As Plantas, o Trevo e a Mandrágora

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As plantas foram, durante muitos séculos, usadas para curar e para matar(pela extração das suas substâncias tóxicas usadas como venenos) por isso não admira que haja muitas superstições relacionadas com as plantas. Os que dominavam os segredos das plantas, os boticários, curandeiros, bruxos ou xamãs,  eram os verdadeiros médicos em tempos passados. Mas, para além disso, as tradições sagradas estão cheias de referências a plantas, como tendo determinados poderes, desde tempos muito antigos. Só para dar um exemplo, lembremos as tabuinhas de argila deixadas pelo povo sumério há cerca de 5 mil anos e a sua  epopeia de Gilgamesh , toda ela circulando à volta da procura de uma determinada planta… as plantas, para além de terem propriedades químicas bem conhecidas desde há muito, têm também valor simbólico e as superstições que se foram criando em volta delas combinam tudo isso, mais a experiência dos povos , os seus usos e costumes.

E, porque tem uma propagação praticamente universal, cruzando diversas culturas, começamos por falar do trevo, do trevo de 4 folhas, claro. Esta erva tem propriedades que melhoram as qualidades do solo, oxigenando-o e isso não deve ser alheio à boa reputação da planta, para além de outras propriedades. A fama de que a planta favorece a  sorte remonta, imagine-se, ao Paraíso do Eden , quando Eva , ao ser expulsa com Adão, pegou num trevo de 4 folhas para se lembrar da boa vida que tivera até então.  O trevo, como bem sabemos, é uma erva muito comum mas, habitualmente, tem 3 folhas. E, como a sorte é algo raro, o trevo da sorte, que se estima aparecer na proporção de 1 por cada 10 000, tinha que ter 4 folhas para se diferenciar. Alguns povos antigos, como os egípcios, ofereciam um trevo de 4 folhas a um casal de recém- casados para lhes desejar um casamento abençoado e simbolizar o amor eterno entre ambos. Cada folha do trevo tem também um significado específico: uma representa a fé, outra a esperança, outra o amor, e outra a sorte. Ao fim e ao cabo, o conjunto dos ingredientes que produzem uma boa vida.

Na tradição irlandesa, afirma-se que os druidas usavam o trevo para curar os doentes e  também em rituais para afastar o mal.

Algumas das crenças associadas ao trevo de 4 folhas dizem que se uma pessoa encontrar um trevo de 4 folhas, nesse mesmo dia também encontra uma pessoa que será o seu amor no futuro. Uma outra diz que se tivermos um trevo de 4 folhas qualquer projeto que levemos a cabo prosperará. Outros ainda afirmam que, quem tiver um destes trevos da sorte, também será capaz de ver as fadas.

Mas também se adverte que o trevo de 4 folhas só dá sorte se for mantido fora dos olhares dos outros e se não for oferecido a ninguém (também encontrámos uma referência que dizia que se oferecermos o nosso trevo  a sorte que temos será duplicada).Quem sabe quem tem razão?

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A mandrágora é uma planta que faz parte do imaginário, tanto popular como mágico. Trata-se de uma herbácea aparentemente insignificante, que produz uns frutos com cheiro fétido mas que tem uma raiz que nos deixa  cheios de espanto porque se assemelha a uma figura humana, ainda que grotesca. Ora, esta planta, muito conhecida entre os que se dedicam a práticas de magia, é considerada muito poderosa, podendo, segundo dizem, cancelar a esterilidade das mulheres inférteis (e outros animais)  e também se pretende que tem propriedades afrodisíacas, gerando um amor compulsivo. Segundo parece, os videntes usam esta planta para «aclarar» as suas visões.

O visco branco é uma planta também fortemente enraizada na tradição, incluindo a do Natal. Segundo a tradição, a planta protege contra o relâmpago e a trovoada. Adicionalmente, cura várias doenças (aspeto comprovado pela ciência moderna, que extrai da planta importantes componentes de medicamentos). A tradição refere ainda que uma rapariga, quando está debaixo do visco branco ,não pode recusar ser beijada seja por quem for, desde que lhe seja pedido. Este costume mantém-se na nossa tradição natalícia  e ,provavelmente, está associado à ideia de que os arbustos perenes representam a fertilidade  da vida logo a seguir ao solstício de dezembro que põe fim aos longos dias de inverno.

Todos nós conhecemos as virtudes do alecrim, até mesmo curativas pois, nos tempos em que o alívio das dores reumáticas era difícil de alcançar, o álcool de alecrim servia para atenuar muitas dores. Mas talvez nem todos saibamos que, segundo a crença, plantar alecrim à frente da casa é uma excelente forma de evitar a bruxaria e todo o mal de entrar em nossa casa.

A cebola é outra planta cheia de virtudes. Mas você sabia que, segundo a tradição, colocar uma cebola partida em duas metades debaixo da cama de um doente afasta a febre e os venenos que possam estar a produzir mal estar na pessoa? Bom, alguns dos princípios ativos da cebola são voláteis, será que estes, ao libertarem-se quando a cebola é cortada, serão capazes de produzir esses efeitos? Não sabemos mas sabemos, por ex., que um chá de cebola, pese o mau paladar, é uma receita eficaz contra as constipações. Talvez isso ajude a debelar a febre…

E as bolotas são afinal mais do que frutos inúteis do carvalho. Segundo a tradição, andar com uma bolota dá sorte e assegura uma vida longa. (pena que não seja suficientemente bonito, o fruto, para usar como pendente) . E colocar uma bolota junto da janela impede o relâmpago de entrar.

A alface, tão comum nas nossas saladas, também tem muitas propriedades escondidas: por ex. você talvez saiba que o chá de alface  é um eficaz preventivo de insónias mas sabia que a alface tem o poder de produzir o amor ou que pode «cortar» os efeitos do vinho? Pois nós também não sabíamos e, francamente, ficamo-nos pelo efeito sedativo da alface. Duvidamos muito que o excesso de bebida possa ser anulado pelo consumo de uma boa salada. Já quanto ao amor…. Não sabemos, quem tiver evidências desse efeito, partilhe connosco.

E, finalmente, o início do Outono, bucólico, assiste ao cair das folhas avermelhadas de cansaço e de abandono. Sabia que, se apanhar uma folha  que esteja a cair no primeiro dia de Outono passará todo o inverno sem ter uma constipação? Esta queremos experimentar. Afinal não tem efeitos secundários…

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