Astrologia Horária- Dignidade Essencial

(alt=" ")

Neste artigo falamos do uso da dignidade  essencial  dos planetas, como uma ferramenta de avaliação dos efeitos expectáveis, na Astrologia horária.

Tal como na astrologia de horóscopo, o estudo da dignidade dos planetas é fundamental para fazer qualquer previsão, uma vez que a força dos planetas e capacidade de produzir efeitos- positivos e negativos- está bastante ligada à sua dignidade na carta horária.

Dignidade Essencial

A dignidade essencial resulta da colocação do planeta num determinado signo e grau do Zodíaco.

Embora tenha havido algumas variações, desde os tempos antigos, a maioria dos astrólogos deste ramo da astrologia  usa as definições que foram em primeiro lugar definidas pelo astrólogo helenístico Ptolomeu, do século 1 e, mais recentemente, por  William Lilly, um astrólogo do século 17.

Para melhor compreensão dos leitores, reproduzimos a tabela das  dignidades essenciais, apresentadas por ordem  desde a dignidade mais forte , à esquerda, para a mais fraca, à direita:

tabela de dignidades

Legenda: a primeira coluna mostra os signos do Zodíaco; a segunda coluna indica os planetas regentes dos signos e acrescenta a letra «D» quando se trata do regente diurno e a letra «N» quando se trata do regente noturno;

A terceira coluna mostra os planetas que ficam exaltados em cada um dos signos , seguidos do grau de máxima exaltação (os signos Leão, Escorpião e Aquário não têm nenhum planeta que fique exaltado);

A quarta coluna mostra os planetas que regem as triplicidades, tanto para o dia (D) como para a noite (N);

Da quinta à nona coluna são indicados os termos dos planetas em cada signo, com indicação do grau de fim dos termos de cada planeta. Esta coluna lê-se na horizontal, para cada signo e, no primeiro termo, pressupõe-se que o primeiro termo começa no início do signo.

Por exemplo, para o signo Carneiro, pode ver-se que Júpiter tem o primeiro termo e o número que está ao lado de Júpiter, 6, refere-se ao último grau do termo de Júpiter. A seguir vem o termo de Vénus, que tem a seu lado o número 14. Isto significa que o termo de Vénus começa a 7º de Carneiro e vai até aos 14º. E deve ler-se do mesmo modo para os restantes termos.

Da décima à décima segunda coluna, está distribuída a dignidade «Face» dos planetas.  a sua leitura é semelhante à que explicámos para os termos, sendo que, nesta dignidade, cada planeta tem 10º de um signo correspondendo desse modo aos decanatos. Para o signo Carneiro Marte tem os primeiros 10º, o Sol rege a Face até ao grau 20 e Vénus rege a Face até ao grau 30.

A décima terceira coluna mostra os signos de detrimento dos planetas (o signo de detrimento é aquele que é oposto ao signo de domicílio do planeta ou próprio signo) e, havendo apenas um signo para cada planeta nessas condições, a leitura é simples.

A décima quarta coluna mostra o signo da queda de cada planeta (o signo de queda é aquele que é oposto ao signo de exaltação e que é conhecido na Astrologia Jyotish como signo de «debilitação»).

De acordo com esta tabela, um planeta pode estar dignificado por : regência, exaltação, triplicidade, termo, face, detrimento e queda. Os leitores podem ler um artigo aprofundado sobre estas dignidades aqui. A ordem aqui apresentada é da posição mais forte para a mais fraca.

Apesar de todas estas dignidades terem sido usadas pelos astrólogos mais antigos, muitos astrólogos da astrologia horária de hoje  usam apenas as regências seguintes: exaltação, detrimento e queda para determinar a força dos planetas.

Os planetas exteriores não são, em geral, usados, sendo-o apenas quando as questões da consulta remetem para os signos Escorpião e Aquário, situação na qual alguns usam, como fatores secundários, Urano e Plutão.

Como explicámos em outro artigo, isto deve-se ao facto de a astrologia horária formar um sistema  tradicional, com uma lógica própria, seguindo a tradição mais antiga,  que tem dado bons resultados.

Para a análise das dignidades, note-se que, na tabela, há um grau de máxima exaltação para cada planeta mas não é necessário o planeta estar colocado nesse grau para se considerar exaltado, embora tenha aqui o seu máximo poder.  A este respeito, a astrologia da Índia pode diferir pois considera diferentes dignidades possíveis, em alguns casos, para os planetas, como pode conferir aqui.

A dignidade  essencial da  triplicidade depende da colocação do planeta num signo e também se o nascimento é diurno ou noturno, assinalado na tabela pelas letras D e N. uma carta é considerada diurna quando o Sol está colocado na metade superior da carta (com formato ocidental, isto é, circular) e é noturno quando o Sol está colocado na metade inferior da carta.

A dignidade essencial  do «termo» depende da colocação do planeta em certos graus de um signo, como explicámos detidamente em outro artigo. Na tabela pode ver os graus dos  signos em que cada planeta está dignificado por termo.

Como explicámos também em outro artigo , quando um planeta não está colocado em nenhuma das dignidades referidas, é dito peregrino,  condição na qual o planeta está enfraquecido.

Uma particular atenção é dada ao aspeto de receção mútua, na astrologia horária, considerando-se que , quando um planeta significador está em receção mútua com outro planeta  e este outro não é um significador da matéria da questão, isso indica ajuda de alguém exterior para conseguir o que  se deseja.

Além do mais, se dois planetas estão debilitados  (em queda) na carta horária mas estão em receção mútua, como acontece com a Lua em Escorpião e Marte no signo Caranguejo, isso forma um aspeto poderoso que fortalece ambos os planetas.

A receção mútua pode , deste modo, restabelecer a força de um planeta, permitindo-lhe dar bons resultados. Segundo Ivy Jakobson, a receção mútua permite que um planeta em detrimento, queda (ou debilitação) recupere a sua força ao ser «recebido» por outro planeta.

Outro elemento a ter em conta é se os planetas que formam receção estão em aspetos difíceis como a quadratura e a oposição. Se for esse o caso, então haverá obstáculos para a matéria da questão, embora possam ser superados se as partes forem capazes de ter espírito de acordo e de compromisso.

Quando, pelo contrário, os planetas em receção mútua formam um aspeto favorável, como um trino ou sextil, isso indica que os objetivos da consulta serão concretizados de forma fácil e rápida.

Como explicámos no artigo referido atrás, sobre a receção mútua, esta pode ocorrer, não apenas pela colocação no signo que cada um dos planetas rege mas também por estarem colocados em outras dignidades que regem, (exaltação, termo, face, triplicidade) sem ser necessário estar cada um na mesma dignidade. Isto exige que o astrólogo conheça bem as várias dignidades de cada planeta.

Relacionados

Leave a Comment