Os primeiros Astrólogos- Parte 1

Primeiros Astrólogos Helenísticos capa

Continuamos a explicar os primórdios do nascimento da Astrologia, abordando as primeiras tendências e as conceções daqueles que foram os primeiros astrólogos helenísticos.

Conhecem-se horóscopos gregos delineados para escolher o momento mais auspicioso para um dado evento desde pelo menos o séc. II antes de Cristo. Chamava-se a esta técnica «astrologia katárquica».  Esta técnica também era usada para avaliar os efeitos de eventos que já começaram mas de que se deseja prever o desfecho, como no caso de uma doença, encontrar objectos perdidos, encontrar ladrões, escravos fugidos, etc.. Fragmentos contendo estas técnicas foram atribuídos a Trhasyllus. Parece que, nos tempos mais antigos, a astrologia aplicada aos eventos e à previsão dos momentos próprios para a sua ocorrência era considerada menos problemática do que a que astrologia das cartas natais, ligada ao estudo da alma. O futuro  da astrologia nos séculos seguintes, porém, deu cada vez mais importância à astrologia das cartas natais do que à astrologia dos eventos (hoje conhecida como «astrologia horária».

Na astrologia praticada no império romano, uma das preocupações fundamentais era a da duração da vida, tendo-se desenvolvido técnicas que ajudassem a prever isto, sobretudo  para aplicar na vida política. Havia um fascínio com o impacto do destino na vida humana e com as predisposições do indivíduo.

Os escritos Herméticos, datando do séc. II antes de Cristo foram uma influência muito forte. A obra Stromatta incluía referências à ordem das estrelas fixas, o Sol, os 5  planetas,   conjunções e fases do Sol e da Lua, o tempo em que as estrelas se erguem no céu (efemérides). Os trabalhos astrológicos de Nechepso e Petosíris (150 antes de Cristo) também costumam ligar-se à corrente de Hermes Trismegisto. Estes autores contribuíram fortemente para influenciar  as correntes posteriores da astrologia helenística e as suas técnicas.

No primeiro século antes de Cristo, Manilius- associado com os imperadores Augusto e Tibério-  no poema Astronomica  inclui várias técnicas astrológicas mas não há a certeza de que usasse esse conhecimento para fazer previsões, o que não admira, pois, estando próximo do círculo do poder, podia ser perigoso fazer certas previsões que não fossem do agrado de quem as ouvia. Este autor acreditava que o destino é imutável e que a astrologia é a forma de compreender a ordem natural das coisas embora, ba sua opinião, não pudesse mudar os eventos. Acreditava que o Universo era comandado pela vontade divina e que o destino dos indivíduos era decidido pelas estrelas e está predestinado. O papel da astrologia era preparar psicologicamente o indivíduo para aceitar o seu destino. Considerava que a astrologia era um presente oferecido aos homens pelo deus Hermes Trismegisto.

No séc. II da era cristã a astrologia tinha ganho popularidade. Nesta época destacam-se dois autores: Cláudio Ptolomeu de Alexandria e Vettius Valens.

Ptolomeu, uma referência maior da cultura helenística, não foi apenas um astrólogo, tendo sido um cientista empírico, preocupado com o conhecimento e autor de obras de astronomia, música, geografa, epistemologia  e ótica, para além da astrologia. É considerado como o autor mais decisivo da astrologia helenística.  Tetrabiblos é uma obra de referência da astrologia na qual Ptolomeu faz o elogio da astrologia e defende ter técnicas astrológicas melhores do que as da tradição.  Nomeadamente, Ptolomeu critica alguns conceitos astrológicos atribuídos aos autores Nechepso e Petosiris, como as «partes» (kléroê) e a divisão da carta em 12 lugares responsáveis pelos tópicos da vida  humana  que significavam os  irmãos, doença, viagens, etc. e que correspondem às casas do horóscopo.  Ptolomeu rejeitou igualmente algumas subdivisões do Zodíaco e quase todos os métodos baseados na numerologia por considerar que são arbitrários.

Contrapunha a isto que o estudo dos planetas e estrelas em relação com a astronomia podia ser usado pra fazer previsões e que, se o Sol e a Lua e as estrelas influenciam os fenómenos naturais, o clima e as estações., provavelmente também influenciam o temperamento dos seres humanos tal como as condições do ambiente em que são criados influencia o seu carácter.

No próximo artigo continuaremos a falar dos primeiros astrólogos e do seu contributo para a Astrologia que conhecemos e praticamos hoje.