Calcular o Retorno Solar na Astrologia Helenística

luz solar refletida

luz solar refletida

Este artigo, em se explica como calcular o retorno solar segundo a Astrologia Helenística  baseia-se no trabalho de C. Manwaring e R. Schmidt..

O mapa do «retorno solar» é popular entre várias correntes de Astrologia, incluindo a Jyotish (nesta tem o nome de varshaphal ou Tajika). Parashara, o sábio que sistematizou a astrologia Jyotish, também lhe dava importância, apesar da primazia geralmente associada à Lua. 

Os astrólogos helenísticos calculavam o Ascendente da carta de retorno solar  tomando como ponto de partida o regresso da Lua à mesma posição ocupada na carta natal, no mês em que o Sol transitava pelo signo de nascimento.

Deste modo o «dia» considerado para o retorno solar não era, em geral, o mesmo em que o nativo celebrava o seu aniversário. Os restantes planetas eram colocados nas posições de nascimento e não eram movidos.

Deste modo, o Ascendente mudava de acordo com o dia e a hora a que, no mesmo mês em que o Sol transitava no mesmo signo de nascimento, a Lua regressava ao grau exato ocupado no dia em que o nativo nasceu. Valens seguia este pressuposto nos seus cálculos.

Dado que, num dia de 24 horas o movimento de rotação da Terra cobre todos os signos e que a Lua se move, em média, 12 º por dia, isso significa que leva 2 h em média a atravessar cada grau de um signo. Por esta lógica, os astrólogos helenísticos consideravam que, por cada grau que a Lua percorre no seu movimento diário, um signo é também atravessado.

Calculavam por isso desse modo que o movimento da Lua tem rapidez semelhante  ao da elevação dos signos pelo que, a cada período de duas horas de movimento da Lua, um novo signo ergue-se no horizonte. Assim, no instante em que a Lua ocupa o mesmo grau do signo ocupado no nascimento, o signo que  se ergue ao mesmo tempo no horizonte- Ascendente- é o Ascendente do retorno solar.

Neste cálculo era apenas considerado o grau de colocação da Lua natal, sem ter em conta o remanescente em minutos. Se o nativo tem a Lua natal colocada a 3º 34’ de Leão, apenas se consideram os «3º». O signo que se ergue no momento em que a Lua ocupa, no ano pretendido para o retorno solar, 3º do signo Leão, é o Ascendente do retorno solar. 

O mapa de retorno solar é então criado  tendo este Ascendente calculado a partir do instante em que a Lua entra no grau do signo natal e os restantes planetas são colocados nas posições em que se encontravam no nascimento.

Se o Ascendente do retorno solar for diferente do Ascendente natal, os planetas estarão, no  mapa de retorno solar, colocados em casas diferentes. A Lua é, como referimos, colocada na posição de nascimento.

Em conjunto com o cálculo do retorno solar, os astrólogos helenísticos também usavam o conceito de períodos planetários, semelhante aos períodos usados pela Astrologia Jyotish,  no sistema Tajika/varshaphal , onde  se  encontram os planetas que dominam  « o ano»   e determinam as previsões, sendo portanto esta uma técnica muito antiga da astrologia e largamente usada pelos astrólogos helenísticos. Valens, por ex., um astrólogo do século II, descreve amplamente estas técnicas na sua obra Introdução.

Na astrologia helenística, o nome que se dava às técnicas para encontrar os planetas que determinavam o ano, o mês ou até mesmo o dia ou hora  era «profectio» que significa «ponto de partida, avançar, progredir, considerando um certo nível de tempo». À falta de um termo em português que explique  este termo , usamos o tradicional termo progressão que todos conhecem bem.

Calcular as Progressões na Astrologia Helenística

Antes de mais, convém notar que, segundo Robert Schmidt, o mais conceituado investigador da astrologia helenística,  estas «progressões» devem ter apenas por referência o dia de nascimento,  não se movendo ao longo do ano, para as anuais; o mesmo se passa com as progressões mensais  e diárias.

Para calcular as progressões  :

Progressão mensal: conta-se na carta natal o nº de graus entre o Sol e a Lua e, no mapa de retorno solar  conta-se a mesma distância a partir do Ascendente nesse mapa, seguindo-se a ordem do Zodíaco, (o mesmo nº de graus) e vê-se qual é o signo  em que calha.

Nestas progressões, os graus dos signos não têm importância, são os signos que interessam. Deste modo, ao medir, no mapa de nascimento, a distância entre  o sol e a Lua, pode-se contar os signos que os separam em vez dos graus.

Tem-se também em conta se esses signos se  situam antes ou depois do Sol no nascimento. Se, por ex., estiverem antes do Sol, ao contar a progressão para o mês, conta-se o nº de signos encontrados antes do signo Ascendente. Se o sol está colocado no signo Aquário e a Lua está colocada no signo Capricórnio, conta-se 2 signos  atrás do signo Ascendente como  o ponto de partida para a progressão do mês.

Progressão diária:  o cálculo para esta progressão é semelhante, com a diferença de que se conta a distância a partir da Lua, seguindo a ordem do Zodíaco. A medida encontrada conta-se depois a partir do Ascendente na carta de retorno solar. Onde a contagem termina é o início da progressão diária para o dia do nascimento.

Quando a Lua tiver atravessado 30º a partir do aniversário, seguindo a ordem zodiacal, passa-se para o signo seguinte.

Estas progressões eram importantes pois, quando os planetas natais estavam colocados nos pontos das progressões anual, mensal ou natal, isso era considerado significativo. Já os trânsitos dos planetas por estas progressões eram considerados pouco importantes.

Continuaremos a falar das profectio  no próximo artigo.

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