Planetas Fracos na Astrologia Helenística

Sala Vazia

Sala Vazia

Nos artigos anteriores falámos da dignidade essencial dos planetas e do significado de cada uma das «dignidades». Neste artigo discutimos os planetas fracos na Astrologia Helenística, em que se inclui o planeta peregrino, em queda e em detrimento.

As dignidades essenciais são dignidades permanentes de um dado planeta. O que acontece quando um planeta não  está colocado em nenhuma dessas dignidades? É disso que vamos falar neste artigo, dos  graus de fraqueza dos planetas segundo a Astrologia Helenística e Astrologia Ocidental posterior.

Planeta Peregrino

Quando um planeta está colocado numa posição em que não ocupa nenhuma das «dignidades essenciais», está na situação  que os antigos designavam por planeta  «peregrino».

Basicamente um planeta peregrino é aquele que está colocado num grau de um signo no qual não tem nenhuma das dignidades essenciais. O planeta peregrino é «estrangeiro» no signo que ocupa, está «fora da sua casa» fora de qualquer limite  no qual tenha algum domínio ou familiaridade.

Na linguagem simbólica usada pelos antigos, um planeta peregrino é aquele que «não tem nada de seu», não domina, portanto, nada no ambiente em que se encontra.

Como referimos em outro artigo, o planetas peregrino tem um significado muito importante para a Astrologia Horária  que se baseia em questões relacionadas com eventos que ocorrem num certo momento.

Assim, imagine-se que alguém deseja saber se uma certa oferta de emprego por exemplo, na área do ensino e da comunicação, será vantajosa. Na carta levantada para o efeito, observamos que Mercúrio aparece colocado num signo onde «não tem nada de seu» isto é, está na condição de  planeta «peregrino».

Ora, isso pode permitir-nos concluir que tal oferta, por ex., não terá grandes oportunidades de subir na carreira nem de melhorar o estatuto profissional que a pessoa deseja adquirir.

Dado que os antigos olhavam para os significados das dignidades em termos da «propriedade» ou «domínio» de um planeta em relação aos graus do Zodíaco, quando uma pessoa faz uma pergunta sobre bens roubados, ao levantar a carta para a questão , um planeta nessa carta com estatuto de peregrino representa geralmente o ladrão (porque este é aquele que tem os bons dos outros, não tendo nada de seu).

Os planetas peregrinos não têm força suficiente para produzir bons resultados de forma permanente embora o possam fazer em alguns momentos se adquirirem dignidade acidental. A sua fraqueza é reduzida também se  o planeta peregrino estiver em receção mútua com um planeta forte.

Planeta em Detrimento e Queda

Um planeta no signo de detrimento é aquele que está colocado no signo oposto àquele que rege. O planeta colocado no signo de detrimento está na sua posição mais vulnerável, por oposição àquela em que está mais forte e é o próprio signo.

Por outro lado, um planeta colocado em queda (debilitado, segundo a astrologia Jyotish) está colocado no signo oposto ao da sua exaltação. Enquanto a exaltação eleva um planeta ao seu máximo nível de força e de capacidade de influência, um planeta em queda sofre uma redução drástica da sua força e capacidade para influenciar.

William Lylly, o grande astrólogo do século XVII, refere-se nestes modos ao planeta em detrimento e ao planeta em queda: um planeta no signo de detrimento «é como uma pessoa a quem se tirou toda a propriedade , sem possibilidade de recuperação».

Mas o planeta  que está em queda é aquele que está numa situação de «sujeição» mas que tem possibilidade de recuperação.

Portanto, como já tivemos oportunidade de referir em outros artigos, a astrologia Jyotish e a astrologia helenística e tradição posterior ocidental  divergem neste ponto: para a astrologia  helenística e ocidental, um planeta está mais dignificado no próprio signo do que no  signo de exaltação e, contrariamente, está mais fraco no signo de detrimento do que no signo de queda ou debilitação.

Não vamos discutir neste artigo as razões de uns e de outros mas referimos apenas que,  na astrologia Jyotish, um planeta debilitado pode ver o seu estado de fraqueza reduzido se, por ex., está exaltado nas cartas divisionais, em especial na navamsa. Assim, acaba-se por chegar a resultados semelhantes, embora por caminhos diferentes.

Quando um planeta está em detrimento ou queda e, além disso , também é peregrino, está muito fraco . Na expressão simbólica dos antigos, um tal planeta é como alguém «caído em desgraça que perdeu toda a capacidade para manobrar uma situação a seu favor».

Uma pessoa que tenha vários planetas nesta situação no horóscopo é alguém que os antigos referiam como nascendo numa família de baixa condição e sem poder aspirar a mais do que à obscuridade. Segundo os astrólogos helenísticos, uma tal pessoa seria pobre e sem sorte.

Um outro fator a considerar são os aspetos que os planetas recebem a partir dos signos em que se encontram. Este fator foi  sublinhado por William Lilly, que afirmava dever ser tido em conta se um planeta recebe um aspeto de outro a partir de um signo onde tem domínio  em vez de um aspeto a partir de um signo onde está em detrimento ou queda.

Deste modo, o mesmo aspeto (um trino, por ex.,) não tem os mesmos efeitos, estes dependem da relação entre o planeta que recebe o aspeto e o signo do planeta que lança esse aspeto: o Sol  no signo em Caranguejo em  trino com a Lua  é mais favorável do que o Sol no signo Capricórnio em trino com a Lua pois o signo Capricórnio é o signo de detrimento da Lua.

Isto sucede porque o planeta que lança aspeto para outro a partir de um dado signo associa o planeta que recebe esse aspeto com o signo donde este é enviado. O sol em Capricórnio associa, deste modo, quando em aspeto com a Lua, mesmo sendo um dos considerados «aspetos benéficos», a Lua com  o seu signo de detrimento.

Estes aspetos assumem uma importância muito relevante na Astrologia Horária.  No próximo artigo explicaremos como se quantificava a debilidade dos planetas com base nos elementos de que falamos neste artigo.

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