Progressões Anuais e Mensais na Astrologia Helenística

Pintura abstrata sobre o futuro

Falamos hoje de alguns aspetos que esclarecem as técnicas usadas pelos antigos astrólogos helenísticos na construção do mapa de retorno solar.  Nomes como Manilus, Dorotheus, Paulus Alexandrinus, V. Valens e muitos outros eram usados como referências obrigatórias no estabelecimento destas práticas ligadas às progressões anuais e, alguns deles, às progressões mensais.

Progressões Anuais

As progressões ou profectio anuais são as mais importantes. Nas progressões anuais, para encontrar o «regente do ano», tem-se em conta o seguinte, de acordo com Dhoroteus:

 Em cada ano progredido, tem-se em conta que o Ascendente marca o começo da vida e, desse modo,  o regente do Ascendente é o regente do 1º ano de vida. Usando o pressuposto de que um ano corresponde a um signo em cada ano, conta-se o nº de signos até perfazer o ano específico que se deseja analisar: quando se chega ao último signo a partir do Ascendente, correspondente a 12 anos, continua-se a contar, pela mesma ordem as vezes necessárias até chegar ao ano pretendido.  O regente do signo que corresponde a esse ano é o «regente do ano». Assim , por cada ano de vida é fácil determinar qual será o Ascendente do ano «X» que se pretende analisar, basta contar a partir do Ascendente o nº  de signos a partir do Ascendente. Encontrado o signo ascendente para um determinado ano, o planeta que rege esse signo torna-se o «regente do ano».  

 Para obter informação sobre os resultados desse ano, deve anotar-se o seguinte, de acordo com Dhoroteus: se o planeta regente do ano é benéfico ou maléfico, as casas que rege e a sua posição no mapa de nascimento ( dignidade, aspetos que recebe de outros planetas). Note-.se que o «ano» a que se refere  a revolução solar  inicia-se   no exato minuto em que o Sol ocupa o signo e o grau em que se encontrava quando ocorreu o nascimento.

 Para se ter uma ideia de quantas vezes o Ascendente do ano corresponde ao Ascendente natal, deixamos o nº: nascimento, 12, 24, 36, 48, 60, 72, 84, 96. Nestas idades a identidade, o corpo e os aspetos em geral da vida terrena que definem o nativo estarão em foco de forma especial, simbolizando um recomeço da vida terrena ou um «renascimento» pessoal na Terra.

Nos anos em que o Ascendente do ano corresponde às restantes casas, os significados dessas casas e dos planetas aí colocados estarão simbolicamente ativos na vida da pessoa. Repare-se que, ao mesmo tempo que o Ascendente progride em cada ano um signo para a frente, o anterior transforma-se na «12ª casa» em relação ao signo atualmente de referência como «1ª casa». Isso recoloca simbolicamente todos os planetas natais em diferentes casas, mostrando fatores adicionais  que poderão ser relevantes numa análise  conjunta com os planetas «chronocrator» ativos nesse período e de que falaremos num próximo artigo.

Valens  considera igualmente que o signo que é enfatizado num determinado ano por se tornar o «Ascendente» , quando contém planetas aí colocados, estes adquirem uma importância acrescida durante esse ano, sendo deste modo ativados. Se se tratar de planetas benéficos, isso significa que os fatores significados por esses planetas serão positivos ou produzirão bons resultados; caso sejam maléficos, esses resultados serão difíceis de experienciar  e trarão obstáculos. Esses efeitos também serão interpretados de acordo com a casa do horóscopo natal em que o «Ascendente do ano» cai. Por exemplo, se o Ascendente do ano cai na 10ª casa do horóscopo natal, os aspetos relacionados com a vida pública e a ocupação (profissão) do nativo serão afetados nesse ano, conforme os planetas que estão colocados nessa casa ou os aspetos enviados para essa casa: um planeta benéfico aí colocado é sinal de um bom ano enquanto um planeta maléfico aí colocado ou em aspeto com essa casa indica dificuldades e problemas nessa área. Segundo Valens, um planeta colocado numa casa torna-se mais importante para definir os efeitos em relação a essa casa do que o regente da mesma, opinião que não era aceite por todos os astrólogos da época.

Progressões Mensais

Uma parte dos astrólogos helenísticos não refere as progressões ou profectio mensais nem diárias ou horárias. Uma das técnicas usadas , entre várias outras  usadas pelos astrólogos helenísticos e também por astrólogos posteriores, entre eles os persas e a astrologia medieval, é a seguinte:

Considera-se que um signo corresponde a um mês: assim, avança-se um signo de cada vez para cada mês do ano. Parte-se do signo que, na progressão anual, corresponde ao Ascendente de um dado ano. Esse Ascendente do ano corresponde, nestas progressões, ao primeiro mês das progressões mensais. Segue-se em cada mês a ordem dos signos contados a partir do Ascendente  até esgotar os meses do ano. Assim, para o Ascendente Peixes de um ano, o primeiro mês será de Peixes, o 2º de Carneiro, etc. mantendo-se o princípio de um mês=um signo.

Como dissemos, nem todos os astrólogos helenísticos seguiam este método para calcular progressões mensais, havendo mesmo vários, como Valens, que, dando importância às progressões anuais, não faziam uso das progressões mensais ou diárias.

Este tipo de progressões para períodos menores de tempo tornou-se mais importante para o ramo de astrologia horária.

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