A 6ª Casa Segundo a Astrologia Helenística

a 6ª casa na Astrologia Helenística

Na Astrologia Antiga as casas eram vistas em grande parte  tendo em conta a sua  caracterização como casas pivô ou angulares, casas sucedentes e casa cadentes. O caráter benéfico ou maléfico  atribuído tinha bastante a ver com essa classificação. A 6ª casa é uma casa de declínio, isto é, é uma casa cadente. Era designada pelos antigos como  «a má fortuna».

A sua posição é abaixo do horizonte e, por esse facto, está  associada com o septo ou divisão noturna do horóscopo, influenciado pela Lua que rege a fortuna e o corpo físico. Marte tem a sua «alegria» ou «júbilo» nesta casa, dando bons resultados quando aqui está colocado.

A 6ª casa, como casa de «declínio» ou cadente, é tradicionalmente vista como  fraca mas no sentido em que não facilita os aspetos positivos e «fáceis» da vida: indica ferimentos e doença, trabalho e servidão. O seu aspeto trino em relação à 10ª casa indica o que fazemos, como «retribuição», o que faz dela uma casa de «karma» na terminologia oriental e explica a conotação que alguns lhe dão de ser uma casa de «discipulado» e «aprendizagem». Quando está negativamente colocada, indica escravidão e servidão.  Por se encontrar numa posição de «aversão» em relação ao Ascendente, que  representa a primeira respiração, significa doença e todos os fardos que temos que carregar na vida.

O significado de «retribuição» atribuído por Paulus Alexandrinus deve-se ao facto de esta casa ser a seguinte em relação à 5ª, que significa «aquilo que colocamos de nós no plano externo». Assim, a 6ª casa representa a «resposta» ou retribuição do plano externo àquilo que lá colocámos.

Robert Schmidt, um grande investigador das casas na Astrologia Helenística, acrescenta ainda outros significados desta casa: os inimigos e as suas conspirações, a vingança (significado que terá sido  atribuído por Hermes) e os quadrúpedes ou animais (significado atribuído por Rhetorius).  Na época medieval, os inimigos, significados pela 6ª casa na Astrologia Helenística, foram transferidos para a 7ª casa e os medievais acrescentaram também o significado de mover-se de um lugar para o outro. Também acrescentaram que os animais significados pela 6ª casa são os que não servem de montada (ao contrário dos cavalos, por ex.,). Notamos que a Astrologia Jyotish manteve os significados atribuídos pela Astrologia Helenística.

Este investigador das casas na Astrologia Helenística trouxe também algumas outras referências importantes para a compreensão da 6ª casa. Esta significa os fardos que carregamos  e o que temos que suportar na vida incluindo as doenças e ferimentos que nos tornam mais fracos e  com menos saúde mas  também importa enfatizar que tais fardos e doenças são retirados antes de causarem a morte. Esta conclusão tira-se do facto de a 6ª casa se   mover naturalmente para o descendente ( e todos os planetas nela colocados) mas não chega ao descendente (que representa o ponto no qual o Sol , símbolo da vida, deixa de estar visível e se move para a escuridão da noite) , oscilando e sendo novamente reenviada para a sua posição inicial pelo movimento diurno de rotação da Terra. É por isso que a 6ª casa também significa os acidentes e os ferimentos mas estes são removidos antes de causarem a morte do nativo . Note-se que a 7ª casa se opõe à 1ª, que representa o nascimento. Mas o movimento da 6ª casa em direção à 7ª não se completa, invertendo-se novamente em direção à 6ª antes de chegar ao fim. Porém, como diz o povo, muitas das experiências  da 6ª casa «não matam mas moem».

Schmidt também lembra, a propósito da 6ª casa, que é esta e não a 12ª que representa os «inimigos secretos», os que se escondem por detrás do nativo, em intrigas e conspirações. A relação desta casa com os animais e os escravos refere-se ainda ao facto de os animais e os escravos poderem ser usados para carregar os fardos  do nativo em benefício deste. Tendo a 6ª casa a ver com os sofrimentos do corpo, a referência à transmissão desses sofrimentos para outros seres  está em conformidade com o facto de os escravos serem designados, em tempos idos, simplesmente como «corpos». Esta transmissão dos fardos para um outro ser, considerado subordinado ou dependente mostra ainda a conotação que esta casa tem com a «exploração». Na verdade, ela tanto pode significar aquele que é explorado como  aquele que explora. Os subordinados e dependentes  são, em boa parte, aqueles que suportamos e a quem podemos dar o sustento  como acontece com os animais domésticos. Mas, na verdade, a relação acaba por ser mútua, pois tanto beneficiamos como somos beneficiados. A relação de escravidão ou servidão , tanto de animais como de seres humanos ultrapassa esta relação de benefício mútuo para descer a uma categoria destrutiva da dignidade do outro ser e, sendo embora prática comum, tanto no passado como no presente, obedece a uma lógica que reduz o ser humano a uma condição que destrói tanto a dignidade do que explora como do que é explorado, embora fosse aceite nos tempos antigos como resultado natural do modo de vida  de então.

Deixe um comentário, ajude-nos a melhorar

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.