Tetrabiblos- Triplicidades

figura com triângulos

Continuamos a apresentar os fundamentos da Astrologia, a partir da obra de Ptolomeu, Tetrabiblos, hoje falando das triplicidades.

A Astrologia partiu, na sua história mais antiga, da ideia de que o universo «é geometria». É assim que devemos compreender todos os «aspetos» e efeitos produzidos pelos planetas na sua relação com o Zodíaco e com o horóscopo.

Ptolomeu ilustra esta ideia afirmando que o Zodíaco se divide geometricamente, partindo de  3 círculos, correspondendo aos equinócios e trópicos (solstícios) divididos em 12 partes (os signos) que, por sua vez se dividem em 4 triângulos equiláteros. O triângulo equilátero é uma figura que, em si mesma, representa a harmonia.

Estes triângulos ou «triplicidades» como são designados em geral, correspondem à divisão pelos 4 elementos (Água, Ar, Terra, Fogo).

Os leitores podem ver que, na caracterização das triplicidades, é importante considerar o secto da regência dos planetas, também referido como a sua regênca da «hora».

Triplicidade de Fogo

O Primeiro triângulo, diz-nos Ptolomeu, é de Fogo e inclui os signos Carneiro, Leão e Sagitário,  3 signos masculinos, bem como as casas do Sol, de Marte e de Júpiter. No entanto, como Marte não pertence ao secto solar, a triplicidade de fogo foi atribuída ao Sol e a Júpiter.

Assim, o Sol tem a regência diurna desta triplicidade e Júpiter tem a regência noturna.

O signo Marte fica próximo do círculo equinocial (da Primavera), o Sol fica perto do solstício do Verão e Sagitário fica próximo do solstício do Inverno. Esta é uma triplicidade de norte devido às características de Júpiter, que são fecundas e ventosas, como os ventos do norte.[1]

Porém, devido à característica da casa de Marte que partilha o secto da Lua e os ventos de sudoeste que esta representa, a triplicidade tem características mistas no signo de Marte.

Triplicidade de Terra

A triplicidade de Terra é composta pelos signos Touro, Virgem e Capricórnio, 3 signos femininos. Por essa razão, foi atribuída à Lua e a Vénus. Vénus tem a regência diurna e a Lua tem a regência noturna.

Touro situa-se junto ao trópico de Verão; Virgem fica junto do equinócio do outono e Capricórnio situa-se junto ao trópico do inverno. Esta triplicidade é eminentemente de sul, devido a Vénus, cuja natureza quente e húmida produz ventos de natureza semelhante.

Também tem uma natureza mista devido à inclusão da casa de Saturno, Capricórnio, que partilha o secto do Sol.

Triplicidade de Ar

A triplicidade de Ar é composta pelos signos Gémeos, Balança e Aquário, novamente 3 signos masculinos. Foi atribuída a sua regência a Mercúrio e Saturno, Saturno tendo a regência diurna e Mercúrio a regência noturna.

Ptolomeu explica que Saturno tem a regência diurna porque pertence ao secto diurno.

O signo Gémeos fica perto do trópico de Verão, o signo Balança fica perto do equinócio de outono e o signo Aquário fica perto do trópico de inverno.

Esta triplicidade tem natureza predominante de Este, por causa de Saturno mas também tem uma mistura de sudeste por causa de Júpiter pertencer , tal como Saturno, ao secto diurno.

Triplicidade de Água

A triplicidade de Água é composta pelos signos Caranguejo, Escorpião e Peixes. Situa-se à esquerda do planeta Marte, que se relaciona com esta triplicidade através do signo Escorpião. Estes são signos femininos e, por causa disso, pertencem ao secto da Lua.

Têm regência diurna de Vénus e noturna da Lua. O signo Caranguejo fica perto do círculo do Verão; Escorpião fica perto do círculo do inverno e Peixes fica perto do equinócio da Primavera.

A natureza desta triplicidade é predominantemente oeste, pois é dominada por Marte e  pela Lua. Mas, devido à regência de Vénus, também tem mistura de sudoeste.

 

[1] Nos tempos antigos os planetas e o Zodíaco eram vistos como tendo uma relação direta com as características do clima de acordo com as coordenadas geográficas do céu zodiacal que cobre o horizonte da Terra.

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