A 4ª Casa Segundo a Astrologia Helenística

A 4ª casa na Astrologia Helenística

A 4ª casa do horóscopo segundo a Astrologia Helenística era também designada por «lugar subterrâneo», era vista como o «lugar mais próximo da Terra», o lugar mais escondido de todos os lugares e, no ser humano, significava os aspetos mais escondidos  do seu ser.

A associação com a Terra revela outro significado, o de que a 4ª casa simboliza o enterro, bem como os assuntos do nativo imediatamente após a morte. E, como a morte deixa para trás tudo o que o nativo possuía em termos materiais, a 4ª casa também está relacionada com a herança que o nativo deixa para trás.

Curiosamente, os significados da 4ª casa, segundo a tradição mais antiga ,mostram o ciclo entre a vida e a morte e a sua continuidade: a 4ª casa representa a velhice e os ancestrais, os relacionamentos de sangue, em particular  com os pais. No mundo antigo, esta era a casa do pai., da linhagem familiar paterna, pois era esta que fornecia as fundações para a segurança material do nativo após o nascimento. Nessa época, a 4ª casa não estava associada  com o signo Caranguejo, foi na modernidade que a correspondência entre as casas e os signos levou a considerar que esta era a casa da mãe enquanto a 10ª, por oposição, se tornou a casa do pai. No mundo antigo, a associação entre a 10ª casa e a mãe parece dever-se a   um erro de tradução de um texto de Ptolomeu. Nos dias de hoje a controvérsia sobre qual das casas-4ª ou 10ª – representa o pai e a mãe, mantém-se, com alguns astrólogos a optar por uma ou outra das hipóteses.  Alguns outros consideram que a 4ª casa revela ambos os pais, o que faz sentido no mundo de hoje em que o sustento e a garantia de segurança da criança depende dos esforços de ambos os pais.

Pela associação com a Terra, a 4ª casa representa  literalmente o chão que pisamos na vida terrena enquanto estamos encarnados num corpo , o lugar que nos serve de apoio e que permite a estabilidade, em termos físicos, quando andamos e nos movimentamos. Os movimentos do homem fazem-se em solo sólido, uma vez que a sua condição física é a de ser terrestre. E, tal como estamos agarrados à terra durante a nossa vida, a 4ª casa simboliza também a terra à qual pertencemos, à qual estamos ligados e que sentimos como «nossa». Por extensão, significa a comunidade local e as terras de que somos proprietários nessa comunidade, herdadas da família  e que nos identificam no lugar em que nascemos ou ao qual pertencemos e que nos permitem sentir segurança e estabilidade. Assim, é nesta casa que vemos as nossas fundações, o nosso lar, o lugar onde podemos descansar- literalmente, quando dormimos, por ex., ou quando , após a morte, somos devolvidos à Terra.

Há nos significados da 4ª casa também sempre uma implícita referência à condição de «abrigo», de segurança, como um espaço onde estamos a salvo de todas as ameaças do mundo exterior. É na 4ª casa que vemos aparecer verdadeiramente a divisão entre o espaço interno e reservado- o lar, a comunidade a que pertencemos- e o espaço exterior dos outros, seja o espaço de outras comunidades seja o relativo a outros países: parece assim ter aqui início a distinção entre o «nós» e os «outros», com uma divisória clara entre uma dimensão e outra. Não admira deste modo que esta casa tenha signo associada também, posteriormente, ao nacionalismo, patriotismo,  preocupação com a segurança.

A 4ª casa estava associada à propriedade não móvel  No mundo antigo, também indicava a possibilidade ou não de ter filhos, em conjunto com a 5ª, a 10º e a 11ª casas. Há que ter em conta que, nesses tempos, em que a proteção social não existia, os filhos eram  a única garantia de segurança para os pais na velhice pelo que não admira que tenham sido associados com a 4ª casa, que simboliza a idade da velhice e o final da vida.

Mas, como nota Robert Schmidt, o eminente investigador das casas na Astrologia Helenística, a 4ª casa também significava a cidade, aldeia ou vila à qual o nativo estava firmemente ligado. Sendo uma casa de fundações, simboliza os pais que carregam a função de o sustentar na existência. Tais fundações encerram um significado importante da identidade da pessoa, a da família a que pertence e o lugar em que essa família está estabelecida. Segundo R. Schmidt, esta associação da 4ª casa com «as fundações que sustentam a vida» e o lugar ao qual a pessoa está firmemente agarrada, faz  com que esta casa também simbolize tudo aquilo que o nativo consegue suportar, bem como os seus filhos e o cônjuge. Na verdade, a existência cessa quando «o nativo já não é suportado pelas suas fundações e, por isso, já não consegue agarrar-se à Terra nem permanecer firme nela.» R. Scmidt, in The Facets of Fate: the Rationale Underlying the Hellenistic System of Houses . Ao não conseguir mais manter-se firme de pé sobre o  chão, literalmente, o nativo cai na Terra onde tem o seu descanso final.

É atribuído a Hermes o significado da 4ª casa como «fundação da felicidade». Poderíamos associar isto com os restantes significados de que a existência terrena apenas é feliz quando está alicerçada na comunidade, na família, prosseguindo a linhagem familiar e cuidando dos bens herdados, tendo boas condições de sustento, segurança e abrigo, em suma, a felicidade está aqui bastante ligada ao conceito de sentir de pertença – a uma comunidade, uma família, incluindo os laços familiares  de consanguinidade- e assegurando as condições de continuidade de tudo isto, gerando filhos que sejam, na velhice, o apoio e a garantia da continuidade da própria segurança.

A 4ª casa simboliza tudo o que pertence ao «chão»- terras, tudo o que tem raízes ou fundações. Assim, representa a permanência, a habitação tanto como a casa propriamente dita como  a ação de habitar – uma casa, uma comunidade.

A ligação com os ancestrais também liga esta casa com o que é velho, místico ou escondido . Ptolomeu , tal como depois Valens, associaram as crianças a esta casa.

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