Questões sobre a Fiabilidade da Consulta Horária

arranjo com relógio a marcar o tempo

Neste artigo falamos dos métodos tradicionais para determinar a fiabilidade da consulta de Astrologia Horária, tanto devido a fatores  ligados com o querente como com a carta horária.

Pode a consulta da astrologia horária errar nas previsões? Esta questão, muito debatida entre os astrólogos que praticam astrologia tem, desde há séculos, preocupado os que se dedicam a este ramo da astrologia. Neste artigo fazemos referência aos conselhos e considerações de grandes astrólogos do passado como  Guido Bonatus, que os escreveu no século 12 ou William Lilly que escreveu sobre eles no século 17.

Restrições que Dificultam as Previsões da Consulta Horária

Restrições Relacionadas com o Querente

Quando a pessoa que faz a pergunta não tem uma real necessidade, interesse ou motivação para fazer a pergunta e a faz apenas para colocar o astrólogo em questão ou quando, deliberadamente, faz uma pergunta para a qual já sabe a resposta, a consulta não produz resultados positivos.

Assim, se a pessoa que faz a pergunta não tem uma intenção real de saber a resposta ou não tem a clareza mental necessária para fazer a pergunta de modo  que esta fique imbuída de uma carga emocional firme e dirigida claramente para a procura de uma solução, inevitavelmente haverá erros nas previsões e interpretação.

E, em relação a estas preocupações, Bonatus afirmou que a sua experiência  o ajudou a determinar algumas regras que mostram quando as previsões da carta horária serão ou não previsivelmente fiáveis.

Na medida em que nenhum astrólogo consegue «entrar» na mente do querente para saber se as intenções deste ao fazer a pergunta são ou não verdadeiras, o uso destes meios objetivos pode ajudar qualquer astrólogo a perceber quando a carta mostra ou não resultados fiáveis.

Restrições Relacionadas com a Carta Horária

Segundo autores tradicionais, como Guido Bonatus e William Lilly, quando o Ascendente da carta horária calha no final de um  signo, muito perto de entrar no signo seguinte, entre dois signos, portanto, isso é indicador de que a pessoa não fez a pergunta com seriedade ou a pessoa veio testar o astrólogo.

Na atualidade, os astrólogos praticantes de astrologia horária referem-se a esta conceção de Guido Bonatus como a «regra do Ascendente demasiado tardio ou demasiado precoce». Isto aplica-se quando o Ascendente está depois dos 27º de um signo ou antes de 3º de um signo.

Quando isto acontece, a carta pode induzir em erros de interpretação, ou porque o querente não foi sincero a fazer a pergunta ou está simplesmente a testar o astrólogo.

Quando o Ascendente calha a menos de 3º de um signo, isso é indicador de que o assunto em questão é demasiado prematuro e ainda não é possível efetuar um juízo fiável, sendo necessária mais informação (ou desenvolvimento da matéria).

Quando o Ascendente calha depois dos 27º de um signo, isso indica que a matéria em questão passou do ponto máximo do seu desenvolvimento isto é, já produziu o seu resultado final (e, por isso, a pessoa ao fazer a pergunta já sabe a resposta).

Outros astrólogos referem que, nestas falsas consultas, há ainda outros indicadores, como a Lua «vazia de curso» que deve ser considerada. Isto significa que a Lua não formará aspetos maiores antes de abandonar o signo em que se encontra.

A Lua «vazia de curso» indica que não ocorrerá nada de relevante em relação ao assunto em questão ou que a pergunta é problemática e não há respostas relevantes que possam ser dadas.

A Lua vazia de curso pode indicar que o querente está a testar o astrólogo ou não está numa postura séria ao fazer a pergunta. Também pode indicar, no entanto, algo diferente quando a Lua está colocada no signo de exaltação ou próprio signo de um planeta benéfico (Júpiter e Vénus).

Assim, se a Lua vazia de curso ocorre no signo Touro, Caranguejo, Sagitário ou Peixes, e a carta parece indicar resultados fortes em termos gerais, a consulta deve ser levada a sério.

O astrólogo também não poderá fazer previsões fiáveis quando a Lua está colocada entre 15º do signo Balança e 15 graus do signo Escorpião. Segundo a tradição, nestes graus, existe um elemento de caos e imprevisibilidade que não garante a correção das previsões da consulta horária.

Outros astrólogos desta área astrológica salientam a importância da 7ª casa na carta horária. Isto porque a 7ª casa representa os conselheiros pessoais do querente e isto inclui o astrólogo.

A cúspide da 7ª casa aflita, o regente da 7ª casa retrógrado, colocado no termo de um maléfico, etc., são indicadores de dificuldades na leitura da carta horária (exceto quando o astrólogo a levanta para si próprio).

Deste modo, quando Saturno tem a regência da 7ª casa ou está colocado nessa casa, ou se a cúspide da 7ª casa ou o seu regente sofrem aflição, o astrólogo não é a pessoa indicada para aconselhar aquela pessoa e, por isso, pode errar nas previsões e na interpretação que faz.

Há, no entanto, uma exceção para esta regra da 7ª casa e é quando a pergunta feita pelo querente tem uma matéria relacionada com a 7ª casa. Neste caso as restrições referidas nos parágrafos anteriores sobre a 7ª casa não se aplicam.

Uma outra dificuldade colocada à análise da carta horária é a colocação de Saturno na 1ª casa, a menos que haja um cancelamento desta posição. Assim, Saturno conjunto com o Ascendente, especialmente quando está retrógrado, indica quase sempre que o desejo do querente não se concretizará.

Segundo Lilly, Saturno na 7ª casa corrompe o juízo do astrólogo dificultando a sua interpretação; ou, em alternativa, indica que a matéria em questão andará de má fortuna para má fortuna.

A exceção para isso  é quando a pergunta do querente se relaciona com os significados de Saturno. Assim, se a pessoa deseja saber se obterá um adiamento em relação a uma matéria determinada, e porque Saturno representa atrasos, a sua presença no Ascendente indica que a pessoa conseguirá o que deseja.

Quando  o regente do Ascendente está combusto– isto acontece quando um planeta está colocado entre 17’ e 8º 30’ do Sol (não confundir quando um planeta está «sob os raios do sol»- quando um planeta está colocado entre 8º 30’ e 17º de distância do sol em que um planeta está mais fraco mas menos do que quando está combusto.

A tradição distingue ainda um outro estado- Cazimi no qual um planeta está  numa distância de 17 ‘ do sol e tem extrema força)- mas, como dizíamos, quando o regente do Ascendente está combusto, segundo William Lilly, ou a questão não se desenvolve  de forma clara, ou ficará insatisfeito, de qualquer modo, com o astrólogo.

Este grande astrólogo do século 17 considerava ainda que a carta horária deve apresentar as seguintes condições para  garantir a fiabilidade da consulta horária e descrever de forma satisfatória a questão:

-O regente do Ascendente deve pertencer à mesma «hora» que o regente da hora planetária na qual é feita a pergunta; deverão também ter ambos a mesma natureza. Se isso não acontece, o Ascendente deve descrever fisicamente o querente. Explicaremos melhor esta questão em outro artigo.

-A carta deverá descrever de forma clara a questão formulada: por ex., o Sol e a Lua deverão estar colocados em casas pertinentes para a questão formulada .A Lua deve formar aspetos separativos que descrevem eventos recentes para a questão. Os signos do Sol e da Lua deverão ter alguma relação com a questão.

-E quando existe na carta  horária uma distribuição equilibrada de fatores positivos e de fatores negativos? Neste caso é extremamente difícil conseguir uma resposta clara.

Dependendo da experiência de cada astrólogo, este deve decidir se, em tais casos, prefere desistir da análise, reservando-a para um outro momento ou se arriscará fazer a interpretação, mesmo assim. Veremos como alguns astrólogos de grande saber, como W. Lilly, decidem esta questão.

Uma Boa Previsão na Consulta Horária

Ao longo de séculos, o ser humano deu-se conta de que o «destino» não é algo escrito em pedra. A liberdade e as escolhas que faz, são um importante elemento nesta equação.

Deste modo, nenhuma previsão astrológica, seja na Astrologia Horária seja em qualquer outra forma de  Astrologia, pode prever o que quer que seja de forma absoluta e definitiva.

A liberdade do ser humano não é uma escolha sem limites mas existe e é bem real. Isso significa que é possível alterar as tendências do «destino» num certo momento do tempo e, com isso, modificar essas tendências simplesmente porque a pessoa faz alguma escolha que tem esse efeito.

De forma geral, não se podem fazer previsões com um grau superior a 75% de fiabilidade, percentagem que, em geral, os astrólogos consideram razoável, para qualquer previsão astrológica.

No entanto, é também claro que, quanto mais uma pessoa assume de forma consciente as suas escolhas, vivendo como um indivíduo, mais livre é das tendências predeterminadas e das condicionantes do seu próprio horóscopo de nascimento.

No que se refere à Astrologia horária, esta é uma previsão feita para as condições espácio-temporais do momento em que a consulta é efetuada. Se essa consulta for realizada num momento diferente, sobretudo se a consciência da pessoa tiver mudado, é bem provável que o resultado seja também diferente.

No entanto, é igualmente inegável que as configurações do horóscopo de nascimento traçam os limites gerais do destino individual. Esses limites não são rígidos mas existem e é no equilíbrio entre o que nos determina e o que escolhemos que se desenvolve o caráter único de cada existência individual.

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