Significar Pessoas e Objetos Usando a Derivação de Casas

textura de conexões

Neste artigo fazemos alguma discussão acerca da  atribuição  de significados das casas do horóscopo,  usando o princípio da derivação de casas.

Num artigo anterior falámos de alguns significados das casas obtidos por derivação. Neste artigo damos mais explicações e exemplificamos a sua aplicação.

Sistema de Casas

Dado que a Astrologia Horária não usa o sistema de casas iguais, a escolha do sistema de casas a usar é de grande importância. Devido ao reconhecimento de william Lilly, a grande autoridade em astrologia do século 17 e ao facto de este ter usado o sistema de casas de Regiomontanus, há muitos astrólogos que apenas usam este sistema de casas.

Há outros, na atualidade porém, que também têm usado outros sistemas, como Koch ou Placidus. Mas a grande maioria usa o sistema de Regiomontanus.

Com isto em mente, convém ter presente que W. Lilly tinha um critério que importa conhecer: ele usava  uma orbe de 5º para determinar, quando um planeta está próximo da cúspide da casa, em que casa deve ser considerado. Assim, qualquer planeta que esteja a uma distância de 5º da cúspide da casa seguinte, deve ser visto como estando colocado na casa seguinte.

Do mesmo modo, qualquer planeta colocado na casa anterior, a menos de 5ª da cúspide, deve ser considerado como estando na casa seguinte: por ex., se Júpiter se encontra colocado a 26º de Caranguejo na 2ª casa e a cúspide da 3ª casa está a 29º do mesmo signo, Júpiter deve ser considerado como estando na 3ª casa e não na 2ª.

Como nota importante, esta orbe de 5º apenas é observada quando se usa o sistema de casas de Regiomontanus.

Apesar de cada estudante poder experimentar vários sistemas de casas até escolher o que considera mais fiável, convém lembrar uma regra simples que é: do mesmo modo que, na consulta horária, se deve fazer a pergunta apenass uma vez, não deve usar-se para a mesma pergunta, sistemas de casa diferentes, só com o intuito de «experimentar». Mais vale usar apenas um sistema, para cada pergunta, e esperar pelo resultado.

Finalmente, há boas razões para seguir a tradição, pois esta tem sólidas provas dadas.

Regência da Casa da Mãe e do Pai

Já fizemos alusão a esta polémica diversas vezes: os antigos associavam a 10ª casa à mãe e a 4ª ao pai mas hoje, a maioria considera que a 4ª é a casa da mãe e a 10ª a casa do pai. Há boas razões para aceitar a última caracterização pois a 4ª casa, relacionada com proteção e abrigo, o lar, a 10ª está relacionada com a autoridade, o que está mais em conformidade com o papel do pai nas sociedades que conhecemos.

Porém, a generalidade dos astrólogos considera que, na astrologia horária, devem ser respeitados os significados tradicionais.

William Lilly descrevia da seguinte forma  os indicadores da mãe: em 1º lugar a 10ª casa; em 2º lugar o regente da 10ª casa; em 3º lugar Vénus quando o nascimento é diurno e a Lua quando o nascimento é noturno; em 4ª lugar um planeta ou planetas que estejam colocados na 10ª casa.

Para os significadores do pai, Lilly diz o seguinte: em 1º lugar a 4ª casa, em segundo lugar o regente da 4ª casa; em 3º lugar o Sol num nascimento diurno ou Saturno num nascimento noturno; em 4º lugar um planeta ou planetas colocados na 4ª casa.

Cumpre referir que Lilly usava estes significadores para todos os horóscopos em geral, não apenas na astrologia horária.

Confessamos a nossa preferência pela caracterização inversa da casa da mãe e do pai (4ª para a mãe e 10ª para o pai) mas, na astrologia horária, seguimos a tradição.

Derivação de Casas

Na astrologia horária, algumas questões colocam-se, quando o querente faz perguntas que não estão diretamente relacionadas com ele mas com alguma outra pessoa. Nesta circunstância, é preciso saber qual das casas representa a pessoa sobre a qual se faz a questão.

Quando a questão é feita sobre o querente, este problema não se põe mas coloca-se quando a pergunta é sobre uma outra pessoa. Aí é preciso usar uma técnica bem conhecida na astrologia em geral, que é a correlação ou derivação de casas.

Assim, numa pergunta sobre o tio (irmão do pai) fazemos o seguinte para determinar a casa que rege o tio: a 3ª casa rege os irmãos e o tio é irmão do pai. A casa que representa o pai é a 4ª, assim, contando 3 casas a partir da 4, temos a 6ª casa, que representa tanto os tios como as tias pois a 3ª representa os irmãos, independentemente do sexo.

Mas imaginemos que a pergunta é sobre os avós em conjunto. Se estes são os pais do pai ,a 4ª casa , que significa o pai ou ambos os pais, é a considerada, devendo contar-se 4  casas a partir da 4ª, para obter a casa dos avós (pais do pai).

Se, pelo contrário, os avós forem do lado materno, devem contar-se 4 casas (porque a 4ª casa é a casa dos pais) a contar da 10ª que é a casa da mãe. Deste modo, a 4ª casa a partir da 10ª representa os pais da mãe.

Inicialmente isto pode parecer confuso mas é uma questão de prática: primeiro encontra-se a casa que representa o ponto de partida; seguidamente conta-se o nº de casas que corresponde à relação que vamos estabelecer com a pessoa do ponto de partida.

Por exemplo, uma pergunta sobre sobrinhos envolve um ponto de partida que é o irmão: este é representado pela 3ª casa. Mas as crianças são representadas pela 5ª casa. Assim, uma pergunta envolvendo os sobrinhos (ou sobrinhas) corresponde à 5ª casa a partir da 3ª ou seja, a 7ª casa.

Já os «sobrinhos e sobrinhas» por casamento correspondem a uma casa que é contada a partir da casa do cônjuge, ou seja, a 7ª: Depois é preciso contar 3 casas a partir da 7ª (irmãos do cônjuge), ou seja, a 9ª. E, finalmente, porque a 9ª representa os irmãos do cônjuge, os filhos deste são representados pela 5ª casa a partir da 9ª, isto é, pela 1ª casa.

O princípio para encontrar a casa correta que signifique a pessoa relacionada com a pergunta da consulta, usando a derivação de casas é sempre idêntico ao que referimos no parágrafo anterior. Parece difícil mas é uma questão de prática.

Atribuir a Casa a Coisas ou Seres que Têm alguma Relação entre Si

A atribuição da casa que representa a matéria da questão pode ser complicada, sobretudo quando há mais do que um elemento, como quando alguém faz uma pergunta sobre o (a) filho (a) e tem mais do que um.

Assim, imaginemos que a pessoa quer saber alguma coisa sobre o segundo filho. Para o primeiro filho já sabemos que a casa que o representa é a 5ª; então, para encontrarmos a casa que representa o segundo filho simplesmente lembramo-nos de que esse segundo filho é irmão do primeiro.

Deste modo, a partir da 5ª contamos 3 casas pois a 3ª é a casa dos irmãos. E assim obtemos a 7ª casa como representando o segundo filho.

Agora, para objetos ou coisas, por exemplo, para uma pergunta sobre a venda de uma segunda casa de férias.

A casa habitual é representada pela 4ª casa; a casa de férias/fins de semana é representada pela 3ª casa, das deslocações curtas. Assim, para saber se é favorável vender a casa de férias, contam-se 3 casas a partir da 4ª e obtemos a 6ª casa como representando a casa de férias.

O princípio aqui a ser usado deve ser o de haver uma relação de propriedade ou de parentesco entre o querente e a coisa/bem/ objeto ou pessoa sobre os quais se faz a pergunta. Sem essa relação não é possível estabelecer as ligações significativas entre a carta horária e a pessoa que faz a pergunta.

Se a Pessoa faz uma pergunta que envolve bens que possui e a intenção de adquirir outro bem de que não é dono, é preciso ver qual a finalidade. Imagine-se que uma pessoa está a pensar mudar para uma outra cidade e pergunta de deve vender a casa atual em que vive por uma nova casa na cidade para onde pensa ir viver.

A casa onde vive agora é representada pela 4ª casa. A casa que se quer comprar  deve ser vista como tendo a mesma relação que o querente tem com a casa que já possui pois a intenção dele é vender a primeira para comprar a outra para lá viver.  Assim, a segunda casa deve ser representada pela 4ª casa a partir da 4ª casa.

E, se a pessoa quer vender uma casa de férias para comprar outra: neste caso, a casa de férias é representada, como vimos, pela 3ª a partir da 4ª, isto é a 6ª. Mas o querente quer vender esta casa para a substituir por uma outra casa de férias. Deste modo, deverá contar 6 casas a partir da 6ª, pois a 6ª casa é a que representa a casa de férias.

Pensamos ter deixado exemplos que ajudarão os leitores a aplicar o princípio da derivação de casas.

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