo de ser «esquisita» na escolha.

Durante a época dos Tudor, em Inglaterra, surgiu o costume de atirar com sapatos aos noivos, para assegurar que estes teriam uma vida próspera. Este costume, numa época em que ter um par de sapatos não era para todos, é compreensível embora nos perguntemos como é que reagiriam os noivos ao apanharem com um par de sapatos na cara… nos dias de hoje a tradição foi revista (não admira…): prende-se um par de sapatos na parte traseira do carro. Em outros países, lança-se arroz para cima dos noivos, para desejar abundância e prosperidade (o cereal é um símbolo de prosperidade e, por isso, de vida  confortável assegurada. E também é um símbolo da fertilidade , da Terra e da noiva); na Checoslováquia parece que não gostam de arroz e atiram ervilhas.

Costumes e Superstições do Casamento

Quem não conhece a velha exigência de que a noiva deve levar «uma coisa velha, uma coisa nova, uma coisa emprestada e uma coisa azul»? Pois a razão é muito simples: a coisa velha é o passado da noiva, algo de que ela não se envergonha e por isso simboliza dessa forma; algo novo simboliza a sua vida futura, com o seu marido; algo emprestado: a noiva deve assegurar-se de que pede algo emprestado a um casal feliz para , ao usar algo emprestado dele, «transferir» para o seu próprio casamento  a felicidade do outro casal. E quanto à «coisa azul» simboliza os votos de fidelidade e de amor do casal.

Muitos de nós já ouvimos  dizer que, se o noivo vir a noiva antes do casamento isso dá azar. Sabe o (a) leitor (a) donde vem esta superstição? Bom, vem dos tempos em que o casamento tinha pouco ou nada a ver com o amor  e tinha tudo a ver com um «negócio» de troca. Quando os casamentos eram arranjados os noivos não se conheciam antes de se encontrarem na cerimónia. E, a julgar pela superstição enraizada, o número de noivas pouco atraentes deve ter sido grande. Era melhor o noivo não a ver antes do casamento, não fosse mudar de ideia…

E quanto às prendas? Já se lembrou de oferecer um conjunto de facas como prenda de casamento? Má ideia, as facas são símbolo de corte e, por isso, pensa-se que dão azar se forem recebidas como prenda pois significa que o casamento se desfará. Assim, a única forma de receber facas nesta ocasião (porque afinal fazem jeito na cozinha) é os noivos darem um cêntimo  a quem as ofereceu. Desse modo passam a ser uma compra e já não há azar…

E se você planeou um belo dia de casamento ao ar livre e, nesse dia chove que Deus a dá? Infelicidade? Nada disso, fique sabendo que é um excelente augúrio, simboliza fertilidade e limpeza. A noiva ficará grávida logo a seguir ao casamento e que pode acontecer de melhor do que ter um filho? Quanto à festa, é para isso que se fizeram os espaços cobertos.

Alguns povos têm umas crenças curiosas. Veja os ingleses, por ex, que juram que se a noiva descobre uma aranha no seu vestido de noiva (onde será que ela o comprou ou guardou para isso poder acontecer?) isso é um excelente sinal de boa sorte. Não nos pergunte porquê, estamos até agora sem entender.

Já os irlandeses, acham que o ruído de campainhas atrai a boa sorte pois afasta os maus espíritos (que devem apreciar o silêncio, pensamos nós) e por isso são tocadas campainhas nos casamentos e as noivas chegam a levar algumas campainhas pequeninas no bouquet para se lembrarem dos seus votos de casamento.

E quanto às noivas prendadas, que gostam de bordar, fiquem a saber que devem resistir tenazmente à tentativa de bordar o vosso nome de casadas antes da cerimónia acontecer pois correm um grande risco de que ele não se realize. Temos para nós que esta superstição nasceu da ideia de que é difícil conseguir um casamento e, por isso, o melhor é tratar o assunto com pinças e luvas de veludo. Não vá a má sorte impedir o evento e acabar com a esperança da futura noiva!

Em Itália há um costume engraçado, partir algo de vidro. Os recém casados partem uma jarra de vidro com toda a energia de que são capazes. E depois contam o nº de fragmentos que daí resulta: cada fragmento simboliza um ano de feliz casamento. Não admira que usem toda a energia de que são capazes, é bom fazerem algo para que a felicidade dure!

E se a noiva chora no dia do casamento? É excelente, diz a tradição, pois é bom que ela gaste as lágrimas todas antes de iniciar a sua vida nova. Significa que esta será feliz.

Na Suécia, tradicionalmente, a noiva coloca uma moeda de prata do pai e uma moeda de ouro da mãe em cada sapato para assegurar que o dinheiro não lhe vai faltar na sua nova vida de casada.

Na Holanda  planta-se um pinheiro em frente à casa dos recém casados como símbolo de fertilidade  e de sorte.

Durante muito tempo as noivas usavam um vestido sem características especiais, não havendo a definição de «vestido de noiva». O costume de usar vestido de noiva branco foi iniciado pela rainha Vitória em 1840. Mas isto foi na Europa pois no Japão o uso de vestuário branco para o casamento era muito antigo.

E sabe o (a) leitor (a) porque usamos a expressão «dar o nó» para exprimir que alguém se vai casar? Tem a ver com o costume em muitas culturas diferentes – celta, egípcia, hindu- de atar as mãos dos noivos para simbolizar o compromisso de ambos em relação um ao outro e a sua união como casal.

Quanto às festas de despedida de solteiro (que hoje se fazem tanto pelo lado do noivo como pelo lado da noiva- sinal da democracia de género da atualidade) foram os antigos soldados espartanos que iniciaram o costume, ao fazerem festas  ruidosas para se despedirem da sua condição de solteiros.

E quanto às raparigas solteiras  que assistiam tradicionalmente aos casamentos desejando elas próprias casar? Bem, havia uma forma de saberem se iriam satisfazer ou não esse desejo: bastava levar uma fatia do bolo de casamento para casa e colocá-la debaixo da almofada (devidamente acondicionada em embalagem estanque, esperamos). Durante a noite sonhariam com o futuro marido. Ou não, o que seria uma tragédia, pois ficariam para tias, numa época em que mulheres solteiras eram uma verdadeira tragédia em sociedade, equivalente a ser pária social.

E terminamos esta apresentação de algumas (há muitas mais) das superstições e costumes associados ao casamento: segundo a tradição grega, se a noiva colocar um cubo de açúcar na sua luva, isso fará com que o seu casamento seja doce e feliz. E esta? Afinal é bem simples a receita. Experimente, mal não fará…