Os Aspetos na Astrologia Horária #2

Pintura formando contornos e figuras geométricas

Continuamos a explicar alguns dos conceitos tradicionais sobre o uso dos aspetos na Astrologia horária, que devem  ser tidos em conta  pois esclarecem muitas das práticas usadas também em outros ramos da Astrologia.

Aspeto de Aplicação Mútua

Este aspeto ocorre  quando um dos planetas está retrógrado. Deste modo, quando um planeta mais rápido se aplica na formação de um aspeto, o planeta retrógrado, ao mover-se para trás, também se aplica na formação de aspeto com o primeiro.

Este é um aspeto importante na astrologia horária, e indica que a matéria da questão será rapidamente trazida à conclusão ou que um objeto perdido ou um animal de estimação ou pessoa será recuperado.

Antiscia

Os antiscia ou «pontos do solstício» são pontos que refletem a imagem ou sombra  do planeta tomando por  referência o eixo Caranguejo/Capricórnio.

Cada signo tem o seu Antiscia  que une a sua sombra com outro signo:

Assim, o antiscia de Carneiro é virgem e vice-versa;

O antiscia de Touro é Leão e vice-versa;

O antiscia de Gémeos é Caranguejo e vice-versa;

O antiscia de Balança é Peixes e vice-versa;

O antiscia de Escorpião é Aquário e vice-versa;

O antiscia de Sagiário é Capricórnio e vice-versa.

Pode facilmente calcular-se o Antiscia de qualquer planeta. Basta tomar nota do grau em que se encontra esse planeta num signo. Por exemplo, se Marte está colocado a 22º de Escorpião, subtrai-se a diferença em relação a 30º (quando há graus e minutos a considerar, subtrair de 29º e 60’).

O remanescente no exemplo dado são 8º. Assim, para encontrar o antiscia do planeta Marte, neste exemplo, vemos qual é o signo antiscia de Escorpião- Aquário- e calculamos o antiscia de Marte como estando a 8º do signo Aquário. Este é o grau em que a «sombra» de planeta Marte é refletida, para esta pessoa.

Quando algum planeta transita por este grau antiscia, traz assuntos secretos, escondidos, atos realizados de forma secreta ou escondida em relação aos significados do planeta  na carta.

Em oposição ao Antiscia de um planeta, existe o Contrascia que é o ponto exatamente oposto ao antiscia.(180º)

Na ordem da interpretação, a conjunção de um planeta com o antiscia de outro atua como um sextil ou trino, a conjunção de um planeta com o contrascia de outro atua como uma quadratura ou conclusão.

Aspeto que Transporta Luz

Este aspeto ocorre quando dois planetas importantes para a análise da matéria da questão não estão em aspeto um com o outro mas estão em aspeto com um terceiro planeta mais lento. Este terceiro planeta é dito transportar ou recolher a luz do planeta mais rápido entre os outros dois.

Este aspeto pode significar que uma terceira pessoa ou força intervirá para levar a matéria até à sua conclusão.

Este aspeto também é usado quando os planetas do querente e do quesito (regente da casa que rege  a matéria da questão) estão em aspeto desfavorável um com o outro.

Quando isso acontece e esses planetas formam um aspeto com um terceiro planeta mais lento e colocado num grau posterior  àquele em que se encontram os que representam a matéria e o querente, o assunto poderá ainda ser decidido a favor do querente pela intervenção de uma 3ª parte, desde que o 3º planeta esteja colocado numa dignidade essencial.

Aspeto de Translação de Luz

Este aspeto ocorre quando um planeta mais rápido do que os significadores principais da questão lança aspeto, primeiro para um deles e depois com o outro fazendo uma de duas coisas: reativando um aspeto que os significadores principais formaram antes ou intervindo, colocando-se entre estes, quando estão prestes a formar um aspeto desfavorável.

No exemplo dado por W. Lilly: Marte está colocado a 15º de Carneiro; Saturno está colocado a 20º de Carneiro. Por sua vez, Mercúrio está colocado a 16º de Carneiro, entre os outros dois planetas.

Sendo o planeta mais rápido, Mercúrio separa-se de Marte e transporta consigo a energia positiva de Marte, atenuando, deste modo os efeitos maléficos da conjunção entre ambos.

Este aspeto pode ocorrer em todos os aspetos maiores.

Receção Mútua

Na astrologia tradicional, era considerado este aspeto não apenas quando um planeta está colocado no signo de outro e vice- versa mas também quando está colocado num signo que pertence à dignidade essencial de outro (como por exe., quando um está colocado no signo de exaltação do outro e o outro no próprio signo daquele, etc., como explicámos em outro artigo.

Na astrologia horária, todos os níveis de «dignidade» de um planeta são considerados: signo, exaltação, triplicidade, termo e face.

Como explicámos desenvolvidamente em outro artigo a dignidade por signo é a mais forte e a da «face» a mais fraca.

Embora a receção mútua possa mitigar alguns aspetos desfavoráveis, só por si não chega para garantir bons resultados.

Aspetos da Lua

Como já foi referido em artigos anteriores, os aspetos que a Lua acabou de formar dão revelações sobre causas que conduziram à questão objeto de análise. Por sua vez, os aspetos que irá formar antes de deixar o signo em que se encontra dão informação sobre os eventos futuros relacionados com a questão.

Se a Lua formar uma conjunção antes de sair do signo, em geral esta descreve aspetos importantes do resultado a alcançar. Mas não deve esquecer-se que a Lua é um significador secundário por isso os seus aspetos de aplicação servem para confirmar um certo resultado mas não são suficientes para o decidir só por si.

Há, no entanto, uma exceção que é quando a Lua forma um aspeto de translação de luz (ver atrás).

Aspetos que Não Favorecem a Conclusão da Matéria

William Lilly é o autor de referência.

Aspeto de Frustração

Ocorre quando dois dos significadores primários estão prestes a formar uma conjunção mas, antes que esta seja exata, um terceiro planeta fica em conjunção com o planeta mais pesado dos anteriores.  No exemplo de Lilly: Marte está colocado a 12º de Carneiro, Júpiter está a 13º de Carneiro, Mercúrio está colocado a 10º de Carneiro.

Mercúrio aproxima-se de Marte para formar conjunção mas, antes de isso ser possível, Marte forma conjunção com Júpiter, deixando desse modo Mercúrio de fora. Segundo Lilly, a conjunção Mercúrio Marte fica frustrada. E Mercúrio e Marte, que eram os significadores da questão, não formam o aspeto perfeito.

Aspeto de proibição

Este aspeto tem semelhanças com o anterior: dois planetas significadores estão prestes a formar um aspeto  maior um com o outro quando um terceiro planeta forma um aspeto maior com um dos anteriores antes que o aspeto entre estes seja formado.

A diferença entre este e o aspeto anterior é que, neste último, o aspeto formado pelo terceiro planeta é com qualquer um dos dois. No exemplo anterior era com o planeta mais pesado.

Os aspetos de proibição e frustração não impedem que seja alcançado um resultado positivo para a questão. Mas mostram interferência de fatores que são revelados pelo significado do 3º planeta e da casa que este rege na carta horária.

Refranação

Ocorre quando dois planetas estão prestes a formar um aspeto de aplicação mas, antes de este ser exato, um deles fica retrógrado e o aspeto não se forma na perfeição. Este aspeto indica que a questão acaba por não se concretizar à última da hora por alguma razão, havendo uma reversão.

Planeta Vazio de curso

Quando um planeta não forma nenhum aspeto antes de abandonar o signo em que se encontra, diz-se «vazio de curso». Mas, se o planeta estiver na orbe de influência  de um aspeto maior antes de sair do signo, não está «vazio». Este «obstáculo» é observado principalmente em relação à Lua. Se esta está vazia, Marc Edmund Jones entre os astrólogos do século 20 e Lilly e outros anteriores, consideravam que a carta horária não indicaria nenhuma dinâmica pertinente sobre a matéria e não deveria ser lida.

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