A Primeira Casa do Horóscopo  Segundo a Astrologia Helenística

1ª casa do horóscopo na Astrologia Helenística

Iniciamos o primeiro de 12  artigos em que vamos descrever os significados de cada uma das casas do horóscopo segundo  a Astrologia Helenística, indo deste modo à origem desses significados. Esta recuperação dos significados das casas do horóscopo tal como estes foram definidos pelos antigos astrólogos ajuda a perceber muitos aspetos pouco claros da caracterização das casas do horóscopo , perdidos ou mal  interpretados pela Astrologia Medieval e adotados pela Astrologia Moderna.

A primeira casa do horóscopo era designada pelos gregos antigos de «horóskopos» ou «horóscopo», entendida como «o ponto de partida» da interpretação de toda uma natividade ou de uma dada área de vida como a carreira, os filhos, etc., isto é,  conforme se estivesse a fazer uso de casas «tópicas» ou «dinâmicas». Assim, esta designação não era usada exclusivamente em relação ao Ascendente comum. Na Astrologia  Helenística outras casas podiam ser usadas como «horóscopo» ou 1ª casa,  como acontece, por ex., com a casa/signo onde está colocada a «Parte da Fortuna».

O Ascendente, em sentido «tópico» de «lugar» marca o ponto de encontro entre o Céu e a Terra, o local do nascimento  e o momento em que se ergue o Sol para um certo indivíduo na data em que ocorre o nascimento. Neste sentido, os gregos chamavam-lhe o «marcador da hora». Da hora em que alguém respira pela primeira vez, como indivíduo para viver uma experiência física como alma encarnada.

Assim, a 1ª casa significa, antes de mais, a vida física. Significa o lugar em que o invisível desde para o plano visível da manifestação, seja isso entendido como o «lugar» em que a alma se torna carne ao unir-se ao corpo físico num certo espaço e tempo ou o lugar em que o indivíduo sai da invisibilidade do útero materno e se torna separado, ou independente, fisicamente, da mãe. É ainda a mudança de um modo de vida «aquático» (as águas da matriz uterina) para um meio aéreo. E é esta mudança da Água para o Ar que permite ao novo ser tornar-se um indivíduo, ao respirar pela primeira vez. Por isso esta casa era também designada pelos gregos de «Respiração», «Espírito», «Vida» e, de forma analógica, de «Leme» (de um barco), isto é,  usava-se uma metáfora para explicar que o Ascendente conduz, através do seu regente, a alma encarnada  através da vida, de modo a  cumprir um propósito no plano físico; conduz o corpo e a vida de modo a alcançar esse propósito. Nesta metáfora, é o signo /casa do Ascendente (em conjunto com a casa /signo onde está colocado o seu regente) que tem a responsabilidade de conduzir o «barco» da vida até ao seu destino de acordo com os «decretos» do destino.

Alguns referem que, mais do que representar a aparência física, a 1ª casa representa a força vital de que o nativo dispõe para se tornar visível  no mundo. Assim, é de vital importância que o regente do Ascendente esteja bem colocado e/ou receba bons aspetos pois isso garante ao nativo a manutenção de boa vitalidade (e assim também uma boa longevidade). Em tempos passados dizia-se que, quando o regente do Ascendente estava aflito por maléficos, a criança teria vida curta. Hoje, que a ciência desenvolveu meios mais eficazes de tratamento e prevenção, não é tanto na longevidade que se faz sentir a má disposição do regente do Ascendente mas na fortuna e no sucesso gerais (e na possibilidade de haver problemas de saúde crónicos ou falta de energia).

A 1ª casa significa os primeiros tempos de vida e o ambiente em que a pessoa nasce e cresce. Embora o Ascendente ocupe um grau específico de um signo, a Astrologia Helenística considerava o signo inteiro como sendo a primeira casa.  Mas o regente do Ascendente é também , para usar uma terminologia muito interessante que encontrámos em Curtis Manwaring (2000), o «advogado» que zela pelos interesses do nativo nesta vida, que fala por este perante a Consciência Cósmica, para que a sua existência não passe despercebida e seja «ouvida» por esta. Seguindo a terminologia referida por Robert Schmidt , a 1ª casa também indica o comportamento individual como a expressão visível das qualidades da alma. Autores como Rhetorius referem ainda que a 1ª casa é o lugar em que o nativo vem das sombras e dos perigos (mundo invisível) para a luz e a vida. São ainda atribuídos a Hermes os significados de irmãos e base da fortuna à 1ª casa.

Planetas colocados na 1ª casa influenciam decisivamente vários aspectos: a constituição física e a aparência do corpo físico, a saúde e até a sorte ou fortuna que se alcançará na vida, bem como a força vital de que o indivíduo dispõe para fazer vingar os seus objetivos. Planetas benéficos colocados na 1ª casa ou em aspeto com esta favorecem a saúde, a sorte, a boa aparência do nativo; planetas maléficos colocados na 1ª casa ou em aspeto com esta afetam a saúde e a força vital  de que a pessoa dispõe para se tornar visível no mundo e alcançar sucesso, indicando obstáculos para a vida e saúde fragilizada.

O Ascendente estabelece a linha do horizonte que, para uma certa pessoa, delimita tanto o nascer do Sol como o pôr do sol no dia de nascimento. Com base nesta linha do horizonte, os planetas do horóscopo ficam divididos entre duas divisões: a dos planetas visíveis ou «diurnos» localizados acima da linha do horizonte e a dos planetas invisíveis ou «nocturnos», situados abaixo dessa linha do horizonte. Esta divisão era considerada pela Astrologia Helenística da maior importância pois determinava a força de um planeta para concretizar os seus significados e correspondia  a uma categorização dos planetas que dão bons resultados na «divisão» noturna e os que dão bons resultados na «divisão diurna».

Os planetas considerados fortes na divisão diurna são : Sol, Lua, Saturno, Júpiter; os que dão bons resultados na divisão noturna são: Marte, Vénus. Mercúrio, sendo neutro, não é, à partida considerado noturno nem diurno e a sua ação deve ser avaliada a partir da sua relação com o nascer do Sol: quando nasce e se põe antes do nascer do Sol atua como planeta diurno; quando nasce e se põe depois do nascer do Sol deve ser considerado como noturno.

Quando o regente do Ascendente está colocado em casas maléficas como a 6ª, 8ª ou 12ª ( Curtis Manwaring cita também a 2ª), a pessoa não tem um guia eficaz  na vida e pode vaguear sem rumo e direção ou propósito claro.

Falaremos, no próximo artigo, dos significados originais da 2ª casa do horóscopo.

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