Serapion de Alexandria Definições #2

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Neste artigo continuamos a publicar o glossário astrológico  com as definições deixadas na obra de Serapion de Alexandria, Paranomasiai.

Lote da fortuna– é o arquétipo ou primeiro padrão.  Como referimos nos artigos sobre as partes ou lotes, o lote da fortuna tem relação com o corpo e, por isso, foi considerado um ponto de referência importante pelos astrólogos antigos, que o usavam também como Ascendente especial.

Lua Brilhante- quando a Lua se afasta 15º para lá do Sol e se eleva, é dita brilhante.             A mesma designação aplica-se aos outros planetas na mesma situação.

Casas Panapara[1] e Apoklima[2]–  entre as casas panapara, a 2ª e entre as apoklima a 6ª, são as melhores, porque estão em trígono com o meio do céu. (cúspide da 10ª casa)

Efeitos dos Planetas nas Casas do horóscopo- Os planetas colocados no  meio do céu e  em cada casa pivot (angulares)  dão a aquisição. Os planetas nas  casas apoklima indicam a qualidade da aquisição.

Assim, Júpiter a culminar (colocado na 10ª casa) e Marte colocado na 6ª casa: Júpiter dá a aquisição e Marte indica o meio pelo qual essa aquisição se faz: meios militares, por ex., o mesmo é dizer que Júpiter é o agente  causador e Marte mostra a qualidade do que é dado ao nativo.

Maléficos nas casas apoklima –  são mais poderosos quanto mais perto estão da casa pivot (angular). Isto acontece porque é através das casas pivot que a influência maléfica é distribuída. Isto  é especialmente verdadeiro quando estão na 6ª casa.

Esta referência mostra que um planeta na mesma casa pode produzir efeitos mais poderosos do que outro, de acordo com a sua proximidade da cúspide da  casa angular.

Aspetos– a colocação de planetas maléficos em aspeto trino é mais amigável, mesmo quando são maléficos, pois prejudicam menos; os aspetos de quadrado (quadratura) são os mais fortes; os em hexágono (sextil)  são os mais fracos.

O diâmetro[3] dos planetas benéficos cria rivalidade; o diâmetro dos maléficos torna piores os eventos negativos;

Quando estes diâmetros influenciam as casas angulares, pela sua proximidade, a conjunção dos benéficos com a cúspide da casa aumenta os benefícios destes enquanto que os dos maléficos suavizam a sua tendência para causar mal.

Efeitos dos Diâmetros dos Planetas– Os melhores diâmetros são: a Lua no signo Touro; Marte em Escorpião; Sol em Leão; Saturno em Aquário; Júpiter em Sagitário; Saturno em Gémeos; Saturno em Balança. Isto deve-se, segundo Serapion, ao facto de os planetas estarem no próprio domicílio e, por isso, serem aí dominantes.

O «diâmetro» refere-se assim aos «limites» da influência de um planeta numa certa zona do Zodíaco.

A Pior colocação do Planeta– a pior colocação de um planeta é a posição oposta aos seus próprios  termos ,  uma das «dignidades» na astrologia clássica.

Efeitos da convexidade da Terra–  Júpiter e Saturno não sofrem devido à convexidade da Terra, nem a Lua quando está colocada no signo Touro nem Marte quando colocado no signo Escorpião. Mas todos os outros planetas, mesmo quando estão colocados no seu diâmetro, sofrem, ficando invisíveis uns para os outros, devido à convexidade da Terra.

Termo e Regência do signo da Lua–  Quando o  regente do termo no qual a Lua está colocada está ele próprio colocado no próprio signo ou grau e está em aspeto com a Lua, o regente do termo torna-se o regente da casa.

Movimento da Lua– os graus do zodíaco abandonados pela Lua quando em movimento chamam-se  de separação; os graus para os quais a Lua se move chamam-se graus de conjunção.

Se acontecer que o regente desses graus se aproxima do termo que rege e a Lua está presente com ele em conjunção nesse termo, a conjunção «tem autoridade».(Isto é, os seus efeitos são plenos).

Do mesmo modo, se a Lua está a separar-se da conjunção, a separação tem autoridade. (Isto é, a conjunção perde força).

Quando a Lua está prestes a formar uma conjunção com outro planeta, tanto por o seu corpo estar conjunto com este como por aspeto, é preciso ver qual é o planeta que rege o termo, isto é, os graus em que se dá a conjunção, porque esse planeta é aquele para o qual a Lua lança os seus raios.

A conjunção só é dominante quando o planeta para o qual a Lua lança os seus raios é o mesmo que rege o termo. A conjunção não é dominante quando  o regente do termo e o planeta que «recebe os raios» da Lua são diferentes. O mesmo acontece na separação.

Fases da Lua– a Lua tem excelentes resultados quando, na fase de Lua cheia, está colocada no secto do sol ; quando está minguante dá melhores resultados no seu próprio secto.

Efeitos da Fase da Lua– quando a Lua está mover-se da fase minguante para a fase crescente, faz da pessoa alguém com meios moderados; a partir da fase crescente para a fase minguante faz do nativo alguém humilde; quando se move da fase crescente para a fase da Lua Cheia, torna o nativo afortunado; quando se move da fase de Lua cheia para a fase crescente torna o nativo alguém de meios moderados;

Quando a Lua está na fase minguante, a sua força está muito reduzida. Mas devem ser tidas em conta outras considerações para além da fase da Lua: assim, seja qual for a fase da Lua, se esta não recebe nem o aspeto de Júpiter nem de Vénus ou se estiver vazia de curso [4], torna o nativo mediano e amante da solidão. Se a Lua estiver nas condições mencionadas atrás e também estiver minguante torna a pessoa alguém que vive à margem da sociedade («banido» na terminologia antiga).

Aspeto Separativo da Lua– quando a Lua está a formar um aspeto separativo de Mercúrio, dá indicações sobre a disposição mental da pessoa e o seu caráter; quando se separa de Vénus indica a formação de desejos ligados a prazeres;

Quando se separa de Júpiter dá indicação de mudanças no coração da alma; quando se separa de Saturno dá indicações de degeneração dos nervos e perturbação dos fluidos do corpo, bem como de medos; se se separa do Sol ou de Marte indica queimaduras e tudo o que provém do fogo.

 

[1]  As casas Panapara são o mesmo que as casas Sucedentes: 2, 5, 8, 11

[2] As casas Apoklima são o mesmo que as casas Cadentes: 3, 6, 9, 12.

[3] O diâmetro  em termos astronómicos é a medida do planeta em km de uma ponta à outra do equador do planeta. Em termos astrológicos mostra  o domínio que o planeta tem num determinado nº de graus do zodíaco, devido á posição celeste que ocupa e ao seu tamanho (massa).

[4] A Lua está «vazia de curso» quando não forma nenhum aspeto maior com outros planetas antes de abandonar o signo em que está colocada.

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