O significado do Secto na Astrologia Helenística

O significado do Secto na astrologia helenística

O  conceito de Secto, que pode entender-se como «divisão», parte ou  setor divide o  horóscopo em 2 partes,  a parte diurna e a parte noturna. Esta divisão também é feita pela Astrologia Jyotish, na «Carta da Hora» ou D-2 e tem, também nesta última, grande importância para interpretar os efeitos- positivos ou não produtivos dos planetas no horóscopo. A parte diurna do horóscopo é a que corresponde à metade do horóscopo acima da linha do horizonte (casas 12, 11, 10, 9,8,7); a parte noturna é a que fica abaixo da linha do horizonte (casas 1,2,3,4,5,6). Para estarem colocados no seu secto, os planetas precisam de estar colocados numa das casas que lhes correspondem e também precisam de estar na «hora» correspondente- diurna ou noturna.

Foi  na Astrologia Helenística que esta divisão foi estabelecida em  primeiro lugar,  tendo sido praticada depois tanto pelos astrólogos árabes medievais como pelos astrólogos renascentistas.  Com base neste conceito, pode entender-se que os planetas estão no seu «secto» quando  são corregentes desse secto com uma das luminárias- o Sol para a parte diurna e a Lua para a parte noturna-  e também quando estão na divisão que corresponde ao seu temperamento , o que tinha a designação de o planeta estar colocado «em similitude».

O que determina  em que «secto» ou divisão pertence um determinado horóscopo é a hora de nascimento: quando este ocorre antes do nascer do Sol a carta é noturna, quando ocorre após o nascer do Sol, é diurna. O Sol domina a carta diurna; A Lua domina a carta noturna.

Numa carta diurna, o Sol é dominante, tal como Saturno e Júpiter; numa carta noturna a Lua domina,  bem como Vénus e Marte. Deste modo, Saturno e Júpiter são os corregentes do setor diurno e Vénus e Marte são os corregentes do setor noturno.

Segundo os pressupostos desta conceção, ao analisar um horóscopo diurno, o Sol , Saturno e Júpiter devem ser analisados com todo o cuidado para se verificar qual o secto em que estão colocados  no horóscopo e, desse modo, avaliar os resultados que  darão nas áreas que significam e que regem. A regra é simples, o planeta dará os melhores resultados de acordo com o secto ao qual pertence.

Os planetas exprimem na sua natureza  ou temperamento os elementos que estão na origem da divisão dos «sectos»: O Sol é seco e quente; a Lua é fria e húmida; Marte e Júpiter são secos e quentes; Saturno e Vénus são frios e húmidos. Mercúrio é neutro e dá resultados positivos em ambos os sectos. Porém, Saturno não é corregente do secto noturno como seria de esperar e isso deve-se ao facto de a Lua, Júpiter e Vénus serem planetas benéficos e Saturno e Marte serem planetas maléficos. O Sol também é considerado  benéfico na Astrologia Helenística. Assim, é necessário equilibrar as energias de Marte e Saturno, para que estas deem bons resultados. Deste modo, Marte pertence ao secto noturno, onde o seu calor excessivo pode ser equilibrado pela noite fria e húmida, reduzindo assim o potencial de Marte para causar «mal». Por sua vez, Saturno pertence ao secto diurno porque o seu excesso de rigidez e frieza é reduzido pelo calor da luz diurna, permitindo à sua energia produzir efeitos mais positivos.

A colocação de um planeta num secto tem deste modo o significado de estar, ou na divisão diurna ou na divisão noturna do horóscopo a que pertencem;  se um planeta está colocado no horóscopo  na divisão a que pertence – o Sol,  Saturno e Júpiter colocados na «Hora Diurna» e a Lua Vénus e Marte colocados na «Hora noturna»- diz-se que  estão colocados na «sua própria luz».

Também se usava, na Astrologia antiga, a referência de um planeta estar «colocado na sua similitude», o que acontece quando o planeta está colocado num signo com a sua «natureza». O que isto quer dizer é que o Sol, por ex., tendo uma natureza masculina, deve estar colocado  num signo masculino. Se isso acontecer, também se considera que «está no seu secto», embora de forma menos enfática.

São masculinos os signos Carneiro, Gémeos. Leão, Balança, Sagitário e Aquário ; são femininos os signos Touro Caranguejo, Virgem, Escorpião, Capricórnio e Peixes.

Para estarem em «similitude» os planetas que pertencem ao secto diurno precisam de estar colocados nos signos masculinos e os que pertencem ao secto noturno precisam de estar colocados nos signos.

Os árabes consideraram, porém, que Marte configura uma exceção  no que se refere à colocação no secto noturno do horóscopo pois está mais bem colocado à noite  mas no meio do céu , acima do horizonte, portanto, no signo Carneiro ou outro signo masculino. Chamavam a este estado «Hayz», uma dignidade elevada do planeta que conferia boa fortuna ao nativo em todos os significados do planeta.

Do mesmo modo, Saturno colocado no signo Balança onde está exaltado acima do horizonte, no secto diurno, adquire a mesma poderosa dignidade. Assim, um planeta colocado no próprio signo ou no signo de exaltação colocado no secto que lhe corresponde, adquire o seu máximo de força para produzir bons resultados. O facto de o planeta está «fora de secto»- por ex., Júpiter colocado no signo Caranguejo e acima do horizonte  mas à noite, coloca-o «fora de secto»  e reduz a sua capacidade para produzir bons resultados, embora  o estado de exaltação minimize esses efeitos.

Embora durante muito tempo, após a astrologia da Renascença , os sectos terem deixado de ser usados pelos astrólogos ocidentais- mas não pelos astrólogos da Índia- recentemente o seu interesse renasceu, pela compreensão de que as potencialidades dos planetas são influenciadas de forma decisiva pelo facto de a pessoa ter nascido na «Hora noturna» ou na «Hora diurna». E, para uma pessoa que nasceu antes do nascer do Sol, a Lua tem mais importância no seu horóscopo do que o Sol, acontecendo o inverso num horóscopo cuja hora é diurna.

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