Os Aspetos na Astrologia Horária 1

figuras geométricas

Neste artigo falamos dos aspetos usados na Astrologia Horária. Estes são os aspetos usados desde a Astrologia Helenística e continuados pela tradição renascentista.

Note-se que os aspetos a considerar como significadores principais são os aspetos maiores. No entanto, os aspetos menores podem ajudar a confirmar as configurações da carta mas são sempre indicadores secundários.

Os «aspetos maiores» são as conjunções, trinos, quadraturas, sextis e oposições. Estes são também conhecidos como «aspetos ptolemaicos» do nome Ptolomeu, o grande astrólogo helenístico que os sistematizou.

Segue-se um curto resumo dos aspetos maiores quanto ao seu significado e orbes usadas na Astrologia horária:

Aspetos Maiores

Conjunção– Indica cooperação e unificação, encontro, reunião. Pode ser positiva ou negativa de acordo com a natureza dos planetas envolvidos e da questão formulada. O seu ângulo é de 0º e a orbe de 8º.

Sextil– É um aspeto positivo que indica oportunidade e sucesso com esforço. Tem um ângulo de 60º e uma orbe de 8º.

Quadratura– É um aspeto negativo. Indica frustração, obstáculos, sofrimento causado por stress. Tem um ângulo de 90º e uma orbe de 8º.

Trino– É um aspeto positivo. Indica sucesso e boa fortuna. Os objetivos são mais fáceis de alcançar do que com o sextil. Forma um ângulo de 120º e tem uma orbe de 8º.

Oposição– Aspeto negativo. Indica separação, conflito, o desfazer de algo acompanhado de sofrimento.  Tem um ângulo de 180º e uma orbe de 8º.

Apesar de não serem aspetos maiores, alguns astrólogos dão também importância aos seguintes aspetos menores:

Quincôncio– Aspeto negativo. Indica ajustamento difícil, degradação, luxação. Tem um ângulo de 150º e uma orbe de 5º.

Paralelo– Este é um aspeto usado pela astróloga Ivy Goldstein- Jakobson. Segundo esta, indica, na astrologia horária, que a situação da pergunta não melhorará, permanecendo como está. Este aspeto tem uma declinação de 1º.

Os dois últimos aspetos referidos não devem ser tratados como iguais em importância, relativamente aos aspetos maiores.

Ler os Aspetos

Para além de considerar os aspetos maiores como os principais significadores, a regra simples é a seguinte: aspetos positivos dão  resultados positivos; aspetos negativos dão resultados negativos.

Porém, William Lilly defendeu que, por vezes, os sextis podem comportar-se como quadraturas e as quadraturas podem comportar-se como trinos. Isto acontece com os signos de longa e curta ascensão.

Sumariando:

Signos de Longa Ascensão para o Hemisfério Norte: Caranguejo, Leão, Virgem, Balança, Capricórnio.

Segundo Lilly, quando os planetas de longa ascensão formam um sextil  de aplicação entre si , este comporta-se como uma quadratura; e quando formam uma quadratura de aplicação entre si, esta comporta-se como um trino.

Signos de Curta Ascensão para o Hemisfério Norte: Capricórnio, Aquário, Peixes, Carneiro, Touro, Gémeos.

Quando estes signos formam uma quadratura de aplicação entre si esta comporta-se como um sextil e, quando formam um trino de aplicação entre si, este comporta-se como uma quadratura.

Para o Hemisfério Sul, a ordem referida é invertida: os signos de longa Ascensão no hemisfério norte  são os de curta no hemisfério sul e vice-versa.

Segundo Marc Edmund Jones, o astrólogo que escreveu o  texto clássico sobre os aspetos na astrologia ocidental , numa carta horária, os aspetos entre signos de longa ascensão indicam um desenvolvimento dos acontecimentos sólido e com poucas preocupações, enquanto os aspetos entre signos de curta ascensão indicam impulsividade na ação e um rápido desenvolvimento da matéria em análise.

Orbes dos Planetas segundo W. Lilly

Os astrólogos de hoje tendem a considerar uma orbe para os aspetos mas Lilly não usava este critério, definindo antes a orbe de influência de um planeta. Lilly usava, na verdade, duas orbes, tendo escrito que «umas vezes uso uma, outras vezes a outra».

Há que não esquecer, no entanto, o que já dissemos num artigo anterior:  qualquer planeta que esteja dentro de uma orbe de 17º em relação ao sol (Estar sob os raios do Sol) o que é diferente de estar combusto (ou em Cazimi)

O que é uma orbe de um planeta? É uma esfera de influência, na qual o planeta deve ser colocado no centro e exerce a sua influência para todos os lados  do seguinte modo: estando o planeta no centro, «espalha os seus raios» metade para a frente e metade para trás. Assim, os 17 º de influência do Sol são lidos como 8º 30’ para a frente e 8º 30’ para trás. O mesmo acontece para os restantes planetas.

Vejamos caso a caso a órbita de todos os planetas, começando pelo mais longínquo, como faziam os antigos:

Saturno: 1ª orbe – 10º; 2ª orbe- 9º.  Lê-se como  5º ou 4º 30’ para cada lado segundo a orbe usada.

Júpiter: 1ª orbe- 12º; 2ª orbe- 9º. Lê-se como 6º ou 4º 30’ para cada lado segundo a orbe usada.

Marte: 1ª orbe- 7º 30’; 2ª orbe- 7º. Lê-se como 3º 45’ ou 3º 30’ para cada lado segundo a orbe usada.

Sol: 1ª orbe- 17º; 2ª orbe 15º. Lê-se como 8º 30’ ou 7º 30’ para cada lado segundo a orbe usada.

Vénus: 1ª orbe- 8º; 2ª orbe- 7º. Lê-se como 4º ou 3º30’ para cada lado segundo a orbe usada.

Mercúrio: 1ª orbe- 7º ; 2ª orbe 7º. Lê-se como 3º 30’ para cada lado em ambas as orbes.

Lua: 1ª orbe 12º 30’; 2ª orbe- 12º. Lê-se como 6º 15’ ou como 6º para cada lado, segundo a orbe usada.

Como funciona isto na prática? Imaginemos que a Lua está colocada no signo Carneiro a 13º 14’ e que Mercúrio está também colocado no signo Carneiro a 16º .

Para sabermos se formam uma conjunção vemos que a influência da Lua se estende desde o grau em que se encontra por 6º 15’ para a frente, logo, está conjunta com um planeta a 3º de distância.

Por sua vez, Mercúrio já se separou do grau em que se encontra a Lua mas a sua orbe estende-se para trás  3º 30’ por isso forma uma conjunção com a Lua (por sua vez, esta forma uma conjunção de aplicação com Mercúrio.

É assim que faz sentido referir os aspetos de aplicação e de separação.

Aspetos de Aplicação e de Separação

Em primeiro lugar, há que memorizar uma regra simples: é sempre o planeta mais rápido que forma aspetos  com outros planetas mais lentos. Deste modo, a Lua é o corpo celeste que mais aspetos forma pois é o mais rápido de todos.

Assim, no exemplo referido, Mercúrio não forma aspetos de aplicação com a Lua porque, sendo esta mais rápida, há de formar um aspeto de aplicação com Mercúrio, mais ou menos rapidamente de acordo com a distância em relação a este.

Deste modo, excetuando-se a situação de planetas retrógrados, a Lua aplica-se a outros planetas e não o contrário. Daí que seja um elemento tão importante na astrologia horária, para indicar mudanças.

Segundo W. Lilly, um aspeto é considerado de separação quando atinge 6’ após ser exato.

Um aspeto de aplicação indica acontecimentos futuros; um aspeto de separação indica eventos passados.

Aspetos Menores segundo a Tradição

Aspeto DexterEste é um aspeto formado na ordem contrária à ordem do Zodíaco. Por exemplo, Mercúrio em Leão formando um sextil com Júpiter em Touro. É mais forte do que o aspeto sinister.

Aspeto Sinister- É todo o aspeto formado na ordem normal do Zodíaco: Vénus em  Gémeos forma  um sextil com Saturno em Leão. Lilly afirmou ter constatado que estes aspetos são menos fortes do que os aspetos  Dexter.

Aspeto Partil- Este aspeto ocorre quando dois planetas em signos diferentes estão colocados no mesmo grau e formam um aspeto: o Sol em 3º de Sagitário e Marte em 3º de Peixes formam um partil quadratura. Coloca uma ênfase no significado, podendo indicar que a ação está prestes a ser concluída.

Aspeto Plático-  indica a formação de um aspeto entre planetas que se encontram na orbe de influência mútua mas em graus diferentes, sendo assim um termo que distingue um aspeto em grau exato – partil- enquanto o aspeto plático sinaliza um aspeto em graus não exatos entre planetas, sendo uma designação geral, tal como o aspeto partil.

No próximo artigo continuaremos a falar dos aspetos na Astrologia Horária.

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