A Segunda Casa do Horóscopo Segundo a Astrologia Helenística

SEgunda casa do Horóscopo segundo a Astrologia Helenística

A segunda casa do horóscopo era também designada, na Astrologia Helenística ,de «Portal do Hades». Paulo Alexandrinus descreveu os significados desta casa mas não deu explicações sobre esta designação que a relaciona com a morte. Entre muitas das suposições que  encontrámos para  esta associação as que nos parecem mais credíveis são referidas pelo investigador da Astrologia Helenística Robert Schmidt, que refere  que a designação de Portal de Hades se deve ao facto de a 2ª casa ser a primeira (o portal) na qual o Sol se retira para o submundo  da invisibilidade, abaixo do horizonte quando a sua luz, símbolo da vida, fica escondida com o anoitecer. A 2ª casa é  a primeira casa abaixo do horizonte, marcando o início do pôr do Sol.  O mesmo autor refere ainda que a 2ª casa é também considerada a «casa das posses» , ou a que indica aquilo de que o nativo é proprietário porque, devido aos dois movimentos celestes, aquele em que, no movimento que segue a ordem do Zodíaco, algo é levado da 1ª casa (que significa o nativo) para a segunda  e o movimento diurno de regresso, em que o que foi levado para a 2ª casa é de novo trazido para a 1ª casa, ou seja, regressa ao indivíduo . Assim, a 2ª casa simboliza também aquilo que retorna ao indivíduo e que é recuperado por este.

Devido à relação de trígono com  o meio do céu, na 10ª casa,  uma casa de ação, a 2ª casa significa o que o nativo faz; e, sendo a segunda a partir da 1ª que simboliza o nascimento, a 2ª casa mostra  o modo como o nativo perceciona o seu ambiente e o meio em que se faz o seu desenvolvimento, a avaliação que faz do que é necessário para se adaptar e interagir com o meio em que vive e se desenvolve. Aqui, neste primeiro ambiente em que vive, o nativo aprende a formar uma imagem mais ou menos estável da realidade e forma um sentido dos valores, daquilo que, na sua perceção, se torna mais importante e valioso. E, se houver a necessária estabilidade para a construção da sua experiência, a autoestima do nativo também se desenvolve de forma harmoniosa. Mas, se o regente da 2ª casa estiver de algum modo aflito, o nativo pode não ter  a estabilidade necessária para o seu desenvolvimento e, em consequência disso, pode perder a referência do ambiente familiar e tornar-se um vagabundo sem sentimento de autêntica pertença e enraizamento no plano terreno. Quando, pelo contrário, o regente da 2º casa está forte e recebe bons aspetos, o nativo pode focar-se no desenvolvimento dos recursos necessários para acumular meios e posses que lhe permitem alcançar sucesso material no mundo.

A 2ª casa mostra o ambiente em que o nativo se desenvolve nas primeiras fases da sua vida, na infância e, desse modo, mostra  também o ambiente familiar e o contexto do desenvolvimento do nativo bem como os recursos de que dispôe nessa fase de vida, oferecidos pela família ou cuidadores.

Robert Schmidt, uma referência incontornável no estudo das casas do horóscopo na Astrologia Helenística, refere ainda como significados da 2ª casa os meios de subsistência, que garantem ao nativo sobreviver e sustentar-se, o que inclui todas as posses , propriedade e aquisições. Os rendimentos e as despesas também estão incluídos nesta casa, na antiga Astrologia Helenística e o mesmo sucede com as parcerias, provavelmente porque, normalmente, o sucesso para sobreviver e a capacidade para obter rendimentos e posses não se faz de forma isolada, faz-se a partir da cooperação com outros. Ainda segundo Schmidt, a 2ª casa revela «as boas expetativas»  e este aspeto entra um pouco em contradição com os significados referidos anteriormente neste artigo que indica a 2ª casa como «portal do Hades».  Parece-nos que, para perceber o melhor os significados desta casa, temos que nos lembrar de que esta é uma casa muito material, isto é, sensível, ligada a todos os prazeres do corpo  mas também à condição de finitude e de mortalidade, ou seja, por um lado o corpo permite o usufruto de muitos prazeres e a posse de bens , riqueza, permite o gozo de tudo isso, bem como a ocupação de uma posição proeminente na sociedade. Mas todas essas posses, tal como a existência do corpo físico, são efémeras e tudo o que chamamos «meu» neste plano físico, nunca é, na verdade, nosso porque a morte interrompe todas posses, privilégios sociais, etc. Mas, para muitos, que acreditam não existir mais nada para além do plano físico, o desejo de posses e de bens, de confortos materiais alcançados pelo  nativo dá-lhe a ilusão de que é «feliz» quando usufrui de todos esses bens e riquezas dando por isso a estamina para prosseguir na procura de mais bens, mais posses, «mais felicidade».  O «outro lado» desta casa, a mortalidade e caráter efémero de todas essas «posses» e «bens», não  é reconhecido por muitos seres humanos, que veem na morte uma crueldade incompreensível que lhes interrompe uma vida «de sucesso de felicidade». Será preciso experienciar os processos revelados pela casa oposta, a, para haver uma introversão dos objetivos e uma compreensão de que há «tesouros escondidos» que nenhuma riqueza material, nenhuma posição social e nenhum saber académico ou competência técnica podem alcançar. Essa mudança de direção corresponde, em geral, a experiências de trauma e de dor que obrigam a descobrir os mistérios profundos do self, indiferente aos prazeres e conquistas mundanas a que se refere a 2ª casa, embora sem os excluir, porque a posse de um corpo físico implica o respeito e a nutrição deste , bem como permite aprendizagens que são também importantes para a vida.

A segunda casa, segundo Hermes, é a que sustenta a vida, pois a primeira casa representa a encarnação da alma num corpo físico  que precisa de ser suportado e satisfeito nas suas necessidades e isso é representado pela 2ª casa. Além do mais, indiretamente, esta casa simboliza igualmente os talentos naturais com que a pessoa nasce e os que desenvolve pelo próprio esforço para se tornar um ser autónomo existente na Terra.

A Astrologia Helenística não desenvolveu o conceito de correspondência entre casas e signos do Zodíaco.  A 2ª casa era vista como não tendo uma dignidade muito forte. Nenhum planeta fica dignificado na 2ª casa.

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