A Dignidade dos Planetas na Astrologia Helenística

tabela das dignidades

mulher olhando para os astros

Neste artigo escrevemos sobre os conceitos de dignidade essencial e acidental dos planetas na Astrologia Helenística e descrevemos as dignidades tal como foram sistematizadas por Ptolomeu.

Dignidade Essencial e Acidental

O conceito de «dignidade dos planetas» é da máxima importância, não apenas na Astrologia helenística do passado, mas em todos os sistemas astrológicos que se desenvolveram ao longo do tempo.

A posição dos planetas no Zodíaco e as interações que formam uns com os outros é fundamental para avaliar os efeitos e fazer previsões.  De tal modo que a dignidade de um planeta se sobrepõe, na opinião de muitos astrólogos, à casa, signo, configurações das estrelas fixas pois estes são, segundo esta opinião, apenas moderadores e complementos dos significados dos planetas.

O conceito de «dignidade» mostra que há vários níveis de força de um planeta. Quanto maior for a dignidade, maior é a sua força.

De acordo com a sua posição no Zodíaco, um planeta tem níveis diferentes de dignidade: a dignidade essencial, que indica as posições onde um planeta está sempre dignificado.

Este tipo de dignidade liga-se à posição do planeta num determinado signo do Zodíaco ; e a dignidade «acidental», que resulta de outros fatores que não a posição num determinado signo.

A dignidade acidental refere-se a um fator que contribui para fortalecer o planeta- pode ser a colocação numa determinada casa do horóscopo que lhe dê proeminência como uma casa angular (por ex., o Sol na 10ª casa) , o aspeto de um planeta benéfico ou a conjunção com uma estrela favorável, o estar em movimento direto ,  etc.

A diferença entre a dignidade essencial e acidental assume uma importância acrescida na astrologia horária, na qual os aspetos da dignidade acidental podem indicar a concretização de algo ou a sua obstrução. Deste modo, a dignidade dos planetas tanto pode produzir efeitos positivos ou construtivos como efeitos negativos ou obstrutivos.

Na astrologia horária, um planeta com dignidade acidental pode ser tão poderoso como um outro que tenha dignidade essencial  e os seus efeitos tanto podem ser construtivos como destrutivos:

por ex., um planeta que não tem dignidade essencial mas que está num dado momento numa casa angular em movimento direto colocado no seu signo de debilitação e sendo o regente de uma casa maléfica , ao lançar aspeto para outros planetas pode significar eventos pouco afortunados na astrologia horária por ficar temporariamente forte pela dignidade acidental, atuando dessa forma de modo destrutivo.

Deste modo, um planeta fraco no horóscopo pode, num certo momento, devido a fatores de dignidade acidental, aumentar a sua força destrutiva e atuar de forma muito maléfica, ao interagir com outros planetas no horóscopo.

Elementos da dignidade dos Planetas

Ptolomeu, o  conhecido astrólogo helenístico do séc. II  sistematizou, na obra Tetrabiblos a tabela das dignidades essenciais dos planetas, largamente usada ao longo dos séculos posteriores até ao século XVII, tendo sido comentada pelo grande astrólogo inglês William Lilly. A tabela contém apenas as dignidades essenciais porque estas são dignidades permanentes, isto é, referem-se a condições nas quais o planeta está sempre dignificado.

Das dignidades essenciais fazem parte a exaltação, o próprio signo, os termos, as faces, as triplicidades, etc. Porém, a forma de calcular e definir estas dignidades não era unânime nos tempos antigos (por ex., V. Valens definiu os termos de modo diferente de Ptolomeu, seu contemporâneo), e isso deve-se ao facto de o uso destas dignidades ser muito  mais antigo do que a Astrologia helenística, perdendo-se no antigo Egito e Babilónia.

Lilly, na sua obra magistral Christian Astrology  faz clara referência ao facto de existirem várias tradições acerca da definição das dignidades dos planetas, incluindo nessa tradição os Hindus e assumindo que havia diferenças entre o modo como os antigos astrólogos  definiam as dignidades.

No mesmo texto, Lilly assume que a classificação de Ptolomeu foi a seguida desde os gregos pela astrologia medieval até ao seu tempo, aceitando portanto as dignidades dos planetas tal como estas  foram definidas por Ptolomeu.

O que contém a tabela das dignidades de Ptolomeu?

tabela das dignidades

Na primeira coluna temos os signos;

Na segunda coluna temos os regentes dos signos, tendo em conta se são regentes diurnos ou noturnos conforme escrevemos no artigo sobre o secto dos planetas. À exceção do Sol e da Lua, cada um dos planetas rege um signo diurno e um signo noturno.

A energia diurna exprime-se de forma espontânea e direta, enquanto a energia noturna é mais reflexiva, introvertida, indicando um nível escondido de consciência (menos consciente do que a energia diurna, mais orientada para a ação).

Na terceira coluna, aparecem os signos e graus de máxima exaltação dos planetas. Diferentemente do que sucede com a astrologia Jyotish, apesar de se considerar que o grau de máxima exaltação tinha uma importância especial, o planeta era considerado exaltado em todo o signo.

Na quarta coluna apareciam os regentes das triplicidades : cada elemento conta com 3 signos- Terra, Água, Ar, Fogo- havendo portanto 2 regentes para cada triplicidade, com exceção da triplicidade de Água que tem apenas um regente . A regência das triplicidades muda conforme se trata de um nascimento diurno ou noturno. Na tabela as letras D e N indicam, respetivamente, regente do dia e da noite:

Sol  (D) e Júpiter (N)  regem a triplicidade de fogo ; Vénus (D) e a Lua (N) regem a triplicidade de Terra; Saturno (D) e Mercúrio (N) regem a triplicidade do Ar e há uma exceção para a triplicidade de Água que tem Marte como regente diurno e noturno.

A quinta coluna mostra a regência dos termos segundo Ptolomeu. A regência dos termos exclui o Sol e a Lua. Marte e Saturno, os planetas maléficos, regem apenas os últimos graus de cada signo (a partir dos 27º); Mercúrio . Vénus e Júpiter regem todos os termos intermédios.

A sexta coluna mostra a regência da face. Nesta regência, cada signo tem 3 regentes que regem 10º cada.

A sétima coluna mostra os signos onde cada planeta está em detrimento. Este signo corresponde ao signo oposto àquele que o planeta rege. Exceto o Sol e a Lua, cada planeta tem, deste modo, dois signos de detrimento. Por exe., Vénus rege Touro e Balança. Deste modo fica em detrimento nos signos de Carneiro e Escorpião.

Finalmente, a oitava e última coluna refere-se ao signo onde cada planeta tem a sua queda, que corresponde ao planeta de debilitação.

No próximo artigo falaremos do uso das dignidades na prática astrológica segundo a tradição.

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