Previsões com o Aphesis na Astrologia Helenística

(alt=" ")

Explicamos neste artigo como se faziam previsões com base no aphesis na astrologia helenística.

Seguimos neste artigo o trabalho do astrólogo e investigador C. Manwaring. Vamos explicar neste artigo o conceito de aphesis que foi introduzido nas técnicas astrológicas por V. Valens, no século II da nossa era.

 

O Significado de  Aphesis Zodiacal

A aphesis refere-se a uma técnica que permitia saber qual o período da vida em que um certo planeta, lote ou parte adquiria domínio na carta natal e «libertava» os seus efeitos energéticos de forma plena. Por outras palavras, tratava-se de saber quando um planeta, lote ou parte daria «frutos»- positivos ou negativos- na vida do indivíduo.

Robert Schmidt, uma autoridade incontornável no estudo da Astrologia Helenística, explica que «aphesis» significa «libertação» , a libertação dos significados dos signos para um dado indivíduo particular num certo período de tempo. Assim, o conceito de aphesis está ligado aos ciclos quer se repetem, em períodos de tempo que mudam de acordo com o planeta ou lote que está ativo, ao longo da vida.

Note-se que o sistema de astrologia Jyotish segue igualmente este conceito, nos vários períodos dasa, de que o mais usado é o vimsotari dasa. Tal conceção de que os planetas e, como vemos neste artigo, também as «partes» ou lotes» têm domínio sobre a vida individual, é mais antigo e remonta à astrologia helenística.

O cálculo da Aphesis surge, deste modo, como uma  técnica de análise dinâmica , isto é, mostrando o desenrolar, no tempo de vida do indivíduo, dos significados das configurações que estavam ativas no mapa astrológico no momento do nascimento.  Isto pressupõe, evidentemente, que o mapa, como uma realidade estática no instante do nascimento, deve ser visto como um conjunto de potencialidades de desenvolvimento, em que os aspetos relativos ao «destino» (karma) se entrelaçam , num certo período da vida, com desafios que terão de ser enfrentados e em  que será preciso  fazer escolhas que, por sua vez, podem trazer frutos que contribuem para avançar na concretização das promessas natais ou, pelo contrário, que empurram  a pessoa para um beco sem saída porque se recusa a assumir a responsabilidade de agir de forma consciente para aprender as lições que são representadas por cada um desses momentos.

Esta técnica de análise permitia igualmente saber quais os significados de signos, partes e planetas se manifestariam como «eventos» ou «acontecimentos» num determinado período.

Um outro aspeto a considerar é que esta técnica de cálculo do Aphesis deve ser usada tendo em conta o planeta chronocrator que define o planeta que controla um certo período da vida.

Cada planeta neste sistema domina , como chronocrator, num número de anos, o destino individual:  o Sol por 19 anos, a lua por 25 anos; Mercúrio por 20 anos; Vénus por 8 anos; Marte por 15 anos; Júpiter por 12 anos e Saturno por 30 anos. Porém, tal como sucede no sistema vimsotari dasa usado pela Astrolgia Jyotish, o ciclo   inicia-se por um destes planetas, mas nem todos  serão vivenciados como chronocrators, uma vez que a vida humana é muito menos extensa do que a totalidade dos anos dos períodos dos planetas. Há que referir ainda que, nos tempos antigos, era usado o calendário egípcio que tinha duas modalidades: uma mais antiga, que era um calendário lunar em que  «o mês» corresponde ao período total de um ciclo lunar , iniciado com a Lua nova e finalizado imediatamente antes da próxima Lua nova. Este mês lunar era menor do que o mês civil introduzido posteriormente , tendo menos 10 a 11 dias do que o ano solar, o que exigia que  fosse introduzido, de tantos em tantos anos, um 13º mês, chamado de «mês de Toth».  O ano civil, introduzido posteriormente, era um ano de 365 dias, mas em que 5 desses dias eram considerados «extra ano»: eram contados 12 meses, cada um com  30 dias . No final do ano eram adicionados  cinco dias extra.  Valens , que introduziu esta técnica, considerava  igualmente um ano como tendo 360 dias, dividindo o dia como tendo 12 horas e a noite como tendo igualmente 12 horas. Deste modo, para usar os períodos referidos, devem contar-se os anos como períodos de 360 dias.

Os períodos  de aphesis considerados tinham também, como acontece com os períodos dasa  usados pela Astrologia Jyotish, subperíodos.

Os astrólogos helenísticos   calculavam os eventos ou acontecimentos  que iriam acontecer na vida  tendo em conta as progressões e o «trânsito» do planeta chronocrator» ativo no mesmo período: Quando planetas progredidos ou o planeta chronocrator ficavam em aspeto próximo com um determinado grau do Zodíaco, associado com um planeta natal ou «parte ou lote» , isso fazia com que os seus significados se manifestassem como «eventos» na vida da pessoa.  Note-se que os aspetos assim considerados  são os que formam certos ângulos medidos em graus de distância: conjunção, oposição, trino, sextil, quadratura…. de que já falámos em artigos anteriores.

Cálculo do Aphesis

O Lote ou Parte da Fortuna era usado para obter previsões sobre tudo o que se referia ao corpo, à felicidade física e à saúde e à estabilidade financeira; o Lote  ou Parte do Espírito   era usado como ponto de partida para obter informação e previsões sobre a carreira e emprego, sobre o modo de vida da pessoa.

Em cada caso, tomava-se o signo onde se localizava o lote pretendido e  encontravam-se os vários  períodos e subperíodos do seguinte modo: se o lote da fortuna estivesse em Gémeos, Mercúrio , o regente desse signo, era o planeta chronocrator para o período, que duraria 20 anos; o próximo regente  após esse período seria a Lua, que rege o signo seguinte a Gémeos, Caranguejo, etc. O planeta chronocrator tem especial importância, ao longo desse período, para os assuntos significados pelo lote da fortuna.

O signo onde se encontra o lote da fortuna ou do espírito conforme o caso, aparece como a 1ª casa de um mapa que se desenha a partir dessa casa, contando na ordem do zodíaco «uma casa =um signo». Assim, se o lote da fortuna está no signo Gémeos, este é a primeira casa, sendo a segunda ocupada pelo signo de Caranguejo e assim sucessivamente.

Como referimos atrás, cada período maior, em que um planeta assume o papel de chronocrator durante vários anos, tem subperíodos  Tal como acontece no sistema da astrologia Jyotish, que segue esta tradição, o primeiro subperíodo pertence ao mesmo planeta chronocrator, que rege também o período maior. O subperíodo é medido em meses. Assim para um período de 20 anos em que Mercúrio , enquanto chronocrator, está ativo por 20 anos, esse planeta rege também o  1º subperíodo durante 20 meses; tomando como ponto de referência o signo Gémeos que foi o ponto de partida devido à colocação, nesse signo, do «lote ou parte» considerado, para calcular o subperíodo seguinte ao 1º, considera-se a Lua, regente do signo seguinte. Como os períodos da Lua são de 25 anos, transformamos esse número em meses e, após os primeiros 20 meses do subperíodo de Mercúrio teremos 25 meses do subperíodo da Lua; segue-se , a partir do signo Gémeos, o signo Leão  e o Sol como regente do 3º subperíodo. Como o período do Sol é de 19 anos, o seu subperíodo será de 19 meses; e assim sucessivamente, até se esgotarem os 20 anos do período do chronocrator.

Embora os astrólogos helenísticos considerassem que o período maior do chronocrator era mais importante do que o subperíodo, na prática isto nem sempre acontecia. Repare-se que esta mesma consideração é aceite por muitos astrólogos da Jyotish , havendo mesmo muitos que consideram o subperíodo de um dasa mais importante do que o período dasa ativo. De acordo com Robert Schmidt, para os antigos astrólogos helenísticos, o regente do período maior estabelece o contexto geral das experiências e eventos do período e o seu significado geral, por assim dizer, enquanto o regente do período menor é o que faz surgir  o evento propriamente dito, trazendo-o à concretização.  Porém, nem sempre esta ordem de ideias se verifica.

Finalmente, convém referir que, no momento em que termina o período maior do chronocrator, termina igualmente o período menor. É sempre o regente do período maior que define a duração do período e nunca o do período menor.

Deixe um Comentário a sua opinião conta